Rússia

Putin não expulsa diplomatas americanos: “Não vamos descer ao nível desta diplomacia irresponsável de cozinha”

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"Não vamos descer ao nível desta diplomacia irresponsável de cozinha", disse Putin, num comunicado do Kremlin. Presidente russo descarta, para já, a hipótese de expulsar diplomatas dos EUA.

Vladimir Putin, presidente russo, recebeu uma proposta do ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, para expulsar 35 diplomatas americanos

ALEXEI NIKOLSKY/RIA NOVOSTI/KREM/EPA

A Rússia não vai expulsar nenhum diplomata em resposta às sanções impostas pelos EUA. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, tinha apresentado uma proposta a Vladimir Putin para que fossem expulsos 35 diplomatas americanos, mas o presidente russo decidiu não seguir a recomendação de Lavrov, avança a agência Reuters. Prefere esperar pela tomada de posse de Donald Trump.

Reservamo-nos o direito de retaliar, mas não vamos descer ao nível desta irresponsável diplomacia ‘de cozinha’. Daremos passos no futuro para restaurar as relações entre a Rússia e os EUA, baseados nas políticas que a administração do presidente eleito Donald Trump adotar”, disse Vladimir Putin, num comunicado citado pela agência estatal russa RT.

A referência à “diplomacia de cozinha” será uma alusão aos conhecidos Debates da Cozinha, entre Richard Nixon e Nikita Khrushchev, em 1959.

Na proposta feita por Lavrov a Putin, era pedido que fossem expulsos 35 diplomatas norte-americanos, em resposta às sanções anunciadas pelos EUA esta quinta-feira, medida que surge na sequência da expulsão de 35 diplomatas da embaixada da Rússia em Washington. Esta quinta-feira, Barack Obama anunciou um conjunto de sanções à Rússia devido à alegada interferência no resultado eleitoral de novembro: 35 diplomatas declarados personae non gratae, a quem foram dadas 72 horas para abandonar o país; dois edifícios utilizados pelos serviços secretos russos encerrados; e ainda sanções individuais contra entidades russas, incluindo duas agências de inteligência — GRU e FSB.

Não podemos, obviamente, deixar estas sanções sem resposta. A reciprocidade é a lei da diplomacia e das relações entre países”, destacou Sergei Lavrov, citado pela imprensa internacional.

Num comunicado emitido pela televisão russa, citado pela AFP, Lavrov detalhou a medida proposta. “O ministério dos Negócios Estrangeiros pediu que o presidente russo aprove que sejam declaradas personae non gratae 31 funcionários da embaixada dos EUA em Moscovo, e quatro diplomatas do consulado dos EUA em São Petersburgo”, afirmou o governante.

Na mesma mensagem, Lavrov informou ainda que a Rússia pondera impedir os EUA de utilizarem uma casa nos arredores de Moscovo, e um armazém na capital.

A embaixada da Rússia nos EUA já tinha reagido, logo na noite de quinta-feira, às sanções impostas por Washington. Através de uma mensagem publicada no Twitter atribuída ao secretário para a comunicação social do Kremlin, Dmitry Peskov, a representação diplomática russa em Washington garantiu: “Não há dúvida de que a resposta adequada e espelhada da Rússia vai fazer os oficiais de Washington sentir-se desconfortáveis”.

O jornal britânico The Guardian recorda que já não é a primeira vez que há retaliações entre Rússia e Estados Unidos no que respeita à expulsão de diplomatas. Em 2001, 51 diplomatas russos foram expulsos dos EUA pelo presidente George W. Bush, suspeitos de serem espiões. Em resposta, Moscovo ordenou a expulsão de 50 diplomatas americanos.

Obama sublinhou, na quinta-feira, que os norte-americanos “devem ficar alarmados com as ações da Rússia”, e garantiu: “Emiti uma ordem executiva que dá autoridade adicional para responder a determinado tipo de atividades cibernéticas que procurem interferir ou minar os nossos processos e instituições eleitorais”.

EUA expulsa 35 agentes dos serviços de inteligência russos por ingerência nas presidenciais

Os serviços secretos norte-americanos acreditam que a Rússia possa estar por trás dos ataques cibernéticos ao Comité Nacional Democrático, à campanha presidencial de Hillary Clinton e a outras organizações políticas, pelo que Obama salientou que estas ações não compreendem a resposta total dos EUA face à intervenção “agressiva” da Rússia.

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