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Zika

OMS alerta que o vírus zika pode ser uma ameaça global maior do que o ébola

Especialistas receiam o rápido aumento de doentes em diversas regiões do mundo, mas reconhecem a dificuldade em produzir uma vacina para combater o vírus.

O mosquito Aedes é responsável pela transmissão do vírus zika

Getty Images

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou este sábado que o surto de zika na Ámerica Latina pode ser uma ameaça global maior do que o ébola, que chegou a matar mais de 10 mil pessoas no continente africano em 16 meses, entre 2014 e 2015. A afirmação foi feita por diversos especialistas em saúde convocados pela organização para uma reunião de emergência esta segunda-feira para decidir se a situação será classificada como “crise global de saúde”, segundo conta o jornal The Guardian.

“A maioria dos portadores do vírus são assintomáticos. É uma infecção silenciosa para um grupo de indivíduos altamente vulneráveis – as mulheres grávidas – e está associada a um resultado horrível para seus bebés”, justificou Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust.

Mike Turner, chefe do departamento de Infecção e Imunobiologia do Wellcome Trust, concorda com a declaração ao lembrar que ainda não existe vacina para o vírus zika, numa altura em que laboratórios já estarão a testar algumas soluções no combate ao ébola. “O verdadeiro problema é que tentar desenvolver uma vacina que teria de ser testada em mulheres grávidas é um pesadelo dos pontos de vista prático e ético”, afirmou.

Farrar alerta, ainda, para a facilidade que o mosquito Aedes tem em reproduzir-se. “[O mosquito] ama a vida urbana e espalhou-se por toda a faixa tropical do planeta, e é claro que a faixa está a expandir-se como efeito do aquecimento global”, assegura. A OMS, no entanto, relatou esta sexta-feira que, apesar de o risco de importação do vírus Zika na Europa ter aumentado, a possibilidade de propagar-se pelo continente durante o inverno permanece “extremamente baixa”.

“Apesar de os mosquitos Aedes estarem presentes em vários países europeus, sobretudo na área mediterrânica, as atuais condições climáticas não são apropriadas para a sua atividade”, assinalou em comunicado o gabinete regional europeu do organismo.

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