Logo Observador
Brasil

Foi há 30 anos: 5 curiosidades sobre Roque Santeiro

21.085

A 24 de junho de 1985, a Globo estreava Roque Santeiro. Trinta anos depois, revelamos-lhe algumas curiosidades sobre a telenovela e mostramos na fotogaleria como estão hoje alguns dos seus atores.

A novela, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, estreou há precisamente 30 anos e teve 209 episódios. Foi a telenovela com a maior audiência de sempre no Brasil, tendo conseguido um share de 95% no último episódio. Em Portugal, tivemos de esperar por outubro de 1987 para conhecer a história de Sinhozinho Malta, Roque e Porcina, que alcançou igualmente grande popularidade no nosso país — teve até direito a uma caderneta de cromos. A novela seria reposta na SIC, em 1993, e no canal por cabo GNT, em 2011. Além do Brasil e de Portugal, foi também transmitida em Angola, Argentina, Canadá, Chile, Cuba, Espanha, Estados Unidos e México. Em Luanda, deu o nome a um gigante mercado de rua.

A trama de Roque Santeiro decorria na cidade de Asa Branca, dominada pelo latifundiário Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e pela sua amante Porcina (Regina Duarte). A cidade prosperara graças ao mito de Roque Santeiro (José Wilker), considerado santo e mártir pelo povo. Roque, supostamente casado com Porcina (a viúva que nunca o foi), teria sido morto pelo bandido Navalhada ao tentar defender a cidade, e o povo acreditava que a lama do rio onde o seu corpo fora encontrado curava doenças. Mas tudo é posto em causa quando Roque regressa, passados vários anos, e começa a aparecer aos mais poderosos da cidade.

Para matar saudades, deixamos-lhe algumas curiosidades sobre esta novela que tanto apaixonou os portugueses nos anos 80.

1. Teve uma primeira versão censurada

A novela era para ter estreado em 1975, para comemorar os dez anos da Rede Globo. O elenco chegou a gravar 20 episódios, mas a Censura Federal proibiu a sua exibição, por ser baseada na peça O Berço do Herói, de Dias Gomes, que fora proibida pela ditadura militar brasileira. Na primeira versão, Lima Duarte já fazia de Sinhozinho Malta, mas o papel de Roque pertencia a Francisco Cuoco e Betty Faria era a Viúva Porcina.

Em 1985, durante o governo de José Sarney, a novela pôde finalmente ser exibida. Para a nova versão, foram convidados os mesmos artistas da gravação anterior, mas Francisco Cuoco e Betty Faria recusaram participar, ao contrário de Lima Duarte, João Carlos Barroso (Toninho Jiló), Luiz Armando Queiroz (Tito França) e Ilva Niño (Mina), que repetiram as personagens. Outros atores trocaram de papel, como foi o caso de Elizângela (Tânia em 1975, Marilda em 1985) e Milton Gonçalves (Padre Hipólito em 1975, Lourival Prata em 1985).

Betty Faria e Lima Duarte foram Porcina e Sinhozinho Malta na versão censurada de 1975.

Betty Faria e Lima Duarte deram vida a Porcina e Sinhozinho Malta na versão censurada de 1975. Fernando Cuoco fazia de Roque Santeiro.

2. Teve três finais gravados

Consta que o final exibido, em que Roque parte de avião — ao estilo de Casablanca — e Porcina fica com Sinhozinho Malta, foi escolhido por Dias Gomes, autor dos primeiros e últimos episódios da novela. Aguinaldo Silva, o outro autor, que escreveu a maioria dos episódios, teria preferido terminar a novela com Porcina e Roque juntos, conforme pode ver no vídeo abaixo, que a Globo acabou por divulgar muito mais tarde. Teria ainda sido gravado um terceiro final, no qual Porcina ficava ao lado do capataz Rodésio (Tony Tornado); a Globo nunca o admitiu, mas foi o próprio ator a revelá-lo no documentário A Negação do Brasil.

3. Muitos atores já não estão entre nós

Na fotogaleria, pode ver como estão hoje alguns dos atores da novela, mas já não vai encontrar aqueles que morreram entretanto. É o caso do protagonista José Wilker, falecido há cerca de um ano, vítima de enfarte. Também já morreram os atores que interpretaram o Beato Salu (Nelson Dantas), o Padre Hipólito (Paulo Gracindo), o Padre Albano (Cláudio Cavalcanti), o Zé das Medalhas (Armando Bógus), o Delegado Feijó (Maurício do Valle), o Ceguinho Jeremias (Arnaud Rodrigues) e Tito Moreira França (Luiz Armando Queiroz).

Atores que já morreram

José Wilker, Nelson Dantas, Armando Bógus, Paulo Gracindo e Cláudio Cavalcanti.

4. O Lobisomem era, afinal, o suspeito mais óbvio

Ao longo de toda a história, pairava um mistério sobre a população de Asa Branca: quem era o lobisomem que aparecia nas noites de lua cheia e atacava as mulheres da cidade? O principal suspeito é o professor Astromar Junqueira (Rui Resende), pelo seu ar sombrio e misterioso, mas o eterno apaixonado por Mocinha, conhecido pela sua veia oratória e pelo bordão “Posso penetrar?”, ia conseguindo evitar que o seu segredo fosse revelado. No último episódio, descobriu-se finalmente que Astromar era, de facto, o lobisomem, numa cena de transformação que terá certamente povoado os pesadelos do público mais pequeno.

5. A banda sonora tem grandes estrelas da música brasileira

Como era habitual nas novelas da Globo, vários cantores de renome, como Chico Buarque, Ivan Lins, Fafá de Belém ou Simone, participavam na “trilha” sonora, com músicas associadas às personagens. Nos links seguintes, pode ouvir algumas das que ficaram mais conhecidas:

Santa Fé, Moraes Moreira — tema de abertura
Roque Santeiro, Sá e Guarabyra — tema de apresentação da cidade de Asa Branca
Isso Aqui Tá Bom Demais, Dominguinhos com Chico Buarque — tema de Sinhozinho Malta
Dona, Roupa Nova — tema da Viúva Porcina
De Volta Pro Aconchego, Elba Ramalho — tema de Roque
Chora Coração, Wando — tema de Mocinha
Mistérios da Meia-Noite, Zé Ramalho — tema do Professor Astromar
A Outra, Simone — tema de Lulu
Cópias Mal Feitas, Alceu Valença — tema de Zé das Medalhas
Indecente, Anne Duá — tema de Matilde
Coração Aprendiz, Fafá de Belém — tema de Tânia

Por cá, Nuno da Câmara Pereira lançou a sua versão de De volta pró aconchego, de Elba Ramalho, e os Onda Choc transformaram o tema Roque Santeiro, de Sá e Guarabyra, em Vou pedir a Roque Santeiro, no seu álbum “Vem Dançar”.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Açores

O despertar da bela adormecida?

Maria João Avillez

E sobre isso, um véu de melancolia tão pesado e uma solidão tão desolada que moldaram os poetas, politicos e pintores que os Açores nos deram.