Roteiros

Perca-se e encontre-se no labirinto de Óbidos

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Esqueça a ginjinha e embriague-se na literatura, na paisagem e no património de Óbidos. Explore a vila sem grandes canseiras e sem pegada ecológica. Vá de carro. Onde os outros não podem ir.

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  • Simone Carvalho
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Confissão ao leitor: este roteiro não saiu nada conforme o tínhamos imaginado. Calma, achamos que saiu muito melhor. Por isso, dê-nos o benefício da dúvida e fique por aqui, que esta história conta-se depressa.

Comecemos pelo princípio. Pegámos na trouxa jornalística – câmara fotográfica, gravador, bloco de notas e umas quantas canetas, que as ditas têm tendência a desaparecer na mala das senhoras – e fizemo-nos à estrada. E à auto-estrada: a A8 aproxima Óbidos de qualquer ponto do país, encurtando o tempo da viagem, o que dá outra graça a este destino e diminui drasticamente a probabilidade de usar com sucesso aquela célebre desculpa (“é muito longe”) para evitar a viagem. E a prova disso é que até os cruzeiros que chegam a Lisboa são grandes “fornecedores” de turistas por estas bandas.

Está claro que os mais “criativos” na arte de engonhar se apressarão a dizer. “Óbidos? Nem pensar! Uma pessoa só pode andar a pé e aquilo é sempre a subir e a descer.” Verdade. Mas temos uma boa notícia para este tipo de aventureiros: podem explorar a vila devidamente sentados, ao volante de um modelo que se encaixa que nem uma luva nas estreitas ruelas de Óbidos. E mais, sem deixar qualquer pegada ecológica.

O eléctrico Twizy vai onde os outros carros não podem ir – dentro das muralhas, não é permitida a circulação automóvel, excepto aos habitantes, e até quem se hospeda nas unidades que aí existem só pode aceder de carro ao alojamento para deixar as bagagens. Depois, tem de vir deixar o automóvel nos parques que se encontram no exterior das muralhas.

E foi precisamente fora da fortificação que apanhámos uma boleia inesperada. Chegados a Óbidos, fizemos o que qualquer visitante faz: fomos ao posto de turismo local. E eis que aí encontrámos José Alberto Rocha, proprietário da Zero CO2 Tours. O empresário teve de trocar o ramo da construção por outra obra de vida, e lançou os alicerces desta empreitada há quatro anos, quando adquiriu uma frota de Twizy para levar os turistas a conhecer a vila, sem qualquer ruído, sem qualquer emissão de poluentes e sem qualquer canseira. Dito de outro modo: não se gastam as solas dos sapatos e não há qualquer pegada ecológica neste passeio. Só vantagens!

E se este roteiro não saiu nada como o tínhamos imaginado, o leitor pode sempre ir pedir satisfações a José Alberto Rocha. Foi ele quem nos convidou a conhecer a vila a bordo de um Twizy e nos conduziu nesta visita. E mais: como dias antes, o Observador havia publicado o roteiro de Sintra e ele, um homem nascido e criado em Queluz, “não conhecia muitos dos locais” propostos nesse artigo, decidiu-se por aplicar-nos a mesma receita. “Vou-vos levar a sítios que a maior parte das pessoas que vem a Óbidos não vê”, prometeu. E cumpriu.

Por isso, esqueça a Rua Direita (impõe-se visitar, se não conhece). Mal saímos do parque de estacionamento, virámos logo à esquerda.

E esqueça também a ginjinha. No percurso que pode acompanhar percorrendo a nossa fotogaleria, não há razões para afogar as mágoas. Pelo contrário.

OK, a ginjinha é bem-vinda. Afinal, vimos o que outros não costumam ver e livrámo-nos de uma dor nos pés. Pelo caminho, ainda descobrimos como é que esta vila – onde não há época baixa, graças a uma recheada agenda de eventos – se pretende afirmar turisticamente. O mote é a palavra. Além-fronteiras, Óbidos já não é só conhecida pela pinga (ginjinha), pelo castelo e pelas suas muralhas. É um doce que se come todo o ano, com ou sem Festival do Chocolate; um presépio que celebra diariamente o nascimento de novos projectos; um mercado que não precisa de ser medieval para que a bolsa dos recuerdos se encha. Óbidos já é tudo isto. Agora quer ser uma vila literária. E já há quem venha de fora com o fito de conhecer esta sua faceta. “Há dias recebi uns clientes da Argentina que vieram de propósito à procura do The Literary Man”, conta-nos José Alberto Rocha.

Se não conhece este hotel, eis (mais) uma boa razão para explorar a nossa fotogaleria. Mas há mais: de altares onde os santos são os livros a labirintos de casas caiadas de branco, sem esquecer a rua onde as noivas vão fazer as fotografias de casamento, passando pela praça onde, no passado, os patrões iam buscar quem estava disponível para trabalhar à jorna, o Largo de Santa Maria.

Como pode ver, literalmente, sugerimos-lhe uma invulgar jornada. Reserve quatro horas, de preferência durante a semana, para sua comodidade, e atreva-se a escrever o seu próprio capítulo neste livro que Óbidos aspira ser. Argumentos não lhe faltam.

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