Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo com frio e estilo “Obama à portuguesa”

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O espetáculo oferecido pela autarquia de Lisboa ao Presidente da República contou com sete atuações e foi longo demais para o frio que se fazia sentir. Mas nem isso demoveu os fãs... de Marcelo.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O dia de Marcelo já ia longo, mas para o público que acorreu à Praça do Município, a noite estava a começar. E as vozes a aquecer. Aqui e além, para lá das grades que demarcavam a zona da plateia sentada, ouvem-se gritos: “Mar-ce-lo, Mar-ce-lo, Mar-ce-lo!”

O recém-empossado Presidente da República era a cara do cansaço quando assomou ao varandim dos Paços do Conselho ladeado por Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML). O autarca da capital agradece a presença de Marcelo Rebelo de Sousa “na varanda onde um dia foi proclamada a República”. E está dada a ordem de partida para um espetáculo longo e um pouco desarticulado, mas não o suficiente para se tornar enfadonho.

Mariza já estava em palco e abriu o espetáculo a cantar “A Portuguesa”. A fadista cantava com uma voz algo trémula, mas isso não impediu o Presidente da República de se mostrar emocionado, nem de a acompanhar. Após o hino, Marcelo e Medina descem, atravessam o palco e tomam os lugares de honra na primeira fila em frente ao palco, na plateia sentada, rodeados por crianças da freguesia de Santa Clara, em Lisboa.

Ouve-se “Ó gente da minha terra” e Mariza desce do palco para saudar Marcelo de Rebelo Sousa. É assim que sai de cena a primeira das sete atuações da noite.

Segue-se um compasso de espera de alguns minutos, que se repetiu entre todas as performances e se estendeu a toda a cerimónia, fazendo prolongar a noite fria. A cada pausa, o apresentador Júlio Magalhães — durante muitos anos o parceiro de Marcelo nos seus comentários na TVI — convidava a audiência a assistir a alguns dos momentos marcantes da tomada de posse, que passavam nos ecrãs gigantes situados à direita e esquerda do palco. Uma forma de não deixar quem assistia esquecer que a estrela mais brilhante do espetáculo era Marcelo.

A temperatura estava abaixo dos dez graus e muitos dos que estavam sentados na plateia colocavam as mantas verdes e vermelhas pelos joelhos (cortesia da CML), mas quem estava de pé ao frio e a tiritar não tinha intenção de arredar pé.

“Se me vai perguntar se votei Marcelo, votei sim senhor! Gosto muito dele e estou a gostar muito do espetáculo!”, disse uma espectadora entusiástica ao Observador. Apenas uma das muitas pessoas que não faltou à chamada e aderiu à iniciativa da autarquia para homenagear o Presidente de República.

Paulo de Carvalho entrou de seguida e cantou uma das canções que foi senha do 25 de abril de 1974, “E depois do adeus”. Os mais velhos do público cantam também, as crianças saltam, agitam-se entre as cadeiras e aproveitam todas as oportunidades para pedir autógrafos, beijinhos e abraços a Marcelo Rebelo de Sousa.

Os jovens, em especial um grupo estridente de raparigas, não tardam a saltar também: é a vez de Diogo Piçarra cantar e as fãs não moderam os gritos de entusiasmo. O cantor atento às seguidoras alerta que “isto vai ser curtinho” e aproveita para deixar o convite “também ao senhor Presidente” para o seu próximo concerto.

Passa uma hora do início do espetáculo quando o grupo HMB entra em cena e põe toda a gente a dançar para aquecer. As mantas ainda andam por ali, mas mais em cima das cadeiras do que das pernas. A diversão é muita, a segurança vê-se mas não se sente e quase nos esquecemos que estamos a escassos metros do mais alto representante da nação. A política de Marcelo em relação à proximidade parecer ser “dar para receber”.

A animação continua com o medley de José Cid, que põe miúdos e graúdos a cantar com ele e de, seguida, Pedro Abrunhosa, que convida os mais pequenos a saltarem para o palco. Já não se dança, salta-se. Fernando Medina e Marcelo Rebelo de Sousa incluídos. O público mais afastado do palco vibra também, mas olha com a expressão de quem nunca viu nada assim.

“Até parece o Obama, mas à portuguesa, assim à pobrezinha,” comenta-se na audiência. O adjetivo não foi dito num tom depreciativo e a frase era um elogio. Apesar da noite escura, as cadeiras brancas da plateia lembravam uma cerimónia nos jardins da Casa Branca. E o estilo festivo, mas não forçado, do espetáculo e, sobretudo, a disponibilidade e boa disposição do Presidente da República fez com que alguns recordassem a festa de tomada de posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Finalmente, o apresentador anuncia a “cabeça de cartaz”: Anselmo Ralph. Muitos jovens anseiam pela atuação do cantor angolano, mas não esquecem porque estão ali e aproveitam a pausa para o relembrar.

“An-sel-mo, Mar-ce-lo, An-sel-mo, Mar-ce-lo, An-sel-mo, Mar-ce-lo!”, gritam. Não rima, é certo. Mas um grupo de jovens na lateral à direita do palco achou graça ao trocadilho da aliteração e repetiu-a até ver surgir o seu ídolo em palco.

Anselmo Ralph cantou, encantou e até dedicou o êxito “A única mulher” a Marcelo: “se tivesse sido eleita uma mulher era a única, mas como foi o senhor é ‘o único homem'”, disse o cantor.

A simpatia do cantor para com o Presidente da República levou-o até a tropeçar e cair nas escadas do palco. “Já devia saber que isto ia acontecer,” brincou Anselmo Ralph aludindo à famosa queda que Pedro Abrunhosa deu num programa de televisão.

O cantor falhou o degrau porque “não podia dar as costas ao Presidente”, explicou no final aos jornalistas. O momento rapidamente foi parodiado na Internet.


“Nem no Porto faz tanto frio!”, confessa Júlio Magalhães quando pega na deixa para encerrar o espetáculo, convidando os artistas, e também Marcelo e Medina, a subirem ao palco.

O Presidente da Câmara de Lisboa dá por encerrada a cerimónia de homenagem com a entrega de uma imagem de Santo António, padroeiro da capital ao novo chefe de Estado.

No final do espetáculo, Marcelo Rebelo de Sousa disse aos jornalistas que a iniciativa do autarca tinha “ultrapassado as suas expectativas”, mas que agora “tinha direito a descansar um bocadinho”.

Marcelo gostou e não foi o único. “Isto é que foi uma boa forma de homenagear a proximidade com o povo” disse um dos espetadores em jeito de avaliação. “É mesmo o campeão das selfies”, disse outra espetadora acerca do Presidente da República, como que a confirmar que Marcelo Rebelo de Sousa não tinha sido ofuscado pelas outras estrelas da noite.

Veja alguns momentos do espetáculo na fotogaleria acima.

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