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DS 4 Crossback 1.6 BlueHDi de 120 cv. Quem não tem cão…

...caça com gato, diz a sabedoria popular. E foi precisamente isso que a DS fez: pegou no DS 4 e vestiu-o com uma indumentária à imagem dos SUV. Não é um crossover, é certo, mas dá ares.

Autor
  • Francisco António
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A DS, a mais jovem marca do Grupo PSA, em companhia da Citroën e Peugeot, faz questão de se fazer representar nos segmentos do mercado comercialmente mais significativos, entre os quais, o dos SUV e crossovers, precisamente aquele que tem vindo a protagonizar as maiores subidas, nos últimos anos. Como ainda não dispõe de uma proposta do género, concebida de raiz, a marca francesa decidiu avançar com o que já possui, passando a disponibilizar uma variante mais “musculada” de um modelo já existente, o DS 4.

Vestida não apenas com uma cor específica, um Laranja Tourmaline (500€) com aplicações a negro, o modelo exibe praticamente todos atributos que contribuem para a identificação dos Sport Utility Vehicle: maior altura ao solo (mais 3 cm), protecção em plástico nas cavas das rodas, pára-choques com decoração específica a imitar protecções inferiores, barras no tejadilho cromadas, além de umas jantes em preto, mas de 18″, equipadas com uns inesperadoss – por se tratarem de pneus orientados para a performance e não para aventuras fora de estrada – Michelin Pilot Sport 225/45R 18.

A mesma abordagem pouco identificada com o ambiente offroad marca o interior deste Crossback, com o modelo a exibir um ambiente em tudo idêntico ao dos restantes irmãos DS 4, preferindo, tal como estes, afirmar-se pelo cuidado na qualidade da construção e dos materiais, assim como através de um equipamento de série bastante completo, onde não falta sequer a hoje em dia muito valorizada componente tecnológica e de infoentretenimento. Argumentos que contribuem para justificar os cerca de 33 mil euros.

Ainda no interior, a mesma posição de condução mais elevada mas muito confortável, claramente a favorecer a visibilidade e o acesso à generalidade dos comandos a partir de um banco revestido a couro e alcântara, com bom apoio lateral e todas as regulações possíveis, até a função massagem. A isto junta-se o já conhecido (por exemplo, do Picasso) pára-brisas panorâmico, óptimo argumento pela luminosidade que traz ao habitáculo, só não ajudando à fraca visibilidade para trás – muito dependente dos sensores de estacionamento traseiros.

Chic, é claro

Proposto, a exemplo dos restantes DS 4, em três níveis de equipamento – Be Chic, So Chic e Sport Chic -, sendo que o terceiro e o mais sofisticado só está disponível com o 2.0 BlueHDi de 180 cv, o Crossback conta, na versão intermédia que tivemos oportunidade de ensaiar, com um lote de soluções de segurança e conforto já apreciável.

Soluções de segurança e conforto

De destacar o controlo electrónico de estabilidade, o controlo de tracção inteligente com sistema de ajuda ao arranque em plano inclinado, airbags frontais/laterais/de cortina, regulador/limitador de velocidade programável, detecção indirecta de pneu vazio, travão de estacionamento eléctrico, volante em cabedal regulável em altura e profundidade, detector de chuva com limpa pára-brisas automático, acendimento automático dos faróis, retrovisor interior electrocromático, faróis de halogéneo de óptica dupla e luzes diurnas, assinatura luminosa tipo boomerang (à frente e atrás), pára-brisas panorâmico, bancos traseiros rebatíveis 1/3 e 2/3, e apoio de braços à frente.

Como opcionais e muito recomendáveis, surgem dois packs: Conectividade (sistema de navegação no ecrã táctil multifunções + DS Connect Box), por 800€, e Style (acresce ao anterior câmara de marcha atrás com sistema de ajuda ao estacionamento, sistema de acesso mãos livres e DS LED Vision), com um custo extra de 2.000€.

Portinhas traseiras

No DS4 é impossível não referir as portas traseiras, muito pequenas e a requererem atenção no manuseamento devido ao seu formato em bico que, ao abrir, podem embater no peito dos mais desprevenidos. Estes, doridos da experiência, têm ainda de lidar com um acesso especialmente complicado, por ser mais estreito e mais baixo, terminando num assento mais alto. Uma vez instalados no interior, convence o bom espaço disponível à frente e o menos bom atrás, onde nem os vidros das portas abrem. A bagageira oferece uma capacidade inicial de 359 litros, mas que, mediante o rebatimento (60/40) das costas, pode mesmo chegar aos 1.021 litros.

Igualmente em linha com a vocação familiar, apesar do aspecto mais aventureiro, o desempenho dinâmico deste DS 4 Crossback é no fundo em tudo idêntico ao das restantes variantes mais “citadinas” e a privilegiar claramente o conforto. Não esconde sequer alguma propensão para um certo adornar da carroçaria em trajectos mais sinuosos e a velocidades um pouco mais elevadas, consequência, também, da já referida maior altura ao solo, que, a juntar aos pneus de estrada, encontra a sua verdadeira utilidade numa ou outra saída por estradões de terra.

Sem a capacidade de recorrer a qualquer sistema de tracção integral, como é vulgar neste segmento, o Crossback pode recorrer a uma caixa automática de seis velocidades que, além de suficientemente rápida, conta com dois modos de funcionamento alternativos: o Sport, destinado a momentos de condução mais aplicada mas com o qual a intensidade do propulsor pouco muda, não contando sequer com a emoção acrescida de patilhas no volante (utilizável apenas com recurso à não muito prática manche), e o modo Inverno, no qual a transmissão procura dar mais atenção à tracção. Mas que, em termos de desempenho, para pouco mais serve do que para pisos molhados em alcatrão…

Motores a diesel, pois claro

Ágil e sem nunca perder de vista a segurança, mesmo com uma direcção algo vaga e de pouco feedback (limitação de que padece igualmente a travagem, embora esta mostrando-se eficaz), na base da boa resposta no trânsito citadino está o 1.6 BlueHDi 120. Esta unidade que, não sendo propriamente um poço de emoções (anuncia 193 km/h mas 12,5 segundos para ir dos 0 aos 100 km/h), é uma solução competente pela elasticidade que evidencia nos regimes iniciais e intermédios. Tem ainda um bom argumento nos consumos, confirmados pela média 6,5 litros que obtivemos, para o que muito contribuiu em cidade a acção do sistema Stop&Start.

Procurando conquistar público num segmento movido, basicamente, a diesel, o C4 Crossback alinha, neste aspecto, com aquela que é a tendência geral, disponibilizando, para além do 1.6 BlueHDI de 120 cv ensaiado, proposto por valores a partir de 29.347€(o So Chic com caixa automática que conduzimos é proposto por 33.100€), este SUV da DS oferece ainda o 2.0 BlueHDi de 180 cv, que anuncia uma velocidade máxima de 205 km/h e 9,3 s dos 0 aos 100 km/h, exigindo em troca 39.894€. Embora oferecendo um posicionamento mais alto e mais equipamento que os rivais, não deixa de ser caro.

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