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Coimbra

Restauro de mosteiro em Coimbra inundado há um ano começa no início do verão

As obras de restauro do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, que sofreu duas inundações no início de 2016, deverão começar no princípio do verão.

PAULO NOVAIS/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

As obras de restauro do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, que sofreu duas inundações no início de 2016, deverão começar no princípio do verão, disse esta quarta-feira a diretora Regional de Cultura do Centro, Celeste Amaro.

A instalação elétrica, que foi fortemente atingida pela invasão das águas do Mondego, nas cheias de janeiro e fevereiro de 2016, será uma das áreas a merecer intervenção prioritária, adiantou Celeste Amaro, que falava hoje, no Mosteiro, numa sessão de apresentação do plano das obras e de lançamento do livro “Santa Clara-a-Velha de Coimbra – Singular Mosteiro Mendicante”, de Francisco Pato Macedo.

Também a conclusão da cerca do Mosteiro e reabilitação de parte desse muro medieval, igualmente afetado pelas inundações, são prioritárias, sublinhou a responsável, recordando que hoje se completa precisamente um ano sobre a primeira das duas inundações que danificaram o monumento propriamente dito e todo o equipamento museológico.

O facto de a cerca não ter sido concluída durante a obra de reabilitação do Mosteiro e seu resgate às águas do Mondego, nas quais estava, em grande parte, permanentemente submerso, também contribuiu para facilitar a invasão do monumento pelas águas, admite Celeste Amaro, estimando, por outro lado, em cerca de 500 mil euros o custo da intervenção.

De acordo com os relatórios já concluídos, tudo aponta para que a primeira das duas cheias tenha sido provocada pela gestão das comportas da barragem da Aguieira, no Mondego, a montante de Coimbra, enquanto a segunda terá tido a sua principal causa na chuva que caiu, com grande intensidade, num curto espaço de tempo, acrescenta a diretora da Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC).

“Sem os estudos sobre a parte hidráulica”, os arquitetos responsáveis pela intervenção — Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez — não podiam avançar com o plano, explicou Celeste Amaro, indicando que esses estudos foram encomendados a entidades exteriores à DRCC, que, “naturalmente”, não dispõe de meios para os fazer.

Embora a intervenção vise essencialmente reparar os danos causados pelas águas, os arquitetos querem também “melhorar as condições de visita” de Santa Clara-a-Velha e, na medida possível, “minimizar efeitos de eventuais novas inundações”, referiu Sérgio Fernandez, sublinhando, no entanto, que perante situações como as ocorridas no início de 2016 “talvez nem com uma barragem à volta [do Mosteiro e espaço envolvente]” se conseguissem evitar danos.

A melhoria das condições de acessibilidades é outras das preocupações dos arquitetos e não apenas em relação aos dois elevadores, que também não funcionam desde a primeira cheia de 2016 — cuja reparação está calculada em cerca de 30 mil euros –, ou à reposição do traçado do caminho medieval, exemplificou.

Além disso, os arquitetos também querem concluir e/ou corrigir alguns trabalhos e intervenções que estavam previstas no projeto inicial e que, “nalguns casos [foram] significativamente deturpados”, sublinhou Sérgio Fernandez, recordando que, tal como Alexandre Alves Costa, por isso mesmo, não esteve presente na inauguração da obra de recuperação e valorização do convento, em 2009.

“Gostaríamos também de ver valorizada designadamente a envolvente sul” do monumento, afetada por construções clandestinas, ou ver reconstruídos alguns arcos na igreja, para se ter “melhor noção de escala” ou substituir o mobiliário da cafetaria/restaurante (“totalmente despropositado”), exemplificam os arquitetos.

A intervenção, cujo custo será suportado por parte de fundos que estavam destinados a quatro monumentos de Coimbra — Sé Velha, Sé Nova, Igreja do Carmo e Mosteiro de Celas –, deverá ser objeto de candidatura a fundos comunitários.

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