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Katy Perry

Katy Perry vs freiras. A batalha legal por um convento

A arquidiocese de Los Angeles quer vender o convento a Katy Perry, enquanto as freiras não querem que a propriedade vá para a cantora por "razões que deveriam ser óbvias vindas de irmãs católicas".

As duas freiras disseram: "Bem, eu encontrei a Katy Perry e os seus vídeos... e se me permite dizer, não fiquei nada satisfeita com o que vi

Getty Images

Duas freiras juntaram-se para impedir que o convento da sua ordem seja vendido à artista norte-americana Katy Perry. A batalha legal está a pôr a arquidiocese contra as freiras, que não querem que a propriedade vá para a cantora por “razões que deveriam ser óbvias vindas de irmãs católicas”.  

O convento, situado em Los Feliz, na Califórnia, estava desocupado desde que a Arquidiocese de Los Angeles recolocou as últimas cinco freiras residentes em 2011. A arquidiocese entrou então em negociações com a conhecida artista pop Katy Perry. Em causa está o valioso terreno do convento, com mais de 3 hectares e com vista para a baixa de Los Angeles e as montanhas de São Gabriel. “A Arquidiocese Católica Romana de Los Angeles tem estado em conversações com a estrela pop Katy Perry, que ouviu falar desta propriedade há três anos. Perry aceitou pagar à arquidiocese 14.5 milhões de dólares em dinheiro vivo”, lê-se no site da CBS de Los Angeles.

Mas as freiras não querem que vá para Katy Perry. Por isso, as irmãs Catherine Rose, de 86 anos, e Rita Callanan, de 77 anos, processaram a venda do convento a Katy Perry. A aversão pelas duas freiras é recente: “Bem, eu encontrei a Katy Perry e os seus vídeos… e, se me permite dizer, não fiquei nada satisfeita com o que vi”, garantiu a irmã Rita Callanan ao Times.

De modo a amenizar o conflito legal, Perry foi conhecer as irmãs no fim de junho, cantando-lhes o famoso hino cristão “Oh Happy Day” e mostrando-lhes a tatuagem de Jesus que tem no pulso. “Pode ter a certeza que os nossos dias não têm sido felizes desde então”, acrescentou a irmã Rita ao jornal Today.

Além disso, as freiras venderam a propriedade à programadora Dana Hollister, reclamando serem as verdadeiras proprietárias do terreno e não a arquidiocese. Não agradada, a arquidiocese processou a venda das freiras, anunciando em comunicado: “Infelizmente, a Arquidiocese teve de tomar uma ação civil para proteger a venda não autorizada da Sra. Hollister”.

O caso está agora nas mãos do juiz de Robert H. O’Brien do Supremo Tribunal do Condado de Los Angeles. O’Brien terá que decidir quem tem o direito de vender a propriedade, mas alguns detalhes no caso e os conflitos entre a lei civil e a lei canónica dificultam o veredito. As duas freiras alegam que a Arquidiocese mentiu-lhes repetidamente e tentou persuadi-las a vender a Perry.

Além disso, as irmãs Rita e Catherine Rose alegam que a arquidiocese desviou 250 mil dólares de Mr. Donohue, o dono da propriedade que morreu em 2014, e que falhou nas suas obrigações de restaurar a casa de retiro de padres. Em contrapartida, J. Michael Henning, advogado da arquidiocese, garante que o dinheiro foi investido em nome das irmãs.

Outro fator que pode influenciar o caso é o apoio que outras duas freiras do convento estão a dar ao negócio com Perry. A irmã Jean-Marie e a irmã Marie Christine Muñoz Lopez declararam apoio ao arcebispo. “Confiamos na nossa arquidiocese”, declarou a irmã Jean-Marie. As freiras que estão contra a venda a Katy Perry estranham a posição das suas colegas, afirmando que a irmã Jean-Marie sempre se mostrou contra a venda a Perry em privado e que a irmã Lopez estava sob a influencia de morfina quando fez a declaração.

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