Caso Lava Jato

Passos: Lula “nunca me veio meter nenhuma cunha”

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O primeiro-ministro português garante que Lula da Silva nunca lhe pediu para meter qualquer "cunha" ou para dar "um jeitinho" a favor da Odebrecht no processo de privatização da EGF.

Passos admitiu que se encontrou três vezes com Lula, mas este nunca lhe pediu para dar "atenção" à Odebrecht

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

“Para que todos percebam de forma direitinho: o ex-Presidente do Brasil nunca me veio meter nenhuma cunha para nenhuma empresa brasileira”. Garantia de Pedro Passos Coelho, que esta segunda-feira, à saída de um almoço-debate no Fórum de Administradores de Empresas, em Lisboa, foi confrontando com o mais recente desenvolvimento do “Caso Lava-Jato” – de acordo com o jornal O Globo, Lula da Silva terá pedido ao primeiro-ministro português para dar atenção aos interesses da Odebrecht na privatização da EGF.

Pedro Passos Coelho reconheceu que teve três reuniões com Lula da Silva, mas que em momento algum o ex-Presidente brasileiro fez qualquer pedido para privilegiar a construtora em detrimento de outras empresas no processo de privatização da sub-holding da Águas de Portugal. O primeiro-ministro português garantiu que o antigo chefe de Estado do Brasil nunca lhe pediu para “dar um jeitinho” no processo de privatização e recordou que a EGF acabou por ser vendida à portuguesa Suma sem que nem a Odebrecht ou qualquer empresa brasileira fosse a concurso.

Nos encontros entre Passos e Lula apenas terão sido abordados temas como a política nacional, as relações bilaterais e a União Europeia. No entanto, de acordo com telegramas diplomáticos trocados entre chefes de postos brasileiros no exterior e o Ministério das Relações Exteriores, entre 2011 e 2014 – divulgados no domingo – “as atividades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor do grupo Odebrecht no exterior foram além da contratação para proferir palestras”. Numa dessas reuniões, o ex-Presidente brasileiro terá reforçado “o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”.

Confrontado com o conteúdo do conjunto de telegramas, Passos reiterou que nem Lula, nem qualquer outro chefe de Estado ou de Governo lhe pediu “para prestar atenção dedicada” a esta ou aquela empresa.

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