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Os 20 segredos de Sintra

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Tem a certeza que conhece Sintra, para além das queijadas, dos travesseiros e do Palácio da Pena? Propomos-lhe uma visita guiada por locais recônditos. Aqueles que não vêm nos postais. Mas podiam vir.

Autor
  • Simone Carvalho
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Calce uns sapatos confortáveis, adaptados à caminhada, coloque uma garrafa de água numa mochila e atreva-se a fazer aquilo que poucos portugueses fazem: descobrir as belezas escondidas de Sintra, para lá da visita aos tradicionais “postais” da vila.

Foi esse o desafio que lançámos à Parques de Sintra – Monte da Lua (PSML), empresa que, desde 2000, gere cerca de 45% da área que foi classificada como Património Mundial pela UNESCO, em 1995.

Já lá vão mais de 20 anos desde que a Paisagem Cultural de Sintra foi a primeira paisagem a ser classificada como tal na Europa. Mas são ainda muitos os portugueses que a desconhecem. Segundo as estatísticas mais recentes da PSML, dos 1,7 milhões de visitantes que os valores culturais e naturais de Sintra recebem anualmente, mais de 90% são estrangeiros.

E os turistas nacionais, regra geral, ficam-se pelo Castelo dos Mouros, pelo Convento dos Capuchos, pelo Palácio de Monserrate ou pelo Palácio Nacional de Sintra. Está claro que, quando se predispõem a conhecer a monumentalidade sintrense, também não falham aquele que é o principal cartão-de-visita por estas paragens: o Palácio da Pena.

Implantado no topo da serra e fruto do génio criativo de D. Fernando II, este expoente máximo, em Portugal, do Romantismo do século XIX, está longe de ser o único atractivo de uma área com cerca de 960 hectares. Calma: não estamos a sugerir que palmilhe isto tudo a pé.

Perante tal imensidão, a PSML preparou para os leitores do Observador um percurso pedestre por lugares menos conhecidos, em alguns dos circuitos de visita nos parques e monumentos que a empresa gere. Podem não ser segredos, mas alguns estão bem escondidos. Sabe o que é a Cruz Alta? Já viu o Templo das Colunas? Alguém lhe falou da Gruta do Monge? Conhece a Fonte dos Passarinhos? Se respondeu que não, saiba que estes são apenas alguns dos mistérios por desvendar, numa aventura que requer alguma preparação física…

Um acompanhante à medida

Primeiro, fomos fazer o reconhecimento do terreno. E como são já conhecidas as ruelas estreitas da vila, as curvas apertadas e as estradas afuniladas em redor de Sintra, optámos por ir de Renault Twingo. Oferecendo uma posição de condução elevada, o pequeno automóvel lida perfeitamente com as exigências de um roteiro nestas condições, pois as inversões de marcha fazem-se à primeira e as curvas descrevem-se com a maior das facilidades, graças à excelente brecagem do modelo – o ângulo de viragem das rodas do Twingo é de 45º, enquanto os concorrentes se ficam, em média, pelos 30º.

Contudo, por mais ultra-manobrável que seja, não o podemos levar para todo o lado. Quando é chegada a hora de estacionar, mais uma vez, este citadino com motor atrás revela-se uma excelente opção. Como é “mignon”, não é difícil encontrar um lugar de parqueamento à sua medida. “Très bien!”

Uma corrida em passo lento

Trancas na porta, mapa na mão, mochila às costas e lá fomos nós. Ponto de partida: Vila Sasseti. Meta: Jardim e Chalet da Condessa d’Edla. Tempo previsto: um dia. Sim, leu bem. Sem pressas, o percurso pedestre que nos leva de um ponto ao outro tem essa duração. Pelo caminho, não faltam pontos de interesse, pelo que não vai dar pelas horas a passarem – excepto quando começar a ver o pôr-do-sol, que por estas bandas tem um encanto e uma luminosidade indescritíveis.

A expedição inicia-se na Vila Sasseti, que esteve muitos anos fechada na qualidade de propriedade privada. Concebida para refúgio estival de Victor Carlos Sasseti (1851-1915), proprietário do lendário Hotel Braganza, em Lisboa, e do Hotel Victor, em Sintra, a casa está a ser alvo de recuperação no interior, mas o exterior já é um assombro para a vista. Do telhado mouriscado aos azulejos do século XVII, passando pela lápide sepulcral, a habitação desenhada por Luigi Manini – o cenógrafo que, mais tarde, foi responsável pela Quinta da Regaleira – tem um sem-número de apontamentos arquitectónicos de relevo. Impressionam, é a palavra. Como impressionaram o milionário arménio Calouste Gulbenkian, que aqui chegou a residir esporadicamente entre 1920 e 1955, ano da sua morte.

De seguida, inspire e expire. Lenta e profundamente. Tem pela frente uma subida com tanto de íngreme como de estimulante. O caminho desde a Vila Sasseti até à entrada dos lagos do Parque da Pena destaca-se pelas vistas de cortar a respiração. Aqui e ali, por entre a exuberante vegetação, assoma-se o imponente Castelo dos Mouros.

Por trilhos sinuosos, também vai alcançar a base do Penedo da Amizade, por baixo do Castelo dos Mouros. Trata-se de um “spot” famoso pelo desafio da escalada, oferecendo aos mais intrépidos perspectivas únicas dos exóticos palácios de Sintra e de toda a linha costeira para Norte.

Há que prosseguir marcha, sem perder o Norte e sem perder de vista o objectivo da caminhada: chegar ao Jardim e ao Chalet da Condessa d’Edla. Uma vez chegado à zona ocidental do Parque da Pena, vai poder admirar um notável exemplar de um longo processo de restauro. Em estilo alpino, o edifício foi destruído por um incêndio em 1999. Abriu recentemente ao público, tendo recuperado todo o esplendor com que outrora, na segunda metade do século XIX, D. Fernando II e a Condessa d’Edla viveram.

O que vai ver até lá chegar? Segredos. Muitos. Daqueles que perdem a graça quando sussurrados ao ouvido. Porque “uma imagem vale mais do que mil palavras”, poupámos no verbo. Não nas fotos. E, muito menos, nos detalhes. Veja na fotogaleria o que descobrimos para o surpreender.

Ao todo, são 20 segredos que pode desvendar à distância de um clique – e ninguém precisa de saber que se furtou à caminhada. Pelo menos, para já. Vai ver (literalmente) que, se se puser a caminho, tem muito para descobrir. Sintra, aquele destino que muitos estão convencidos que conhecem, nunca se revela por completo. Não se conhece, dá-se a conhecer.

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