Espaço

Água presente no cometa estudado pela sonda Rosetta é diferente da água terrestre

A sonda Rosetta permitiu já perceber que a água presente no cometa Churyumov-Gerasimenko é diferente da terrestre, relançando a confusão e dando força à tese da origem nos asteroides.

ESA / AOES Medialab

As análises feitas por um dos instrumentos da sonda Rosetta (Rosina) ao cometa Churyumov-Gerasimenko vieram já mostrar que a água lá presente tem uma composição muito diferente da água existente nos oceanos terrestres. Afinal, a origem da água presente nos oceanos terrestres estará nos cometas? Ou antes nos asteroides? O debate reacende-se com estas análises, que vêm contrariar um resultado já obtido anteriormente, afirmou esta quarta-feira ao final do dia a Agência Espacial Europeia, em comunicado.

Os dados obtidos pela Rosetta mostram que o rácio deutério/hidrogénio medido é três vezes maior do que o dos oceanos terrestres e igualmente superior ao do cometa 103P/Hartley 2, também da família dos cometas de Júpiter – cometas cuja órbita é influenciada por este planeta -, onde a composição da água é semelhante à da Terra. Aliás, nos últimos anos as análises feitas a 11 cometas da família de Júpiter tiveram resultados distintos. “Esta descoberta surpreendente poderá indicar uma origem diversa para os cometas da família de Júpiter”, concluiu a investigadora Kathrin Altwegg, da Universidade de Berna, na Suíça, líder da equipa que fez o estudo publicado na revista Science.

Por outro lado, as análises já feitas a meteoritos, resultantes da colisão de asteroides com a Terra, mostraram uma assinatura da água semelhante à da Terra. Acontece que os asteroides têm um teor de água em geral muito mais baixo. Contudo, de acordo com a Agência Espacial Europeia, os impactos resultantes de um grande número deles poderiam ter dado origem aos oceanos terrestres. E cita mesmo a investigadora Kathrin Altwegg: “A nossa descoberta (…) reforça os modelos que colocam mais ênfase nos asteroides como a principal origem dos oceanos da Terra.”

Mas embora no artigo publicado na Science a equipa volte a apontar para os asteroides como possível fonte de água da Terra, a cientista Kathrin Altwegg defendeu ao Público que o que se passou durante o bombardeamento de objetos espaciais, há 4.000 milhões de anos, terá sido mais complexo. “A Terra poderá ter mantido alguma da sua água original, e poderá ter recebido [água] dos asteroides, dos cometas da nuvem de Oort e da cintura de Kuiper e talvez de pequenos reservatórios de objetos como os [asteroides] troianos”, avançou.

No início de novembro, o módulo Philae, que viajava a bordo da sonda Rosetta, finalmente pousou no cometa Churyumov-Gerasimenko, que a nave perseguia há 10 anos, protagonizando a primeira “acometagem” da história da humanidade. Um dos objetivos da Rosetta é verificar se cometas como este podem ter fornecido água à Terra.

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