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A viagem da Rosetta foi desenhada por investigadores de Braga, sabia?

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O modelo interativo da viagem da sonda Rosetta, apresentada pela ESA, foi feita por investigadores portugueses, três em Braga e três em Munique. Demorou um ano a construir.

O modelo interativo utilizado pela ESA foi criado por empresas portuguesas

As imagens, gráficos e vídeo correram mundo. Explicam com grande precisão a viagem [sci.esa.int/where_is_rosetta] de 10 anos da sonda Rosetta até ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, desde o lançamento em 2004 às quase duas voltas ao Sol que foram precisas para chegar esta quarta-feira ao destino. As distâncias que este software processa são gigantescas, medem-se em triliões de quilómetros, mas o modelo informático utilizado pela Agência Espacial Europeia (ESA) foi feito aqui bem perto, por duas empresas portuguesas.

A TECField, sediada em Braga e a Science Office em Espinho (com escritório em Munique), desenvolveram de raiz o software que permite processar, em tempo real, os dados adquiridos pela ESA. “Estou muito satisfeito”, contou com orgulho ao Observador João Martinho Moura, fundador da TECField e investigador de interação e arte digital da Universidade do Minho.

Há um ano e meio a TECField e a Science Office fizeram uma proposta à ESA para desenvolver uma aplicação para o programa Rosetta, como resposta à necessidade da Agência Espacial em criar um sistema de visualização interativa, porque “uma viagem como esta envolve grandes distâncias, difíceis de compreender”. Para isso criaram um simulador fácil de utilizar, mas por detrás da aparente simplicidade está um software capaz de processar um milhão de dados em simultâneo, atualizados em permanência pela ESA. João Martinho Moura explicou ao Observador que o software está instalado nos servidores da Agência Espacial Europeia, e que é a partir dos dados recolhidos em permanência pela missão que vão sendo ajustadas as distâncias, cada vez com maior grau de precisão.

“A maioria das pessoas só agora está a ouvir falar nesta missão, mas a sonda já anda em viagem há 10 anos, já passou por outros momentos importantes, tais como a passagem pelo planeta Marte e por outros corpos celestes. Daí a necessidade de criar mais que um simples filme”, explicou. A ESA pediu uma componente interativa e a necessidade aguçou o engenho da Science Office (coordenação técnica) e da TECField (programação e desenho) e envolveu apenas seis pessoas, três de cada empresa. Ao longo de um ano, desenvolveram o projeto que foi apresentado publicamente pela primeira vez em janeiro, quando a Rosetta “acordou” já perto do cometa 67P.

Esta aplicação foi criada com uma tecnologia chamada WebGL, a arquitetura e o design foram concebidos de raiz para o efeito. Mas aparte da competência técnica e gráfica, o fundador da TECField reconhece que “a curiosidade pela astronomia já existia, mas acabou por ter de ser mais aprofundada por toda a equipa”. A empresa foi fundada há cinco anos e desde o início que se especializou no desenho de software de precisão, “um critério decisivo para a decisão final da Agência Espacial Europeia”.

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