Ranking Escolas 2015

Exames: rankings deveriam ter indicadores de felicidade

Há muitas vozes críticas que se levantam contra este género de classificação de escolas. Ou porque não indicam o grau de "sucesso" após o exame, ou porque apenas mostram notas e não desempenho.

PAULO NOVAIS/LUSA

O investigador Adalberto Dias de Carvalho defendeu que os rankings deveriam incluir indicadores de felicidade, harmonia e bem-estar proporcionado pelas escolas aos alunos e famílias.

O especialista em Filosofia da Educação lançou, assim, um repto à comunidade científica para se envolver neste estudo.

Os jornalistas lançaram esta matéria para o debate, têm esse mérito, mas não podem fazer tudo. Um estudo que falta fazer é o das consequências que estes rankings têm para a vida das escolas” e das comunidades, disse em entrevista à Lusa o investigador principal do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto.

Para Adalberto Carvalho, seria importante saber qual é a perceção que os professores, os pais e os avós têm dos resultados obtidos pela escola, “qual é o sentimento que a própria comunidade experimenta”.

Coordenador do Gabinete de Filosofia da Educação naquela instituição, o investigador defendeu ser cada vez mais importante incluir nesta avaliação critérios de felicidade e de formação integral para uma cidadania democrática.

Os rankings, disse, não devem ser só o reflexo de um “treinamento de alunos” para fazerem exames.

Pergunto-me se esses rankings medem aquilo que hoje em dia se considera muito importante em termos da evolução e do estado de desenvolvimento dos países que são os indicadores de felicidade dos alunos”, questionou.

O investigador considerou que do ponto de vista político tendem a interessar sobretudo os resultados, na medida em que “influenciam a imagem” dos atores políticos.

“Quando algumas críticas se fazem aos rankings, devemos questionar-nos sobre o que está a comunidade científica a fazer”, acentuou.

A questão, admitiu, é complexa, mas desafiante: “Carece de um estudo científico alargado, mas há meios para o fazer” ao nível dos instrumentos de aferição científica.

“Há indicadores que hoje em dia avaliam os índices de felicidade atingidos”, explicou, dando como exemplo a coesão social e na própria escola, a imagem que os alunos têm dos professores, se gostam dos docentes ou se os admiram e como se sentem dentro do estabelecimento de ensino.

A escola tem de “facilitar a integração dos alunos na sociedade”, argumentou, logo não pode assentar apenas num conceito de “meritocracia”.

O ranking que idealiza deve conter as várias dimensões da escola, permitindo às famílias avaliar “a harmonia da formação” que ali é ministrada.

É fundamental ir ver o que acontece depois das notas obtidas nos exames do secundário, quando falo de felicidade falo também na vida depois da escola e de realização, tanto pessoal como coletiva”, explicou.

“Há formas de treinamento para se obter uma boa nota no final do secundário, os melhores explicadores não são necessariamente os melhores professores”, alertou o investigador.

Adalberto Carvalho não tem dúvidas de que “o treinamento para obtenção de uma nota elevada” em exame – que vai depois posicionar as escolas no ranking, “não é a melhor forma de formar uma pessoa”.

Rankings avaliam qualidade dos alunos, não das escolas

Já o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas defende que os rankings avaliam a qualidade dos alunos que fazem exame e não o mérito ou a dinâmica das escolas.

“A elaboração de rankings pela comunicação social, com base em dados do Ministério da Educação, deixa de fora o contexto social com que as escolas trabalham como a participação dos pais, a formação e a capacidade para pagar explicações”, sublinhou o dirigente da ANDAEP, Filinto Lima.

“O que se percebe é que este instrumento de avaliação tem vindo a ser aperfeiçoado, mas está ainda longe do que seria desejável”, disse o responsável escolar, acrescentando que não tem memória de qualquer medida educativa inovadora baseada neste tipo de informação.

O importante, frisou, é “o valor acrescentado da escola para o aluno”. Como exemplo, citou um estudo da Universidade do Porto segundo o qual os alunos que saem do ensino público concluem mais rapidamente o ensino superior.

Ao olharem para estes rankings, os pais vão concluir que as escolas privadas são melhores, erradamente. Isto não é um ranking das escolas, é um ranking da qualidade dos alunos que frequentam essas escolas”, afirmou Filinto Lima.

Para Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), as escolas ficam com uma noção da posição em que se encontram com estas tabelas, mas é natural que os lugares cimeiros sejam ocupados pelos colégios, que trabalham normalmente num contexto mais favorecido.

Da mesma forma, entende as variações de posição conseguidas com poucos alunos, seja pela positiva ou pela negativa.

O responsável escolar considerou ainda que os exames no 4.º ano não fazem “sentido nenhum”, manifestando-se também favorável ao fim destas provas no 6.º ano de escolaridade.

Em termos gerais, observou que persistem as dificuldades em Português, Matemática, Física e Química e Biologia: “Não vejo grandes diferenças”.

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