A Entidade Reguladora da Saúde não só tinha conhecimento dos problemas no Hospital de São José ao fim de semana, como recomendou ao hospital, no passado mês de julho, que transferisse os doentes com rutura de aneurisma cerebral para outras unidades com possibilidades e condições para realizar o respetivo tratamento. Foi seis meses antes da morte de David Duarte, de 29 anos, que deu entrada no Hospital de São José na sexta-feira, dia 11 de dezembro, com uma rutura de aneurisma cerebral e tendo esperado até à segunda-feira a seguir por uma cirurgia.

Diz o Público que a recomendação partiu da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) quando confrontada com a incapacidade do hospital resultante da falta de equipas de especialistas de prevenção devido aos cortes nas horas extraordinárias. Por sua vez o que despoletou esta preocupação foi a publicação de uma notícia, em janeiro, relatando este mesmo problema. Apesar da recomendação, a ERS decidiu arquivar o respetivo inquérito por, entre outras coisas, o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) ter garantido que os casos de risco imediato de vida seriam resolvidos pelas equipas de neurocirurgia de urgência disponíveis 24 horas.

A notícia que despertou a atenção da ERS dizia, especificamente, que existiam doentes que davam entrada no Hospital de São José só a partir das 16h00 de sexta-feira com rutura de aneurisma cerebral, tendo que ficar à espera até à segunda-feira seguinte para serem submetidos a tratamento. Ora, a CHLC respondeu à ERS, em abril, confirmando que a prevenção aos fins de semana da neurocirurgia vascular estava suspensa desde 2014 e da neurorradiologia desde 2013. Sem estas equipas de prevenção a CHLC explicava que tinha decidido “manter os doentes sob ativas medidas de controlo clínico e terapêutico até ao tratamento específico do aneurisma”.

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