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Primeiro-Ministro

Costa quer energias renováveis como “start-up” da parceria luso-indiana

O primeiro-ministro vincou, que Portugal está na linha da frente mundial da produção e consumo de energias renováveis, defendendo que esta área pode ser a "start-up" da parceria luso-indiana.

TIAGO PETINGA/LUSA

O primeiro-ministro vincou, esta terça-feira, perante cerca de dois mil empresários indianos, que Portugal está na linha da frente mundial da produção e consumo de energias renováveis, defendendo que esta área pode ser a “start-up” da parceria luso-indiana.

Esta posição foi assumida por António Costa na conferência económica “Cimeira Global Gujarat Vibrante”, em Ahmedabad, considerada uma das maiores e mais relevantes da Índia, que junta, além de milhares de empresários, membros de governos em representação de quase duas dezenas de países e que foi encerrada pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

O tema forte da intervenção de António Costa foi o do desenvolvimento e crescimento sustentável ao nível global, ponto que defendeu a ideia de que Portugal está já na primeira linha mundial ao nível das energias renováveis – uma das áreas que considera prioritária para a cooperação com a Índia. No seu discurso, o primeiro-ministro disse que para Portugal “é uma prioridade a descarbonização, sobretudo do setor dos transportes, através da promoção dos transportes públicos e da promoção da mobilidade elétrica”.

“Temos uma agenda ambicionada no campo das energias renováveis, tendo como meta estar na linha da frente na sua utilização. Recentemente, fomos capazes de assegurar que quatro dias de uma semana tivessem um consumo totalmente proveniente de energias renováveis”, disse.

Neste contexto, António Costa referiu ainda que o seu país “é rico em sol, vento e água” e que Portugal já atingiu 87 por cento da sua meta colocada para 2020 em termos de produção de energias renováveis. “Da energia que produzimos, 61 por cento é a partir de energias renováveis”, adiantou, antes de apontar ainda que Portugal está a desenvolver políticas de reabilitação urbana, tendo como foco a eficiência energética.

Aqui, António Costa aproveitou para virar a agulha para as relações bilaterais com a Índia, dizendo que a agenda portuguesa “está alinhada com a da Índia, país que tem programas de desenvolvimento de cidades inteligentes, de transportes urbanos verdes, entre outros”.

“Índia e Portugal têm economias complementares e podem tirar partido de fazerem parte de regiões e mercados internacionais diferentes. Há grandes oportunidades que podem ser exploradas por ambos os países em termos de comércio e investimento”, afirmou, tendo a escutá-lo o chefe do Governo indiano.

Na sua intervenção, no plano político, o primeiro-ministro voltou a fazer uma defesa cerrada do acordo de Paris para o combate às alterações climáticas e considerou que o crescimento económico, ambiental e social sustentável é o maior desafio que se coloca ao mundo.

“Considero urgente a implementação do acordo de Paris em termos de financiamento, mecanismos de mercado, reporte e monitorização. É com particular satisfação que verifico que Portugal e a Índia já ratificaram o acordo de Paris sobre alterações climáticas”, observou António Costa.

De acordo com o primeiro-ministro, o conjunto de áreas relacionado com o objetivo do desenvolvimento sustentável “é uma excelente oportunidade para iniciar a parceria estratégica entre os dois países para o século XXI”.

“Dos contactos com o Governo da Índia e com empresários e investidores indianos nestes últimos quatro dias de visita de Estado confirmaram que existem oportunidades de cooperação nas ciências, nas tecnologias, nas energias renováveis, na execução de infraestruturas, start-ups, agricultura, indústria agroalimentar, água, tratamento de resíduos, turismo, área farmacêutica e defesa”, especificou António Costa.

A conferência económica acabou por ser, esta terça-feira, o único ponto do programa do quarto dia de visita de Estado do primeiro-ministro português à Índia.

Vinda de Bangalore num voo ao fim da manhã, a comitiva do primeiro-ministro chegou ao aeroporto de Ahmedabad com cerca de uma hora de atraso, o que obrigou António Costa a dirigir-se imediatamente para o almoço oferecido pelo chefe do Governo indiano, Narendra Modi, sendo então cancelada a visita que estava prevista para o final da manhã ao “Ashram Gandhi” – um dos mais importantes memoriais dedicados ao herói da luta pela independência da Índia.

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