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Sete pessoas morreram em ataques terroristas na União Europeia em 2012

A ameaça de terrorismo na União Europeia ainda é “forte e diversificada”, diz relatório. Europeus que viajam para países como a Síria ou o Iémen estão a aumentar e são já o grande foco de preocupação.

Terrorismo fez sete mortos na União Europeia em 2013. Em 2012 foram 17.

Uriel Sinai

Sete pessoas morreram no ano passado na União Europeia na sequência de ataques terroristas, menos dez do que no ano anterior. Esta é uma das conclusões que constam no relatório anual sobre terrorismo, divulgado esta quarta-feira pela Europol. “O terrorismo continua a ameaçar a segurança dos cidadãos e os interesses da União Europeia”, lê-se, com a guerra civil da Síria a fazer “crescer exponencialmente essa ameaça”.

Do total de 152 ataques reportados em 2013, quatro deles resultaram em sete vítimas mortais. Uma delas foi o soldado britânico Lee Rigby, de 25 anos, assassinado a 22 de maio nas proximidades de um quartel do Exército em Woolwich, sudeste de Londres, por dois cidadãos ingleses convertidos ao islamismo, que o atropelaram e esfaquearam repetidas vezes, alegadamente para vingar a morte de muçulmanos pelas forças armadas britânicas.

Outro caso tem a ver com uma série de ataques terroristas levados a cabo também no Reino Unido entre abril e julho, motivados pela ideologia da extrema-direita. Num dos casos, um cidadão ucraniano esfaqueou um reformado muçulmano, Mohammed Saleem, quando saía de uma mesquita e caminhava para casa. O atacante, identificado como Pavlo Lapshyn, detonou ainda bombas caseiras em três mesquitas na área de West Midlands. O ucraniano viria depois a dizer à polícia que os ataques foram motivados pelo ódio às pessoas não-brancas.

A 9 janeiro de 2013, três mulheres curdas foram assassinadas em Paris, por pertencerem ao Partido dos Trabalhadores Curdos e estarem ativamente envolvidas no financiamento da organização. E, a 1 de novembro, dois membros do partido neo-nazi grego Aurora Dourada foram mortos a tiro num ataque que foi reclamado pelo antigo grupo Forças Revolucionárias Militantes Populares – foram as primeiras vítimas mortais resultantes da atividade terrorista anarquista na Grécia desde 2010.

O que é considerado terrorismo pela Europol?
“Os estados-membros da UE definem por terrorismo os atos criminosos que pretendem intimidar populações, compelir os Estados a aceitar exigências, ou desestabilizar as estruturas políticas, constitucionais, económicas ou sociais de um determinado país ou organização internacional.”

Relatório de Tendências e da Situação do Terrorismo na União Europeia (TE-SAT 2014) faz uma compilação anual de dados baseada nas estatísticas facultadas pelas autoridades dos vários estados-membros da União Europeia.

Em 2013, houve um total de 152 ataques terroristas levados a cabo em cinco países. França foi o que registou mais ocorrências, 63, seguindo-se Espanha, com 33 ataques e o Reino Unido, com 35. Na Grécia, o número também foi considerável, ainda que mais baixo – 14 – e Itália fecha o leque, com um total de sete ataques organizados.

Trata-se, ainda assim, de uma diminuição face aos anos anteriores, realça o relatório. Em 2011, registaram-se 174 ataques, no ano seguinte o número aumentou para 219, e em 2013 baixou para os 152.

“Seja extremismo da direita ou da esquerda, separatismo ou atos de motivação religiosa, temos de intensificar o nosso trabalho para responder à ameaça do radicalismo”, afirma a Comissária Europeia para os assuntos internos, Cecília Malmstrmöm. E explica a preocupação: “Numa altura em que movimentos populistas e xenófobos circulam na Europa, é mais importante do que nunca não esquecer que o radicalismo que leva ao terrorismo violento é um processo gradual que não acontece de um dia para o outro”.

O relatório conclui ainda que a maioria dos ataques foram motivados por separatistas, e que o número de ataques relacionados com a extrema-esquerda e o anarquismo aumentou neste ano. Por outro lado, nota-se que não houve relatos de ataques diretamente relacionados com motivações religiosas ou motivados pela ideologia da extrema-direita. Ainda assim, o papel do fundamentalismo religioso aparece indiretamente relacionado com alguns dos ataques, nomeadamente com o do soldado britânico morto em Woolwich.

Em relação à responsabilização dos atos, o relatório dá conta de 535 detenções por ofensas terroristas, a maior parte em França (225), em Espanha (90) e no Reino Unido (77). Um número que aumentou face ao ano anterior e que se deve principalmente a uma maior diversidade das acusações. Em 2013, houve mais detenções por preparação e execução de ataques, por financiamento a grupos terroristas e pelo envio de tropas para zonas de conflito, nomeadamente para a Síria. Nos anos anteriores, pelo contrário, o motivo das detenções estava predominantemente relacionado com o facto de ser ou não ser membro de uma organização terrorista.

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