Literatura

O medo estampado na capa da nova Granta

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A revista dirigida por Carlos Vaz Marques reúne textos de 15 autores, entre os quais a Nobel Svetlana Alexievich, Alexandra Lucas Coelho, Valério Romão e Rachel Cusk. Todos à volta de um tema: o medo.

"É normal ter medo mas não é normal deixar o medo controlar o sistema", é a mensagem do ensaio fotográfico de Daniel Blaufuks. A capa é de Jorge Colombo

Ilustração de Jorge Colombo

“Como uma flor carnívora, o medo fascina e repugna”, escreve Carlos Vaz Marques, nas últimas linhas do editorial que abre a nova Granta. A 8.ª edição da revista literária semestral tem como tema o medo, retratado numa capa desenhada por Jorge Colombo e em vários textos inéditos de jornalistas e escritores. Chega às livrarias a 4 de novembro.

Ou seja, quatro dias antes das eleições americanas que opõem Donald Trump a Hillary Clinton. O candidato republicano angariou muitos dos seus votos com uma campanha que explorou o medo — dos emigrantes, dos terroristas, da criminalidade, do desemprego. Carlos Vaz Marques explica ao Observador que a escolha do tema nada teve a ver com as eleições, mas sim com o “clima em que vivemos, marcado pelo terrorismo, pela ameaça de epidemias, por ciber-perigos, etc.”. O tal medo que tanto repugna quanto atrai.

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Esta será a capa da 8.ª Granta. A ilustração é de Jorge Colombo.

Entre os autores convidados a contribuir contam-se vários jornalistas. É o caso de Alexandra Lucas Coelho, que, com um conto, encena “o confronto de pontos de vista entre quem está sitiado pelo medo e quem o visita por dever de ofício”. E de Paulo Moura, repórter que acaba de lançar o livro Depois do Fim, onde reúne 25 anos de conflitos pós-queda do Muro de Berlim, que foi chamado a relatar, e que na Granta partilha “uma memória do regime de terror de Saddam Hussein”.

Clara Ferreira Alves, Pedro Rosa Mendes, a editora da Newsweek para o Médio Oriente Janine Di Giovanni e o indiano Aman Sethi são outros dos jornalistas escritores responsáveis por algumas das páginas da revista, editada pela Tinta-da-China. Svetlana Alexievich, a jornalista bielorrussa vencedora do Nobel da Literatura em 2015, também contribui com o texto “Dos blocos de notas (na guerra)”. Publicado originalmente na Granta inglesa no outono de 1990, a autora reformulou-o para que entrasse no livro Rapazes de Zinco. Enquanto a Elsinore não o publica em Portugal — chega em 2017 –, a primeira amostra chega agora.

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A ilustração de João Fazenda para o texto “Enciclopédia médica da família”, de Valério Romão.

As ilustrações que acompanham cada um dos textos foram feitas por João Fazenda. O ensaio fotográfico é da autoria de Daniel Blaufuks e conduz o leitor “a uma dimensão política do medo, ao afirmar que ‘é normal ter medo mas não é normal deixar o medo controlar o sistema'”, adianta Carlos Vaz Marques.

Há ainda textos de Ana Luísa Amaral, Valério Romão, Robert Macfarlane, Gustavo Pacheco, Rachel Cusk, Helena Vasconcelos, António Gregório e Rosa Oliveira.

O primeiro número da edição portuguesa da revista Granta chegou às bancas em maio de 2013, com a inclusão de cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa em destaque. Os cerca de mil assinantes começam agora a receber a nova edição da revista, que também chega às livrarias na próxima semana, ao preço de 18 euros. Quem fizer a assinatura de quatro números até 13 de novembro tem 25% de desconto e ainda pode escolher de oferta um livro do catálogo da Tinta-da-China.

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