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Música Clássica. Os concertos para ver em 2016

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Há Bach. Há Satie. Há Verdi. E até há "O Senhor dos Anéis". Nos próximos meses vão ser muitos os espetáculos a não perder em Lisboa e no Porto. Veja quais são os dias que tem de reservar na agenda.

O mês de janeiro já está recheado de concertos, em Lisboa e no Porto

Andre Kosters/LUSA

A pouco e pouco, as orquestras e companhias de dança começam a regressar à normalidade. Passados os habituais concertos de Natal e de Ano Novo, repletos de valsas vienenses e polcas de bater o pé, começam a surgir as primeiras datas de 2016. A agenda de música clássica está bem recheada, e há muito por onde escolher. O Observador reuniu algumas sugestões, em Lisboa e no Porto. E prometemos que nenhuma delas inclui Strauss.

Porto

Depois do sucesso do Concerto de Natal, que esgotou com mais de mês e meio de antecedência, a Casa da Música do Porto regressa aos espetáculos com um evento especial de Dia dos Reis. Pela primeira vez desde a sua criação, em 2016, a Orquestra Barroca vai sair da Casa da Música e tocar no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, no Porto, no dia 6 de janeiro. Rui Pereira, editor de programação da instituição, explicou ao Observador que o concerto “é uma novidade” e que partiu de um convite da Associação Comercial do Porto. O reportório irá incluir “temas alusivos à epifania”. O espetáculo tem início marcado para as 21h30.

Apenas dois dias depois, a 8 de janeiro, a Orquestra Sinfónica do Porto, dirigida pelo britânico David Parry, irá apresentarUma noite na ópera italiana“, uma gala dedicada a alguns dos mais conhecidos compositores italianos. O reportório irá incluir árias de Gioachino Rossini, Vicenzo Bellini e Gaetano Donizetti. O concerto, marcado para as 21h, irá ainda contar com as atuações da meio-soprano Ezgi Kutlu e do tenor Barry Banks, presenças habituais nos grandes teatros líricos europeus e norte-americanos.

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No mês de janeiro, a Casa da Música terá um ciclo de espetáculos dedicado à música russa (JOSÉ COELHO/LUSA)

No âmbito do ciclo “Mãe Rússia”, a 15 de janeiro, a Casa da Música apresentará o espetáculo “Sagração Russa“, com a Orquestra Sinfónica do Porto e a violinista Viviane Hagner. O programa irá incluir o Concerto n.º 4 para violino e orquestra de Alfred Schnittke e a Sagração da Primavera, uma das mais famosas peças de Igor Stravinski.

Dois dias depois, a 17 de janeiro, será a vez de Vésperas, do compositor russo Sergei Rachmaninoff. Inspiradas por cânticos tradicionais, as Vésperas constituem uma das mais celebradas peças de liturgia do ocidente e são unanimemente consideradas uma das mais importantes obras-primas da música russa. A peça será interpretada pelo Coro da Casa da Música, fundado em 2009, que será dirigido pelo maestro Paul Hillier. O concerto está marcado para as 18h.

No Ciclo Piano Fundação EDP da Casa da Música, o grande destaque vai para Grigory Sokolov, um dos grandes pianistas russos da atualidade. Sokolov começou a sua carreira musical com apenas 12 anos, altura em que realizou o seu primeiro recital a solo em Moscovo. Quatro anos mais tarde, tornou-se no mais jovem vencedor do Concurso Tchaikovski, uma competição de música clássica que se realiza todos os anos na capital russa.

Desde a abertura da Casa da Música, em 2005, que Sokolov regressa a Portugal anualmente para participar no Ciclo de Piano. E sempre com um programa novo e com interpretações arrebatadoras. Para o concerto de 8 de março, o pianista escolheu três obras de Fryderyk Chopin: dois noturnos e uma sonata. O espetáculo irá decorrer pelas 21h, na Sala Suggia da Casa da Música. E promete ser inesquecível.

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A nova temporada da Casa da Música começa com um concerto do Dia dos Reis (João Manuel Ribeiro/Global Imagens)

Outro dos destaques do Ciclo Piano de 2016 é Alexander Romanovsky, o mais jovem vencedor de sempre do Concurso Internacional Busoni. Para a estreia na Casa da Música, o pianista decidiu combinar as vertentes mais líricas e épicas de dois dos grandes nomes do Romantismo: Ludwig van Beethoven e Robert Schumann. O concerto está marcado para o dia 12 de abril, às 21h, na Sala Suggia.

Lisboa

No Teatro Nacional de São Carlos, no Chiado, o novo ano irá começar com a ópera Dialogues des Carmélites, de Francis Poulec. Baseada no drama homónimo de Georges Bernanos, a peça conta a história de 16 carmelitas, executadas na Place de la Revolution a 17 de julho de 1794 por crimes contra o povo francês. A ópera, unanimemente reconhecida como uma das obras-primas da música clássica moderna, subirá ao palco do teatro lisboeta nos dias 3 e 5 de fevereiro, às 20h, e a 7 de fevereiro às 16h.

No mês seguinte, será a vez de Iphigénie en Tauride, uma tragédia em quatro atos do alemão Christoph Willibald Gluck. A ópera, com libreto de Nicolas-François Guillard, centra-se na figura mitológica de Efigénia, filha mais velha de Agamémnon e irmã de Orestes, personagem principal da tragédia grega Oresteia, de Ésquilo. A peça será apresentada nos dias 5, 7, 9 e 11 de março, às 20h, e a 13 de março às 16h.

Em maio e em junho, já perto do final da temporada, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa irão interpretar duas peças do compositor italiano Giuseppe Verdi. Nos dias 5 e 7 de maio, às 20h, será apresentada Messa da Requiem e, entre os dias 9 e 11 de junho, o drama lírico Nabucco, sobre o rei Nabucodonosor da Babilónia.

A 7 de janeiro, o Centro Cultural de Belém irá receber o recital de piano “SATIE.150”, de Joana Gama, que pretende assinalar os 150 anos do compositor e pianista francês Erik Satie. Para além de obras de Satie, o alinhamento do espetáculo irá incluir peças de outros autores, como John Cage, John Adams ou Alexander Scriabin, que com ele partilham o mesmo gosto pela desformalização da música.

O concerto, marcado para as 21h, será o primeiro de uma série de 12 recitais que serão realizados pela pianista em vários pontos do país. A seguir a Lisboa, Joana Gama irá seguir para o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Pode consultar o calendário completo de “SATIE.150” aqui.

Swedish soprano Paulina Pfeiffer (Front) performs during a full dress rehearsal of the Opera "A Flowering Tree" at the Chatelet theater on May 2, 2014 in Paris. The Opera by composer John Adams and staged by Indian director and screenwriter Vishal Bhardwaj, is inspired by a southern Indian folk tale describing the trials and tribulations of a young couple to demonstrate the power of love. It shows through May 5 - 13, 2014 at the Chatelet theater in Paris. AFP PHOTO / PIERRE ANDRIEU (Photo credit should read PIERRE ANDRIEU/AFP/Getty Images)

O CCB irá receber a ópera “A Flowering Tree”, do compositor John Adams (PIERRE ANDRIEU/AFP/Getty Images)

Exatamente um mês depois, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo maestro Garry Walker, e o grupo vocal Voces Caelestes irão apresentar, em estreia absoluta, o Concerto para violino de António Pinho Vargas, uma encomenda do Centro Cultural de Belém. O concerto, marcado para as 17h, irá ainda incluir a Sinfonia n.º 9 de Beethoven, um clássico que vale sempre a pena voltar a ouvir.

No mês seguinte, a 13 de março, a Orquestra de Câmara Portuguesa irá interpretar as últimas três sinfonias de Mozart: a Sinfonia n.º 39 em Mi bemol Maior, a Sinfonia n.º 40 em Sol menor e a Sinfonia n.º 41 em Dó Maior. O concerto acontecerá pelas 17h de domingo, no Grande Auditório do CCB.

Nos dias 6 e 8 de abril, será a vez de A Flowering Tree, do compositor norte-americano John Adams. A ópera em dois atos é inspirada num conto do sul da Índia sobre um jovem casal de apaixonados. Os concertos da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, com coprodução da Göteborg Opera, do Teatro Comunale di Bolzano e do Chicago Opera Theatre, estão marcados para as 20h. Os músicos serão dirigidos pela maestrina Joana Carneiro.

A pensar nos fãs de J.R.R. Tolkien, a Fundação Calouste Gulbenkian irá começar o novo ano com a projeção do filme O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel, com música ao vivo a cargo do Coro e Orquestra Gulbenkian. O filme de Peter Jackson será projetado em duas sessões às 20h, a 8 e 9 de janeiro.

No final do mês, o Grande Auditório da Gulbenkian irá receber o pianista polaco-húngaro Piotr Anderszewski, já familiarizado com as paisagens portuguesas. No dia 31 de janeiro, Anderszewski irá interpretar peças de Johann Sebastian Bach, Robert Schumann e Béla Bartók. O concerto está marcado para as 19h. Poucos dias depois, será a vez de a Orquestra Gulbenkian apresentar obras dos russos Sergei Rachmaninoff e Igor Stravinsky, dois dos mais importantes compositores do século XX, e da finlandesa Kaija Saariaho.

No dia 14 de fevereiro, irá decorrer no âmbito do ciclo dos “concertos de domingo” uma das novidades desta temporada — os concertos de São Valentim. Os espetáculos, marcados para as 11h e para as 16h, irão incluir algumas das peças mais conhecidas de Mozart, Tchaikovsky, Giuseppe Verdi ou Pietro Mascagni.

Ensaio da Orquestra Gulbenkian

Uma das novidades desta temporada são os concertos de São Valentim da Orquestra Gulbenkian (Leonardo Negr‹o/Global Imagens)

Em março, a propósito do ciclo “grandes intérpretes”, subirá ao palco do Teatro Maria Matos a ópera L’Autre Hiver, de Dominique Pauwels, inspirada na relação turbulenta dos poetas “malditos” Arthur Rimbaud e Paul Verlaine e com personagens que surgem apenas em vídeo. A música estará a cargo do Coro Gulbenkian. A peça será apresentada em duas sessões, a 11 e 12 de março, ambas marcadas para as 21h30.

Também em março, por altura da Páscoa, a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro Michel Corboz, irá interpretar, nos dias 22 e 23 de março, a obra Paixão segundo São João, do mestre barroco Johann Sebastian Bach. Os concertos estão marcados para as 19h.

Para os apaixonados do piano, nos dias 7 e 8 de abril, às 21h e às 19h, respetivamente, o pianista Artur Pizarro irá tocar peças de Franz Liszt, Frédéric Chopin, Modest Mussorgsky e Maurice Ravel. O músico será acompanhado pela Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro Michael Nesterowicz.

Em maio, o Teatro Camões, a casa da Companhia Nacional de Bailado, irá receber, em estreia mundial, o bailado Romeu e Julieta, inspirado na famosa peça de William Shakespeare. Com coreografia de Rui Horta, música de Bruno Pernadas e figurinos de Ricardo Preto, o bailado estará patente no teatro do Parque das Nações nos dias 29 e 30 de abril, às 21h, 13 e 14 de maio, também às 21h, e 8 e 15 de maio, às 16h.

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