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Swiss Leaks

Chefe de serviço da Inspeção-Geral das Finanças ligada ao Swissleaks

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Filomena Martinho Bacelar é o nome da chefe de serviço que está entre os clientes do banco HSBC, onde teria 1,6 milhões de dólares, segundo a TVI. Ex-ministro, atual deputado, também envolvido.

IAN LANGSDON/EPA

Autores
  • Catarina Fernandes Martins
  • Diogo Pombo

Os nomes de uma funcionária de topo na Inspeção-Geral das Finanças e de dois familiares estão associados ao escândalo conhecido como Swissleaks, avançou esta quinta-feira a TVI. Filomena Martinho Bacelar é hoje chefe de serviço e aparece entre os clientes do banco inglês HSBC, onde teria, entre 2006 e 2007, cerca de 428 mil dólares (403 mil euros). Este é um dos 611 nomes ligados a Portugal (entre pessoas e entidades) que, em conjunto, teriam cerca de 1,4 mil milhões de euros colocados na filial suíça do HSBC — que terá ajudado todos estes clientes a fugirem aos impostos.

Filomena Bacelar, juntamente com os seus dois familiares referidos, aparecem como tendo um total de 2,5 milhões de dólares (2,3 milhões de euros) no banco, segundo a investigação que a TVI, em parceria com o jornal Le Monde e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, publicou. A funcionário do Ministério das Finanças é um dos 421 nomes, entre os 611 ligados a Portugal, que terão morada fiscal registada em território nacional. Antes de integrar a Inspeção-Geral das Finanças, Filomena Bacelar exerceu cargos no Metro do Porto, nas Águas e Portugal, na ANA – Aeroportos e Navageção Aérea, na Transtejo, na Parque Expo 98, na Docapesca ou no Hospital Distrital de Santarém.

filomena bacelar

A investigação da TVI, porém, não indica que Filomena Bacelar e os dois familiares tenham cometido qualquer crime, apontando apenas que os três nomes têm ligações a uma entidade sediada num paraíso fiscal: a Bordel Investment Holdings Limited, das Ilhas Virgens Britânicas. A Bordel Investments Holdings Limited, aliás, é detentora da Searchouse Imobiliária, Unipessoal, empresa com sede em Lisboa e gerida por Ana Oliveira Bruno, advogada envolvida na investigação Monte Branco, rede de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

A conta que tinha mais dinheiro – quase 144 milhões de euros –, está associada a um banco nacional. Uma das que tinha menos está ligada a um ex-ministro e atual deputado e é uma fundação de direito privado, do Porto, com pouco mais de mil euros, revelou também a estação privada de televisão.

Filomena Bacelar foi, para já, a única cidadã portuguesa identificada no âmbito desta investigação. A TVI, contudo, não esclarece se a inspetora das Finanças terá, ou não, cometido algum crime — apesar de indicar, várias vezes, que o Swiss Leaks implica casos de “branqueamento de capitais ou fuga ao fisco”, associados à agência de Genebra do banco HSBC.

O escândalo Swissleaks rebentou quando, no domingo 8 de fevereiro, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) divulgou documentos confidenciais sobre o ramo suíço do banco britânico HSBC, que revelam alegados esquemas de evasão fiscal. Entre os mais de 100 mil clientes, há terroristas, traficantes de armas e de diamantes e artistas conhecidos, como a Tina Turner e John Malkovich.

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