David Bowie não resistiu a um cancro e morreu dois dias depois de celebrar o 69.º aniversário e de lançar o último álbum Blackstar, confirmou esta segunda-feira a Sky News junto do agente do cantor. Morreu uma lenda.

No Facebook oficial do britânico foi publicada uma mensagem a informar o ocorrido onde se revela que “David Bowie morreu pacificamente hoje rodeado da família depois de uma luta corajosa de 18 meses contra o cancro”, pedindo-se respeito pela privacidade da família “neste momento de dor”. Também o filho Duncan Jones confirmou a notícia através do Twitter: “Lamento muito e é triste dizer que é verdade. Vou estar offline por uns tempos. Amor para todos”.

As reações à morte de Bowie começam a surgir nas redes sociais. O próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron diz que resceu “a ouvir e a ver o génio da pop David Bowie. Ele era um mestre da reinvenção, que continuava a acertar. Uma enorme perda”.

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David Bowie nasceu David Robert Jones a 8 de janeiro de 1947, no sul de Londres. Segundo a biografia na sua página oficial, aos 13 anos deixou-se inspirar pelo jazz londrino e arranjou um saxofone para pedir aulas a Ronnie Ross, uma referência com aquele instrumento, que morreu em 1991. A influência do irmão terá sido determinante, segundo o www.biography.com: Terry terá mostrado ao irmão nove anos mais novo o mundo da música e o poder da Beat Generation, na qual escritores como Jack Kerouac falavam sobre experimentar tudo e mais alguma coisa, combatendo a apatia e o status quo que cantarolava na sociedade.

No início da aventura, Bowie tocou com The Kon-Rads, The King Bees, the Mannish Boys e the Lower Third. Foi em 1966, com o cabelo e ambições compridas, que vestiu a personagem que hoje nos deixa. Essa década de 60 foi muito rica para o britânico, que abriu os horizontes e as vistas, vivendo várias experiências na música, cinema e budismo. E amor, escrevem no seu site. Os 60s fechariam em beleza, com o primeiro grande hit do artista: “Space Oddity” (1969). Essa música foi inspirada pelo filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick e ganharia um impacto brutal no público quando a BBC a colou à aterragem do Apolo 11 na lua.

O primeiro álbum, The Man Who Sold The World, chegou em abril de 1971. Para quem teve alarmes a soar agora na mente, sim: a tal famosa música dos Nirvana foi, em primeiro lugar, de David Bowie. Esse foi um ano especial para o cantor, que ainda se estreou a atravessar o Atlântico para promover o seu trabalho, assim como viu o nascimento do filho, Duncan Zowie Haywood Bowie. A mãe era Angela Barnett, uma americana com quem casou em março de 1970 — acabariam por divorciar-se dez anos depois.

O camaleão continuaria a trabalhar, e muito. Em 1971 lançaria Hunky Dory, um ano depois The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars e por aí fora… A sério: Aladdin Sane (1973), Pin Ups (1973), Diamond Dogs (1974), Young Americans (1975), Station to Station (1976), Low (1977), Heroes (1977), Scary Monsters (1980), Let’s Dance (1983), Tonight (1984), Never Let Me Down (1987), Tin Machine (1989), Tin Machine II (1991), Black Tie White Noise (1993), Outside (1995), Earthling (1997), Hours (1999), Heathen (2002), Reality (2003), a surpresa The Next Day (2013) e, finalmente, Blackstar (2016).

Em 2004, David Bowie viveu um grande susto em palco, na Alemanha, ao sofrer um ataque de coração. Após a recuperação, o britânico trabalhou com os Arcade Fire e com Scarlett Johansson, no álbum da atriz Anywhere I Lay My Head, de 2008, que era uma coletânea de versões de Tom Waits.

Os milhões de fãs, as muitas músicas e álbuns, a atitude, as transformações e cambalhotas camaleónicas valeram-lhe duas senhoras distinções: o Hall of Fame do Rock n’ Roll em 1996 e um Grammy de carreira em 2006. Para a sua enorme influência, não só musical mas estética, não há galardão. Mas há um legado que faz de David Bowie uma das últimas grandes lendas da música.

Na passada sexta-feira fez 69 anos e lançou Blackstar. Sobre o disco escrevemos que se distinguia “pelas texturas intrincadas com que Bowie expõe um certo lado negro, bizarro e cativante”. Não se sabia do estado de saúde do britânico. Talvez agora quem escutar as letras de canções como “Dollar Days” ou “Lazarus” (cujo vídeo foi lançado na sexta-feira) se dedique a fazer novas leituras.

“Look up here, I’m in heaven
I’ve got scars that can’t be seen
I’ve got drama, can’t be stolen
Everybody knows me now

This way or no way
You know I’ll be free
Just like that bluebird
Now, ain’t that just like me?

Oh, I’ll be free
Just like that bluebird
Oh, I’ll be free
Ain’t that just like me?”