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Yakuza First Floor: sushi de primeira, num primeiro andar

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Onde em tempos se trabalhou a seda, agora o material é outro, igualmente delicado: peixe cru. Saiba tudo sobre o novo Yakuza First Floor, que ocupa parte da antiga Real Fábrica das Sedas, em Lisboa.

Autor
  • Tiago Pais

Em Lisboa, cada vez que se fala em Yakuza a probabilidade de o assunto ser sushi é bastante superior à de se querer discutir a homónima organização criminosa — vulgo ‘máfia’ — japonesa. A culpa é de Olivier da Costa, outrora chef e atual restaurauteur, que batizou dessa forma o primeiro restaurante de sushi do seu (agora) vasto portfólio, em 2010. Começou por instalá-lo num pequeno centro comercial da Avenida da Liberdade, o Tivoli Forum, e transferiu-o, no ano seguinte, para junto de outra das suas casas, o Olivier Avenida. Aí se manteve em exclusivo até há pouco mais de uma semana, altura em que abriu portas o Yakuza First Floor, que vem ocupar o espaço deixado vago pelo Rota das Sedas, no (belíssimo) edifício da antiga Real Fábrica das Sedas, junto ao Rato.

Pode dizer-se com relativo grau de segurança que este novo Yakuza tem tudo para se tornar numa das melhores opções dentro do género em Lisboa. Eis cinco argumentos que sustentam essa afirmação.

1. O espaço é versátil

Como o nome deixa adivinhar, o restaurante fica num primeiro andar. Mas não é isso — ou antes, não é apenas isso — que o torna especial. A entrada faz-se tocando à campainha. Abre-se uma portinhola ao nível dos olhos, primeiro, e, uma vez identificado o cliente, a porta abre-se na totalidade. Lá dentro, o Yakuza tira partido das várias salas do espaço (como o Rota das Sedas já o fazia) criando ambientes distintos entre elas. E se as divisões interiores fazem lembrar, de imediato, outros restaurantes do grupo Olivier, pelos tons e pelo mobiliário, no pátio, onde se instalou um imponente sushi bar com balcão, salta à vista a ilustração de traço oriental colocada na cobertura. Tal como acontece em muitos restaurantes deste género, o dito balcão é mesmo a melhor opção para quem quer estar perto da ação. E vale a pena, porque…

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Os melhores lugares para quem quer aprender algo enquanto come.
(foto: © Tiago Pais / Observador)

2. … a equipa sabe o que faz

Isso é válido, em primeiro lugar, para quem está de faca na mão a cortar o peixe. Apesar de ter aberto o seu próprio restaurante há cerca de um ano, o chef Agnaldo Ferreira reedita aqui a parceria com Olivier, ele que já tinha sido responsável pela abertura do primeiro Yakuza, e que tem também no currículo uma passagem de vários anos por outra casa que marcou uma época em Lisboa neste género, o Estado Líquido. Agnaldo, que sabe da poda como poucos na capital, terá no também sushiman Alex Hatano, o seu braço-direito, já que não estará por ali com frequência. Mas pela amostra, e até ver, a diferença não se fará sentir.

3. O serviço é competente

Não é fácil dominar uma carta como a do Yakuza First Floor, composta por sete secções, descontando as sobremesas, que divide o sushi e sashimi entre tradicional e new style, que separa makizushi e gunkans dos demais, oferece tempuras, massas, saladas e que ainda junta a tudo isto quase uma dezena de propostas vindas da robata, a grelha japonesa. Mas a verdade é que — à imagem do que acontecia já nos anteriores Yakuza — o serviço é competente, sabe explicar cada prato, aconselhar os clientes e servir com rapidez assinalável.

4. Há vida (e comida) para além do sushi

Se é natural que o sushi seja o cartão-de-visita mais imediato do Yakuza First Floor, principalmente no que respeita aos criativos gunkans de autor e a alguns makis especialmente bem conseguidos, a verdade é que o restaurante tem algumas propostas interessantes fora deste campeonato. A começar nas entradas, como a salada Yakuza (8€), com pato confitado, funcho e laranja, ou os tacos Sacana (5€), de tártaro de peixe e acabar na grelha, com destaque, neste caso, para o tori no tebasaki, asinhas de frango picantes com flor de sal e lima (8€) ou para a obrigatória — nos restaurantes de Olivier — picanha de wagyu (23€) com flor de sal e molho ponzu de yuzu (um cítrico japonês).

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O taco Sacana (5€), recheado de tártaro de peixe. (foto: © Tiago Pais / Observador)

5. E a juntar a tudo isto um jardim japonês

É verdade. O jardim das traseiras, no piso térreo, uma das grandes mais-valias deste espaço, não foi esquecido. Está a ser transformado num jardim de inspiração japonesa, com pequenos lagos, passadiços e vegetação bem tratada. Nos meses mais quentes acolherá refeições e até lá servirá para compor a vista a quem escolher a zona do pátio, junto ao sushi bar. E que bela vista.

Nome: Yakuza First Floor
Morada: Rua da Escola Politécnica, 231 (Rato), Lisboa
Telefone: 93 400 0913
Horário: De terça a domingo, das 12h30 às 15h e das 19h à 00h.
Preço Médio: 50€
Reservas: Aceitam

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