Foi o apelo final. António Costa, já recuperado da voz, falou para os abstencionistas, e deixou para a artilharia pesada do partido o apelo dramatizado para aqueles que pensam votar no PCP, no BE e nos pequenos partidos.

“Para que o medo do sobressalto acabe, é preciso que de hoje até domingo ninguém desperdice a oportunidade de falar com familiares, amigos e até quem se sentado ao lado no café e dizer uma coisa muito simples: não podemos desperdiçar a oportunidade, pegar no voto que é a arma do povo e decidir com o voto e não deixar para ninguém nem para os jogos parlamentares nem para a vontade do Presidente da República a escolha de qual é o Governo que querem para Portugal“, pediu Costa.

No discurso final, Costa vincou as diferenças para o governo PSD/CDS. Foi uma das frases chavões para Costa: “Um novo Governo PS não seria igual a um governo de direita”. E porquê? “Não, não somos todos iguais”. E foi aí que deu o exemplo de políticas lançadas por Mário Soares (Serviço Nacional de Saúde), de Ferro Rodrigues (Rendimento Mínimo Garantido) e de políticas de José Sócrates, sem no entanto nomear o nome do ex-primeiro-ministro. “Não foi igual quandofez a escola a tempo inteiro e o Complemento Solidário para Idosos. Não foi igual à direita”, repetiu.

E se um Governo PS não seria igual, Costa frisou também as diferenças para Passos Coelho. Diz Costa que não será igual a Passos Coelho que “não cumpriu no governo o que prometeu na campanha. Não pediu desculpas na campanha desprezando a inteligência dos portugueses”. Costa deu ainda o exemplo de que o atual Governo “não passa um dia sem que seja desmascarado” e lembrou que “esconderam relatórios”, como o da emigração, que, garante, diz que saíram do país cem mil portugueses por ano.

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Mas também não será igual, porque se Costa for eleito será diferente a sua atitude na Europa. “A Europa tem de mudar” e para isso “temos de construir alianças” e não tentar mudar “unilateralmente”, disse, lembrando mesmo que indiretamente a atitude do Syriza, não foi aliás a primeira vez que o fez. E se será diferente do Syriza também será diferente de Passos Coelho que durante estes anos “Sempre que Schäuble disser mata ele diria esfola”.

E o ataque ao voto da “extrema-esquerda”

O ensaio de apelo ao voto à esquerda durou durante a última semana de campanha. E esta sexta-feira não foi excepção. Começou ao almoço com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e Ferro Rodrigues, e prosseguiu esta noite com Carlos César e Ana Catarina Mendes.

No comício da noite, o presidente do partido fez o apelo mais dramático ao voto da esquerda. Disse Carlos César que o voto disperso nos pequenos partidos só serve para manter a coligação PSD/CDS no Governo.

“A Catarina e o Jerónimo que nos perdoem, com certeza que são boas pessoas, o que interessa não é protestar, é governar. É vencer para mudar. Se não for o PS é a direita a governar. O voto no BE e no PCP é um voto emprestado à direita portuguesa. Votar no Jerónimo e na Catarina é votar no Pedro e no Paulo. Cada voto que cai na urna para Jerónimo e Catarina, é um alívio para os Portas e os Coelhos que nos governaram nestes 4 anos”, disse.

O apelo surgiu depois de César falar das sondagens “boas ou más, falsas ou verdadeiras” que “dão um empate ou uma ligeira vantagem à direita. “Só o voto dos indecisos e de outros em pequenos partidos é que decidirá. Com este empate, votar num pequeno partido é como falhar um penalti no ultimo minuto de um jogo”.

Antes tinha falado a candidata por Setúbal, Ana Catarina Mendes: “Não peço a ninguém para desistir, mas peço a todos que estão indecisos, os que acham que o seu voto vale para protestar, que não é tempo para brincadeiras, é o tempo para continuarmos o rumo da austeridade (…) ou o momento de virar a paginas e com António Costa poder dar de novo dar confiança aos portugueses”.

Na quinta-feira tinha sido Alegre a fazer o apelo e de manhã Fernando Medina.