Os Estados Unidos saudaram, esta terça-feira, as declarações do antigo líder cubano sobre o processo de restabelecimento das relações diplomáticas entre Washington e Havana, suspensas há mais de meio século, em curso.

“Nós consideramos a sua referência aos ‘princípios e normas internacionais’ como um sinal positivo”, disse a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki, aos jornalistas.

Esta segunda-feira foi lida na televisão estatal cubana uma carta dirigida aos estudantes da Universidade de Havana escrita por Fidel Castro que, na sua mensagem, quebra o silêncio relativamente à histórica aproximação diplomática entre os Estados Unidos e Cuba.

O antigo Presidente cubano disse “não ter confiança nos Estados Unidos”, apesar de apoiar a “solução pacífica” e “negociada”.

“Defender a paz é um dever de todos. Qualquer solução pacífica e negociada para os problemas entre os Estados Unidos e os povos — ou qualquer povo da América Latina — que não implique o uso da força deverá ser tratada de acordo com os princípios e normas internacionais”, acrescentou o líder da revolução cubana.

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Jen Psaki afirmou que Washington espera, por isso, que “o governo cubano implemente esses princípios e normas internacionais para uma Cuba democrática, próspera e estável”.

As declarações de Fidel Castro chegaram menos de uma semana depois da conclusão da primeira ronda de contactos oficiais entre Havana e Washington, realizadas em Cuba, nos passados dias 21 e 22.

A porta-voz da diplomacia norte-americana sublinhou que “há muito trabalho por fazer” e revelou que os Estados Unidos “convidaram responsáveis cubanos a visitarem Washington nas próximas semanas” para dar continuidade às conversações.

Não foi, contudo, definida uma data.

“Não confio na política dos Estados Unidos nem troquei qualquer palavra com eles. Tal não significa — longe disso — a recusa de uma solução pacífica para os conflitos”, realçou Fidel Castro, de 88 anos.

Esta foi a primeira vez que Fidel Castro se pronunciou publicamente sobre a aproximação diplomática, considerada histórica, entre Cuba e Estados Unidos, anunciada a 17 de dezembro pelos presidentes norte-americano e cubano, Barack Obama e Raúl Castro, respetivamente.

O pai da revolução cubana, de 88 anos, que cedeu o poder ao seu irmão, Raúl, em 2006, por motivos de saúde, quis, porém, expressar apoio às políticas do seu sucessor.

“O Presidente de Cuba deu passos relevantes à luz das suas prerrogativas e das competências que lhe são concedidas pela Assembleia Nacional [parlamento] e pelo Partido Comunista de Cuba”, disse na missiva lida pelo presidente da Federação Estudantil Universitária, Randy Perdomo, transmitida pela televisão estatal da ilha.