Legionela

Estado deve compensar vítimas de ‘legionella’ em Vila Franca de Xira

O ambientalista António Eloy defendeu que o Estado deve "chegar-se à frente" para compensar financeiramente as vítimas do surto de 'legionella', que afetou 387 pessoas, em 2014.

A doença do legionário, provocada pela bactéria 'legionella pneumophila', contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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  • Agência Lusa
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O ambientalista António Eloy defendeu esta quinta-feira que o Estado deve “chegar-se à frente” para compensar financeiramente as vítimas do surto de ‘legionella’, que afetou 387 pessoas, em 2014, no concelho de Vila Franca de Xira.

Em novembro de 2014, o concelho de Vila Franca de Xira foi afetado por um surto de ‘legionella’ que afetou sobretudo as freguesias de Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, causando 12 mortes e infetando 375 pessoas.

Mais de dois anos depois ainda decorre um inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Comarca de Lisboa Norte-Vila Franca de Xira.

Em julho de 2016, o Ministério Público (MP) informou que sete pessoas e duas empresas, entre elas a Adubos de Portugal (ADP), foram constituídas arguidas no inquérito.

“O que se passou aqui foi devido a incúria industrial mas não podemos deixar também cair aqui a responsabilidade do Estado. O Estado também é responsável pela saúde dos seus cidadãos e os seus cidadãos foram lesados na sua saúde”, afirmou o ambientalista António Eloy, em declarações à agência Lusa.

António Eloy, que também é porta-voz do Movimento Ibérico Anti-Nuclear, considera assim que o Estado deve compensar já financeiramente as vítimas de ‘legionella’ para que estas não tenham de aguardar por uma decisão da Justiça, que é “lenta”.

“Se temos pessoas que foram vítimas do sistema financeiro a ser ressarcidas, estas, que foram atingidas na sua saúde, também têm direito. O Estado tem mecanismos para depois ser ressarcido quando houver uma decisão judicial”, argumentou.

Nesse sentido, o ambientalista defendeu que as vítimas deste surto têm a responsabilidade de também elas “se unirem” para reivindicar pelos seus direitos.

“O silêncio e o esquecimento são os melhores aliados do surto da ‘legionella’. Por isso, o apelo que faço é que se unam e se mobilizem para que isto não caia no esquecimento”, reiterou.

A responsabilidade do Estado no surto de ‘legionella’ vai ser defendida por António Eloy esta noite durante uma sessão pública que se realiza em Vila Franca de Xira, às 21h30.

O surto, o terceiro com mais casos em todo o mundo, teve início a 7 de novembro de 2014 e foi controlado em duas semanas. Na altura, o então ministro da Saúde, Paulo Macedo, realçou a resposta dos hospitais, que “trataram mais de 300 pneumonias”.

A doença do legionário, provocada pela bactéria ‘legionella pneumophila’, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

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