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Angola ajuda lucros do BPI a crescer 39%

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Os resultados líquidos do banco liderado por Fernando Ulrich cresceram 39% em relação ao primeiro semestre de 2015. Perto de 77% dos lucros foram gerados pela atividade no estrangeiro.

JOÃO RELVAS/LUSA

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  • Agência Lusa
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O Banco BPI registou resultados líquidos de 106 milhões de euros durante o primeiro semestre de 2016, valor que representa um crescimento dos lucros de 39% em comparação com os primeiros seis meses do ano anterior. Os números divulgados nesta terça-feira pela instituição financeira indicam que aquele resultado se deveu a um contributo da atividade do banco no mercado doméstico de 24,5 milhões de euros, uma subida de 271%, enquanto os lucros provenientes das operações no estrangeiro geraram 81,4 milhões de euros, sobretudo com origem no mercado angolano.

O Banco de Fomento Angola, onde o BPI detém uma posição maioritária de 50,1%, contribuiu com 79,1 milhões de euros para o resultado líquido obtido pelo banco liderado por Fernando Ulrich, com uma subida superior a 18%. Por cada cem euros de resultados líquidos consolidados realizados pelo banco nos primeiros seis meses de 2016, 75 euros chegaram de Angola. O BCI, que opera em Moçambique e que é detido a 30% pelo BPI, “entregou” 3,3 milhões de euros, uma queda de 95% no confronto com o primeiro semestre de 2015.

A margem financeira do BPI, diferença entre os juros pagos e os juros recebidos, fixou-se em 360 milhões de euros, com um aumento de 8,8% na comparação com o período que decorreu entre janeiro e junho de 2015. Quanto ao produto bancário, que inclui, também, comissões cobradas e outros proveitos, atingiu mais de 602 milhões de euros, o que equivale a uma variação positiva de 2,6%.

As provisões efetuadas pelo BPI para cobrir imparidades em créditos concedidos baixaram perto de 46%, com um valor de 47,3 milhões de euros. No crédito, o banco revela uma contração. A carteira totalizava 24 mil milhões de euros no final do primeiro semestre de 2016, sinalizando uma redução de 1,4%. Em 30 de junho de 2016, refere a informação divulgada pela instituição, “o rácio de crédito a clientes vencido há mais de 90 dias ascendia a 3,6% nas contas consolidadas“, percentagem menor do que os 3,8% que se verificavam há um ano, mas que revela uma estabilização em relação ao nível que se verificava no final de 2015.

Também os recursos totais de clientes, rubrica onde estão incluídos os depósitos captados, registaram um recuo. Ficaram em 34,1 mil milhões de euros, uma descida de 3,3%. Com esta evolução, a relação entre o crédito concedido e os depósitos fixou-se em 88% em termos consolidados, indicador que sobe para 108% quando é considerada apenas a atividade doméstica.

Processo de recuperação da Oi gera perdas

O processo de recuperação judicial em que a Oi está envolvida não foi uma boa notícia para as contas do BPI. O banco assumiu imparidades em obrigações da PT International Finance, integrada no grupo da operadora de telecomunicações brasileira, no valor de 20,2 milhões de euros antes de impostos. De acordo com a Lusa, Fernando Ulrich, presidente do BPI, revelou nesta terça-feira que a posição de balanço destas obrigações PT/Oi está fixada nos 23 milhões de euros, pelo que a entidade aplicou um hair cut de 85%.

O presidente executivo do banco disse que a equipa de gestão do BPI tem “esperança” que seja possível recuperar um valor superior com estes títulos de dívida do Grupo Oi devido ao processo de recuperação judicial da operadora brasileira. “Os títulos que nós temos vencem em março do próximo ano”, especificou o gestor durante a conferência de imprensa de apresentação das contas semestrais do BPI, realizada em Lisboa. Após impostos, as imparidades registadas com estas obrigações ascendem a 14,2 milhões de euros.

Na sexta-feira, os acionistas da Oi aprovaram o processo de recuperação judicial da empresa, pedido a 20 de junho, na sequência do facto de a gigante de telecomunicações não ter conseguido negociar a dívida de 65,4 mil milhões de reais [18 mil milhões de euros]. A aprovação ficou marcada por várias discussões, a maior parte delas relacionadas com a oposição de alguns acionistas em relação à participação da Bratel BV na votação.

A Bratel BV é controlada pela empresa portuguesa Pharol, que detém uma participação indireta de cerca de 22% do capital total da operadora brasileira, constituindo 27,49% das ações ordinárias. No final, a mesa da assembleia acabou por decidir pela participação da Bratel BV na votação, que se manifestou favorável à recuperação judicial.

Por outro lado, o BPI conseguiu obter mais-valias significativas em operações financeiras, com a venda de ações feita durante a operação de fusão da Visa Europe com a Visa Inc. a render no total 31,5 milhões de euros. Destes, 22,9 milhões de euros são resultantes da venda dos títulos da Visa Europe que o BPI detinha diretamente “há vários anos”, conforme sublinhou Fernando Ulrich, enquanto os restantes 8,6 milhões de euros foram os resultados por equivalência patrimonial oriundos da participação que o banco detém na Unicre.

Menos balcões e menos trabalhadores

O BPI vai prosseguir, em 2016, as iniciativas que têm por objetivo reduzir a rede de agências, a par da diminuição do número de trabalhadores. O Jornal de Negócios refere que os cortes no quadro de pessoal vão abranger 321 pessoas, o que será concretizado, sobretudo, através de reformas antecipadas que atingirá 252 funcionários. Para suportar esta decisão, o banco constituiu uma provisão num valor superior a 46 milhões de euros.

“A maior parte já aceitou os acordos propostos pelo banco”, revelou Fernando Ulrich, citado pelo mesmo jornal, e o processo vai levar a que o BPI contraia o número total de trabalhadores para 5.578 trabalhadores até ao final de 2016. No primeiro semestre, o banco fechou 27 balcões e tem, agora, uma rede de 558 agências.

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