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Ataques em Colónia

Colónia: 18 suspeitos pediram asilo na Alemanha, chefe da polícia dispensado

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18 das de 31 pessoas detidas na noite de Ano Novo em Colónia (Alemanha) são requerentes de asilo, mas nenhum é suspeito de assédio sexual. O chefe da polícia local foi dispensado.

"Não devemos bater nas mulheres, nem com flores", lê-se num ramo deixado no largo onde aconteceram os ataques na Colónia

ROBERTO PFEIL/AFP/Getty Images

Atualizado às 21h54

A polícia alemã já identificou pelo menos 31 pessoas que podem ter estado envolvidas nos ataques em Colónia na noite da passagem de ano, noticiou a BBC. Entre eles estão 18 requerentes de asilo na Alemanha — nenhum deles, contudo, é acusado de assédio sexual. Wolfgang Albers, o chefe da polícia de Colónia, foi dispensado, depois de ter sido criticado pela ausência de resposta às situações de violência verificadas na cidade.

A demissão de Wolfgang Albers foi confirmada pelo ministro do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestefália, que inclui a cidade de Colónia. “Este passo é importante para que a confiança das pessoas na capacidade de ação da polícia de Colónia possa ser restituída”, afirmou Ralf Jäger, que acrescentou que Wolfgang Albers mostrou “uma grande capacidade de compreensão” face à decisão tomada.

Uma das vozes mais críticas da atuação da polícia local foi a do autarca daquela cidade do Oeste alemão, que acusou Albers de não lhe dar a informação necessária atempadamente: “Não posso aceitar o facto de, enquanto presidente da câmara desta cidade, ficar a par de informações pelos media, especialmente no que diz respeito às origens das pessoas que estão a ser investigadas”.

Em declarações ao The Guardian , uma testemunha de alguns dos incidentes daquela noite corrobora as críticas à inação da polícia: “Parece que queriam deixar tudo acontecer. Eu vi homens a rebentar fogo-de-artifício contra as pessoas e a polícia simplesmente num lado da praça a olhar com as mãos na cintura.”

As vítimas e testemunhas dos ataques referiram que os agressores teriam origem árabe ou do norte de África. E, de facto, entre os suspeitos estão nove argelinos, oito marroquinos, quatro sírios, cinco iranianos, um iraquiano e outro sérvio, mas também dois alemães e um norte-americano, disse o porta-voz do ministro do Interior, Tobias Plate.

A polícia de Colónia recebeu, em relação aos ataques no largo em frente à estação central de comboios, 170 queixas, das quais 117 são agressões sexuais – duas delas de violação. Há 21 pessoas a serem investigadas por agressões sexuais nessa noite – nenhuma, contudo, foi identificada como sendo requerente de asilo.

Um órgão de comunicação alemão, citado pela BBC, referiu que a polícia terá encontrado no bolso de um dos suspeitos frases em árabe, com tradução em alemão, como “belas mamas”, “vou-te matar”, “quero ter sexo contigo”.

O ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, disse esta quinta-feira que os requerentes de asilo que sejam condenados a um ou mais anos de prisão, por qualquer tipo de crimes, serão deportados ao abrigo das leis existentes e “independentemente da sua origem”, citou o Funke Media Group.

A polícia alemã prendeu entretanto quatro sírios, de idades compreendidas entre os 14 e os 21 anos, suspeitos de violar duas jovens, na noite de passagem de ano, na cidade de Weil am Rhein, no sul da Alemanha. Apesar disso, a polícia não acredita que este caso esteja relacionado com os ataques de Colónia.

Semelhantes à situação de Colónia poderão ser os ataques em Hamburgo, Estugarda, Finlândia, Áustria e Suíça. Em Helsínquia (Finlândia) a polícia recebeu informação de que grupos de requerentes de asilo estariam a planear assediar sexualmente mulheres na noite da passagem de ano. Foram detidos três requerentes de asilo.

A chanceler alemã Angela Merkel comentou os ataques, dizendo:

O que as mulheres sentiram neste caso, a sensação de estarem à mercê das pessoas sem qualquer proteção, também é intolerável para mim, pessoalmente. Portanto é importante que tudo seja colocado em cima da mesa (…). Temos também de continuar a falar sobre a nossa coexistência cultural na Alemanha e o que as pessoas esperam e com razão é que às palavras se sigam as ações”

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