Brasil

Cinco gráficos para entender o resultado das eleições brasileiras

O Observador explica em cinco gráficos como se produziu a menor diferença da história nos resultados das eleições brasileiras e as implicações para o segundo mandato de Dilma Rousseff.

Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) com um diferença de apenas 3,28%

Ilustração: Milton Cappelletti

Autor
  • Milton Cappelletti

Com uma diferença de 3,28%, Dilma Rousseff (PT) venceu no último domingo as eleições presidenciais no Brasil, a menor margem da história das eleições democráticas no país: a candidata obteve 51,64% dos votos válidos ante os 48,36% de Aécio Neves (PSDB).

Em números absolutos, 3.459,963 brasileiros decidiram a reeleição da Presidente, a diferença de votos, o que equivale a cerca de 33% da população de Portugal. No entanto, num país com mais de 142 milhões de eleitores, é preciso recuar até 1989 para encontrar números parecidos, quando Fernando Collor de Mello e Lula da Silva protagonizaram a mais apertada corrida eleitoral com um resultado favorável a Collor de 52–48%.

E qual é a explicação para uma disputa tão renhida? E que implicações pode haver para o arco de governação? O Observador analisou o resultado destas eleições para entender como e onde se originou este mínimo histórico.

A começar pelos resultados das eleições por município. À primeira vista seria fácil apontar para um divisão norte-sul dos votos ou para uma separação entre os estados com mais participação no programa Bolsa Família no norte/nordeste com predominância de votos para Dilma Rousseff em oposição aos estados com maior índice de industrialização no sul/sudeste do país, que votaram a favor de Aécio Neves. Contudo, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil, poucos municípios deram uma vitória de mais de 60% ao candidato vencedor.

Dilma consegue vitórias expressivas apenas no interior do nordeste e em algumas zonas do estado do Amazonas, enquanto Aécio Neves obtém vitórias em praticamente todas as regiões, com maior incidência no centro do país. Nos municípios do sul do Brasil, a candidata à reeleição também vence e Aécio não consegue impor uma grande vantagem sobre a sua adversária em São Paulo, estado de tradição histórica para o PSDB.

 

Milton Cappelletti

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Ao analisar os números estado por estado a partir do tamanho do círculo eleitoral, os resultados são variados. Aécio venceu em apenas 12 das 27 unidades federativas, mas obteve mais votos nos estados onde há mais eleitores. É o caso de São Paulo, onde conseguiu 64,31% dos votos válidos, o que equivale a cerca de 15 milhões de eleitores, do Rio Grande do Sul (53%, 3,5 milhões de eleitores) e Paraná (60%, 3,7 milhões). No entanto, as vitórias não alcançaram um percentual acima dos 65%, que pudessem neutralizar a derrota do candidato nos 15 estados onde Dilma Rousseff teve mais votos.

Por sua vez, a Presidente venceu em círculos eleitorais mais pequenos, mas com uma diferença mais expressiva: em cinco estados, a candidata do PT conseguiu mais de 70% dos votos. Contudo, é de salientar que mesmo derrotada no sul e sudeste do Brasil, foram estas regiões quem deram mais votos à candidata: 47,2% dos seus votos vieram destes círculos eleitorais, enquanto o nordeste representa apenas 32,4% dos seus números finais.

Milton Cappelletti

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A derrota de Aécio Neves representa o fim do PSDB? Não se olharmos para os resultados da segunda volta das eleições presidenciais anteriores. O candidato obteve a maior votação do partido em 16 anos, quando Fernando Henrique Cardoso foi reeleito Presidente em 1998 ainda na primeira volta com 53,06%. Desde então, o partido perdeu as eleições de 2002 e 2006 para Luiz Inácio Lula da Silva e de 2010 e 2014 para Dilma Rousseff. Os números, entretanto, seguem em crescimento e podem ameaçar o PT em 2018. Aécio Neves já desponta como favorito, mas o governador reeleito do estado de São Paulo na primeira volta, Geraldo Alckmin, também está na corrida.

Milton Cappelletti

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O resultado equilibrado das eleições presidenciais também se reflete na composição da Câmara dos Deputados para os próximos quatro anos. O número de partidos políticos com representação passará de 22 para 28, um crescimento equivalente a 27,3% em comparação com a última legislatura – uma das mais fragmentadas do mundo. Os principais partidos perderam algumas cadeiras, enquanto seis legendas que não tinham deputados em exercício passarão a integrar o parlamento a partir de 2015.

PT e PMDB continuam com as maiores bancadas na Câmara dos Deputados, com 70 e 66 deputados, respetivamente. A coligação de Dilma Rousseff soma 304 representantes, o que garante a maioria numérica no Congresso. No entanto, com nove partidos na base do governo, será necessária a articulação política das legendas para garantir o arco de governação.

O PSDB, maior partido de oposição ao governo, conquistou a terceira maior bancada da Câmara com 54 deputados. Somados aos partidos da coligação da candidata Marina Silva (PSB), o número chega a 128 representantes. Os partidos que não faziam parte de nenhum coligação na segunda volta das eleições representam 28 deputados.

Milton Cappelletti

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No senado brasileiro, o PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, tem o maior número de representantes: 19 parlamentares. Logo em seguida, aparece o PT que começa a nova legislatura com 13 senadores. No total, a coligação de Dilma Rousseff terá 52 dos 81 lugares do Senado. O PSDB terá 10 representantes e a sua coligação da segunda volta contará com 27 parlamentares. Dois partidos sem coligação conseguiram eleger um senador cada.

Milton Cappelletti

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