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Montepio “não é, nem nunca foi” o BES ou o Banif, garante Tomás Correia

Numa entrevista que a revista Sábado publica esta quinta-feira, o presidente da Associação Mutualista Montepio lança críticas ao sucessor e diz-se "absolutamente tranquilo" com as suspeitas judiciais.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Tomás Correia garante que o Montepio “não é, nem nunca foi” como o Banco Espírito Santo ou o Banif. O presidente da Associação Mutualista do Montepio, cargo que até 2015 acumulou com a presidência do banco, deu uma longa entrevista à revista Sábado em que assegura que, “se o Montepio tivesse pés de barro, não teria resistido os últimos dois anos, neste ambiente de dívida”.

Na entrevista, Tomás Correia defende que se o Novo Banco não for vendido, “há que ponderar outra solução”. Houve “conversas preliminares” com Pedro Santana Lopes no sentido de uma possível proposta conjunta, entre a Santa Casa da Misericórdia e o Montepio, pela instituição — para criar um “banco de economia social forte, atuante, bem capitalizado, numa lógica de proximidade”. Isto porque, lamenta o gestor, “qualquer dia não temos instituições nacionais” na banca, depois de vários bancos (BPN, Banif) terem sido vendidos a estrangeiros por valores “aviltados”. Tomás Correia revela que foi abordado e chegou a ponderar comprar o Banif, mas a operação era demasiado urgente.

Tomás Correia, por “sigilo, neste caso bancário”, não comenta as notícias que dizem que a sua assinatura está num empréstimo a um fundo para a compra de um terreno. Um fundo alegadamente do empresário José Guilherme, o construtor que recebeu uma “prenda” de 14 milhões de euros de Ricardo Salgado. Mas Correia diz-se “absolutamente tranquilo” em relação às notícias de ligação a investigações judiciais.

Sobre a acusação do Banco de Portugal de que o Montepio não instalou, atempadamente, mecanismos de prevenção de crimes financeiros, Correia diz que tem “a certeza de que terá um desfecho completamente limpo”, já que é uma acusação “sem o mínimo fundamento”. Na entrevista à Sábado, Tomás Correia critica o presidente Félix Morgado, que lhe sucedeu na presidência executiva do banco, por não ter explicado à associação mutualista porque é que o banco abriu estatuto de “empresa em reestruturação” — algo que foi explicado como uma forma, apenas, de poder dar a mais pessoas acesso ao fundo de desemprego nos processos de rescisão amigável. Ainda assim, Tomás Correia acha que devia ter sido informado de antemão.

Chegou a falar-se em João Proença, ex-líder da UGT, para liderar o Montepio, opção que não agrada a Correia: “Ao João Proença não reconheço nenhuma capacidade para gerir uma instituição financeira”, disse. E sobre outro possível candidato, Bagão Félix, diz que convidou o ex-ministro das Finanças para os órgãos sociais mas que, por razões que “ele lá sabe”, acabou por aparecer numa lista rival. Sobre as ameaças sentidas por outro rival, Eugénio Rosa, que admitiu processar Correia, o gestor diz que “são fantasmas na cabecinha dele”.

Recusando qualquer rótulo de “Dono de Todo o Montepio, nem disto tudo nem de coisa nenhuma”. Enriqueceu com o que foi “acumulando ou poupando ao longo da vida” e acha que “é justo” o seu ordenado de 30 mil euros brutos, o que segundo o gestor equivale a 11 mil euros líquidos mensais. É mais do que se paga no mercado? “Não tenho de me seguir pela prática do mercado”, atira.

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