Kugan Tangiisuran. É malaio, de Penang, filho de uma família de poucos recursos, e tinha um sonho. Há mais de duas décadas, quando Kugan tinha apenas oito de idade, foi despedir-se do pai, que ia viajar, ao aeroporto da cidade natal, o Penang International Airport. Acabou por mal se despedir dele, porque pela primeira viu um avião a dois passos de si e não mais recuou na sua decisão de se tornar piloto.

Estudou, terminou o liceu, mas quando era altura de entrar para uma academia área não o conseguiu fazer porque a família não tinha recursos para o inscrever lá. “Acabei por estudar gestão hoteleira e trabalhar durante vários anos em hotéis de Penang”, recordaria Kugan Tangiisuran.

Nove anos. Só ao fim de nove longos anos é que Kugan conseguiu entrar para uma companhia aérea, a AirAsia, mas não para ser piloto. O cargo que lhe ofereciam era o de estafeta. E Kugan aceitou-o, na esperança de um dia subir (literalmente “subir”, nos ares) no gigante da aviação malaio.

Em 2013 conseguiu tornar-se aprendiz de piloto, depois de passar com sucesso nos testes de aptidão, mas a política interna da empresa obrigava a que os alunos tivessem pelo menos dois anos de experiência noutras academias aéreas. Se Kugan desistiu? Não, nem pensar.

No final do ano passado, tantos anos depois de ter visto um avião de perto pela primeira vez em Penang, tornou-se mesmo piloto. Ou melhor, co-piloto da AirAsia. Para o conseguir teve que entrar para a Asia Pacific Flight Training, reprovar não uma, não duas nem três, mas onze vezes nos testes (até aí Kugan Tangiisuran nunca tinha tido formação técnica em pilotagem), até que passou no teste final com louvor e distinção.

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