Crime Informático

Ataque informático em Portugal “vai mesmo acontecer”, avisa especialista

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Ataque que travou acesso a alguns dos maiores sites do mundo foi levado a cabo por "exército" de gadgets infetados, de telemóveis a televisões. Portugal precisa de estar preparado, diz especialista.

OLIVER BERG/EPA

O mega ataque informático que ocorreu esta sexta-feira e que bloqueou alguns dos mais famosos sites mundiais como o Twitter, Spotify, Paypal ou AirBnb, pode ter sido desencadeado por dispositivos tão simples quanto telemóveis, routers, impressoras, televisões inteligentes, webcams ou leitores de DVD. Em causa esteve o ataque massivo à DynDNS, que é responsável por fornecer grande parte dos domínios na internet, e que, segundo explica o jornal britânico The Guardian, foi levado a cabo com recurso a um método diferente e muito pragmático: infetar dispositivos de utilização diária que estejam ligados à rede criando uma espécie de “exército” capaz de provocar uma sobrecarga massiva dos servidores ao receber milhões de pedidos em simultâneo.

Para o especialista e professor catedrático no departamento de Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico José Tribolet, o problema está precisamente na facilidade que existe, por “ignorância nossa”, de levar a cabo um ataque desta dimensão com recurso a aparelhos tão simples. Em declarações à TSF, o especialista em engenharia informática, diz que não quer “assustar” as pessoas por assustar, mas deixa um alerta sério para Portugal: “é inevitável que vai acontecer [um ataque de larga escala], porque todo o mau uso da tecnologia que se possa fazer vai ser feito”. É preciso é prevenir, discutir o assunto e encontrar respostas antes de o “terramoto” chegar.

Aqui o fator novo é que estes dispositivos [televisões, câmaras, telemóveis, impressoras] não foram desenhados nem são implantados de acordo com o mínimo de normas de segurança e controlo, por ignorância nossa. E isto, a nível sistémico, pode permitir efeitos muito graves”, disse José Tribolet à TSF.

Em causa estão as duas faces da mesma moeda: a tecnologia tanto tem de bom como pode ter de mau. E por isso é preciso que os governos e as entidades competentes “que têm responsabilidade para discutir e agir, como o Presidente da República, o Governo ou a Assembleia da República” estejam despertos e alertas para o problema que vai “de certeza acontecer” — e que é preciso antecipar antes que seja tarde de mais.

“Parece que estamos à espera de uma catástrofe tipo terramoto para percebermos o que devíamos ter feito. Não podemos esperar, temos de fazer antes para conseguir controlar o melhor possível o que vai com certeza suceder no futuro. Porque vai de certeza acontecer”, diz o professor de Engenharia Informática, acrescentando que a procura de respostas tem de ser encontrada à margem da disputa partidária. Porque, diz, “é a defesa da Nação que está em causa. Discutimos tudo, percentagens do défice, tudo, mas este assuntos vitais não têm fóruns de discussão”.

Televisões e máquinas inteligentes no maior ataque informático

O que aconteceu esta sexta-feira está já a ser classificado como o maior ataque informático da década. Foram na verdade três vagas de ataques que atingiram maioritariamente à costa leste dos EUA e que, ao contrário do habitual, não tinham um alvo específico (um site, uma empresa), pretendendo-se sim atingir toda a internet. Para isso, o alvo a abater foi a Dyn, empresa norte-americana de gestão de nomes de domínio de internet — onde estão alojados todos os sites.

E como foi feito? Da forma mais simples possível, mas organizada. Através de uma espécie de “exército de zombies” programados à distância em milhões de endereços de IP ao mesmo tempo. Mas os zombies não eram apenas computadores, telemóveis ou tablets infetados. Eram também televisões e máquinas de lavar inteligentes. Todos os gadgets com acesso à rede foram usados em todo o mundo para, depois de infetados por um vírus, fazerem o pedido de acesso à Dyn de forma tal que bloqueou os acessos a alguns dos mais protegidos sites mundiais.

Os responsáveis pelo ataque ainda não foram identificados, nem o ataque foi reivindicado por qualquer organização, mas as autoridades norte-americanas estão a investigar o caso.

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