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Partido Democrático Republicano

Confusão no PDR. Filiados de última hora, confusão, gritos e urnas fechadas

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Os ânimos exaltaram-se, Marinho Pinto mandou suspender as votações e falou de um "assalto" ao partido por uma "multidão de uma confissão religiosa".

Marinho Pinto referiu-se a "uma multidão de uma confissão religiosa"

Manuel Almeida/LUSA

“Isto está tudo cancelado”, atirou assim, de repente, um dos membros da organização, atrás do balcão onde a imprensa ia buscar as acreditações. E logo ali, começou a contar a história — a sua história — do que tinha acontecido horas antes. “Vieram de autocarro, gente que não estava inscrita, roubaram fichas que estavam aqui espalhadas pelos balcões e puseram-se na fila para votar. Tínhamos molhadas de papéis em cima da mesa que desapareceram de repente”, explica, a olhar para todos os lados, e sem querer que o seu nome fosse citado.

“Foi a seguir ao almoço. Eram hordas da Igreja Maná”, continua, assertivo. Mas de repente cala-se. Um grupo de três pessoas que estava ali perto, chega-se ao balcão e pergunta: “Está tudo bem? Estão a olhar torto para nós? Pagamos impostos, temos os nossos direitos”, fala a rapariga loira, para logo desaparecer de vista.

“Está a ver? São estes. Todos brasileiros”, murmura o homem. E depois justifica a aparente falta de organização: “Somos um partido novo, estavam aqui as coisas todas à vista, as caixas, e olhe, agora está tudo cancelado”. Ri-se, meio nervoso, enquanto atende uma outra senhora que se dirige ao balcão: “Não é aqui que existe uma exposição de quadros?”

Não. Aqui, no Fórum Lisboa, decorre a primeira Assembleia de Filiados do Partido Democrático Republicano, que de manhã havia eleito, sem margem para dúvidas, Marinho Pinto como presidente. 494 votos a favor, 7 votos em branco, 3 nulos e zero votos contra.

Nada faria prever o que estava para vir.

Alexandre Almeida, antigo militante do MPT (Partido da Terra), que elegeu Marinho Pinto como deputado ao parlamento europeu, decidiu apresentar uma lista concorrente ao conselho nacional do partido. Pouco tempo antes de as votações se iniciarem, começaram a aparecer várias pessoas que se inscreveram e receberam uma credencial. Dirigiram-se então para as mesas de voto.

E esta é a segunda versão do que aconteceu, pela voz de Alexandre Almeida e Luciana Almeida, mulher do candidato. “Eu sou aqui o palhaço de serviço”, disse logo assim de rajada o antigo companheiro de partido de Marinho Pinto. “Apresentei uma lista ao conselho nacional, íamos ter uma excelente votação. Quando perceberam que a coisa não estava a correr bem…” Luciana interrompe. “Ele falou de uma cambada de brasileiros de uma determinada religião. Mas eu tenho de dizer qual é a minha religião para votar? Sou filiada desde 20 de Janeiro.” Luciana é brasileira e trouxe familiares e amigos que se inscreveram para votar.

Mas autocarros, não. “Eu vim de autocarro, mas de autocarro da Carris, que sou aqui de Lisboa”, diz Alexandre Almeida.

Acabou a votação

Perante a quantidade de pessoas que se juntava às filas para votar, e alegando a estranheza de tantas caras que nunca ninguém do partido tinha visto, Marinho Pinto foi avisado. Imediatamente saiu de dentro da sala do Fórum Lisboa. “Vieram avisar-me e eu vim ver. Fui ao serviço e disse ‘parem aqui a votação’, dirigi-me à presidente da mesa e mandei suspender”, conta ao Observador.

Só depois de ter ido pelo seu próprio pé e de viva voz encerrar as urnas, Marinho Pinto voltou à sala para contar o que tinha decidido. E foi aí, nessa declaração, que Marinho Pinto usou palavras que ofenderam alguns dos presentes, ao dizer: “Dizem-me que é uma multidão de uma confissão religiosa, isto num partido laico”. Uma multidão “mobilizada determinadamente e meticulosamente”. E depois pediu calma, muita calma e serenidade.

Marinho Pinto nega que alguma vez tenha utilizado a expressão “cambada de brasileiros”.

 

Troca de argumentos entre os candidatos

Serenidade foi coisa que acabou por não existir. Já as votações estavam encerradas, quando Marinho Pinto e Alexandre Almeida se encontraram, frente a frente, à porta da sala. Umas dezenas de pessoas juntaram-se à volta dos dois homens.

“O Marinho Pinto disse que eu sou um escroque”, começou por acusar Alexandre Almeida. Marinho Pinto respirou fundo e com alguma calma, respondeu: “Os cadernos vão ser afixados e para a semana fazemos a votação”. “Não aceito”, retorquiu Alexandre Almeida. “Então impugne!”, gritou Marinho Pinto, na hora em que alguém já o tentava puxar dali.

O tom subiu.

– “O senhor acusou-me de dedo em riste!”, disse Alexandre Almeida

– “Vá fazer comícios para outro sítio”, atirou Marinho Pinto.

Ouve-se alguém gritar: “Calma!” Luciana interrompe a conversa e acusa Marinho de querer saber qual era a confissão religiosa dela. “Adore o seu deus que eu adoro o meu”, diz Marinho, voltando-se novamente para Alexandre.

Marinho Pinto respira fundo e diz que houve um lapso dos serviços, que a culpa não era de Alexandre Almeida, e que iriam fazer tudo novamente, como deve ser, confirmando as listas dos filiados. Mas a calma durou pouco.

– “Tenho muita pena que tenha chegado a este ponto”, disse Marinho franzindo o sobrolho.

– “E eu tinha de si uma opinião de uma pessoa mais democrática”, rematou Alexandre Almeida.

A conversa terminou, mas na sala da cafetaria ouviram-se gritos. “Saiam daqui! Vão-se embora!” Dois dos presentes quase chegaram a vias de facto, mas rapidamente foram afastados. “O senhor não me toque! Não me toque!”

Regulamento permitia inscrições até hoje

O regulamento da Assembleia Geral de Filiados diz expressamente que esta é “constituída por todos os que, até à realização desse ato, dia 24 de Maio, presencialmente se inscrevam nas mesas preparadas para o efeito, (…), ficando a partir desse momento, acreditados para exercerem todos os seus direitos e deveres, inerentes à condição de Filiados participantes na Assembleia”. Marinho Pinto pegou no papel, ajeitou os óculos e disse: “É um lapso. Mas deixe ver melhor. Ah, ‘realização desse ato’, portanto só podiam inscrever-se até ontem”. Só que “ontem” foi dia 23. Hoje é que é dia 24, tal como está escrito no regulamento.

No final da tarde tudo estava mais calmo. Marinho Pinto disse ao Observador que as novas eleições terão lugar no próximo fim de semana ou daqui a quinze dias. Quando questionado sobre o porquê de esta situação ter acontecido, levantou os olhos, encolheu os ombros e afirmou que “tinha uma ideia”, mas nada que pudesse desenvolver por agora.

Marinho Pinto é a partir de hoje o presidente do Partido Democrático Republicano. Um partido com um presidente, sem conselho nacional e com uma confusão de filiados.

 

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A D. Isabel dos Santos é quem nos compra bancos. Os Manuéis Vicentes quem nos usa como lavandaria do seu dinheiro. E se a nossa Justiça se intromete nas suas vidas, Luanda fecha-nos a porta na cara.