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Casa Branca 2016

Nova mulher acusa Trump de conduta sexual imprópria. É a décima

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Após o terceiro e último debate presidencial, a advogada Gloria Allred surgiu ao lado de mais uma mulher que acusa Trump de conduta sexual imprópria. Ter-lhe-á tocado no peito.

"Eu lembro-me de si e que o que me fez é como se tivesse sido ontem"

Carlo Allegri / Reuters

E são dez. Logo após o terceiro e último debate, esta quarta-feira à noite, entre os dois candidatos à presidência dos EUA, uma nova mulher acusou Trump de conduta sexual inapropriada.

Karena Virginia, de 45 anos, professora de yoga e life coach, contou que encontrou Donald Trump no torneio de ténis US Open de 1998, quando tinha 27 anos. A mulher, muito chorosa, recordou que o evento nunca lhe saiu da memória:

Pode não se lembrar de mim, nem do que me fez há anos… Mas posso garantir-lhe que eu lembro-me de si e que o que me fez é como se tivesse sido ontem” leu Virginia dirigindo-se a Trump, numa conferência de imprensa transmitida pela NBC News.

Donald Trump terá depois tecido alguns comentários impróprios sobre a mulher, em conversa com vários outros homens. “Hey, olhem para esta. Nós nunca vimos esta antes. Olhem para aquelas pernas”. Como se Virginia fosse um objeto. Em seguida, Trump tê-la-á agarrado pelo braço, tocando-lhe no peito.

Virginia ficou em choque e Trump disse-lhe apenas: “Não sabes quem eu sou? Não sabes que eu sou?”.

Ele revelou o seu caráter nas suas próprias palavras. Devia sentir vergonha não só das suas palavras mas, sobretudo, do seu comportamento para com tantas mulheres”, prosseguiu Virginia.

A advogada Gloria Allred, especialista em questões de assédio e agressão sexuais, acompanhou Karena Virginia e disse que Trump “seleciona as suas vítimas (mulheres) aleatoriamente”. Apesar de Virginia ter decidido, por livre vontade, tornar a história pública, segundo a advogada, a mulher não tem qualquer intenção de processar o candidato.

Ninguém me pediu para testemunhar publicamente. Na realidade, numerosas pessoas aconselharam-me a não o fazer”, assegurou Karena Virginia.

Trump já se defendeu dizendo que as histórias de todas estas mulheres que o acusam não passam de “mentiras e ficção”, acusando-as de serem “obra” da campanha de Clinton.

No terceiro e último debate presidencial, esta quarta-feira à noite, Trump voltou a repetir: “Ninguém respeita mais as mulheres do que eu!”. Allred considera a resposta ridícula, dadas as alegações que existem contra o candidato republicano.

Com Virginia, são já dez as mulheres que acusaram Trump de assédio sexual:

Jessica Leeds (1980)

Tem agora 74 anos e contou ao The New Tork Times a sua história. Trump convidou-a para se juntar a ele na primeira classe de um voo. O candidato republicano começou a tocar-lhe, de forma íntima, depois de ter sido servida uma refeição a bordo, 45 minutos após o avião ter levantado voo. “As mãos dele estavam em todo o meu corpo. Parecia um polvo”, recordou agora.

Kristin Anderson (1990)

Atualmente é fotógrafa, mas na altura era aspirante a modelo. Tudo aconteceu numa discoteca, onde estava sentada num sofá a conversar com amigos. “Os dedos dele deslizaram sob a minha minissaia, subiram a minha coxa e tocou na minha vagina, através da roupa interior”.

Cathy Heller (1997)

Heller tem agora 63 anos mas há cerca de 20 anos, durante um lanche do Dia da Mãe, foi apresentada a Trump pela sua sogra. Ele “pegou na minha mão, agarrou-me e foi direito aos meus lábios”.

Temple Taggart (1997)

Tinha 21 anos, era miss Utah e participava no Concurso Miss Universo. Mas ainda não conhecia o novo dono da empresa que organiza a competição de beleza: Donald Trump. A apresentação não foi do seu agrado… Mais uma vez, beijou-a logo na boca. Na altura era casado com Marla Maples. “Eu pensei, ‘Oh meu deus, que nojo’. Penso que houve mais algumas raparigas que ele beijou na boca. Eu pensei ‘Uau, que inapropriado'”.

Mindy McGillivray (2003)

Mindy, de Palm Springs, Flórida, tinha apenas 13 anos e estava a trabalhar como assistente de um fotógrafo, num concerto numa discoteca. “Foi mais do que um simples empurrão, eu senti-o (Trump) a apalpar-me o rabo. Estava assustada e saltei”.

Rachel Crooks (2005)

Crooks afirma que Trump a beijou na boca à saída de um elevador da Trump Tower, onde estão sediadas as empresas do candidato republicano em Nova Iorque. “Foi muito desapropriado. Fiquei muito perturbada por ele pensar que eu era tão insignificante que ele podia fazer aquilo”, explicou a mulher.

Natasha Stoynoff (2005)

Jornalista na revista People, Stoynoff foi cobrir o aniversário de um ano de casamento de Trump com Melania, a sua atual mulher. Durante a festa, Trump tê-la-á empurrado contra a parede e forçado um beijo na boca. “Sou alta, uma rapariga forte que cresceu a fazer wrestling com os seus dois irmãos. É preciso muito para me empurrar. Mas Trump é muito maior que eu — uma figura ameaçadora — e foi rápido, apanhou-me de surpresa e desequilibrei-me”.

Summer Zervos (2007)

Zervos diz que Trump beijou-a durante uma reunião em Nova Iorque, mas ela não deu importância ao assunto porque se estava a candidatar para um emprego na The Trump Organization. Depois, Trump convidou-a para jantar, em Los Angeles, e Zervos foi escoltada para um quarto ao lado do qual o candidato se estava a vestir. Beijou-a “de forma muito agressiva e colocou a mão no meu peito”. Também Zervos acusou Trump de assédio sexual, durante uma conferência de imprensa ao lado da advogada Gloria Allred.

Anónima (2010)

Segundo fonte da CNN, uma mulher — que quis manter o anonimato — terá tido um “episódio” com Donald Trump. O candidato convidou a mulher para ir até ao seu escritório, na Trump Tower, e depois disse-lhe que era era “especial”. Roubou-lhe um beijo, apanhando-a desprevenida — “entrei em pânico” — e depois pediu-lhe o número. Foi aí que ela “correu dali para fora”. Até existe um vídeo, momentos antes do sucedido, onde o candidato diz a um amigo que é melhor ir comprar Tic Tac’s para o caso de beijar a mulher.

Surgirão novas histórias semelhantes a estas até às eleições, a 8 de novembro?

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