Quem defendia que 21 dias bastariam para se conseguir acabar com um vício ou, até, criar um hábito, pode ter de rever as suas teorias. Agora surgiu quem defenda que não existe qualquer tipo de prazo fixo: pode ir dos 18 dias aos 254 dias e, normalmente, o sucesso vem ao 66º dia, conta o ABC.

Se acreditava neste mito, um estudo publicado no European Journal of Social Psychology conclui que não. Claro que o tempo de implementação de um hábito depende da dificuldade dessa nova rotina. Por exemplo, aprender uma língua, começar com uma nova alimentação saudável ou fazer exercício com regularidade são hábitos que requerem mais tempo. Segundo o estudo, ganhar o hábito de correr todos os dias pode demorar três semanas, mas aprender um novo idioma requer mais tempo.

É preciso, portanto, esforço. Mark Twain, autor das aventuras de Tom Sawyer, explicou esta temática de forma bastante gráfica: “Ninguém cria um hábito ou deixa um vício se simplesmente o atirar pela janela. Há que tira-lo degrau a degrau. E, para consegui-lo, convém saber como funciona o cérebro quando se trata de trocar de costumes”, conta o ABC. O estudo explica: quando repetimos um comportamento por um grande período de tempo, este circuito é ‘fixado’ no cérebro de forma quase automática. O cigarro ou a sobremesa que nos apetece tanto depois de comer são coisas que, quase sem nos darmos conta, se tornam num prazer habitual. Esta é uma espécie de “recompensa” que o nosso cérebro cria quando realizamos certo tipo de atividades. Este tipo de atividade “prazerosa”, como explica o ABC, não utiliza, por norma, a parte mais racional do cérebro , o córtex pré-frontal.

Se quisermos, por exemplo, substituir hábitos poucos saudáveis, há que elaborar “estratégias” eficazes que incidam na parte racional do cérebro. Segundo o estudo, se, por exemplo, quisermos começar a correr de manhã, todos os dias, uma boa maneira de mentalização é, no dia anterior, colocarmos as roupas desportivas num sítio de destaque. Segundo Ann Graybiel, do Instituto de tecnologia de Massachusetts, este “sinal visual” faz com que o comportamento seja facilitado. Depois deste exercício, há que recompensar o cérebro com algo que gostamos, o chamado “auto reforço”.

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José Antonio Portellano Pérez, doutor em Psicologia pela Universidade Complutense de Madrid, também fala deste reforço, afirmando que se verbalizarmos o nosso sucesso, o reforço é maior. Ainda que este reforço não faça milagres, ajuda a que o hábito seja posto em prática. José Pérez afirma ainda que é vantajoso escrever num local visível os nossos resultados, para que possamos ver, mais facilmente, a nossa evolução.

É necessário, também, que as nossas metas sejam realistas. Se, por exemplo, nos propusermos ir ao ginásio todos os dias, é possível que no final do mês desistamos, porque não conseguimos realizar a meta proposta. Se o nosso objetivo for mais modesto, de início pelo menos, é mais fácil de concretizar e não nos criar frustração. Outro exemplo é o deixar de fumar. Se se for reduzindo, aos poucos, de forma faseada, é mais provável que o objetivo seja cumprido com êxito.

Há também, segundo o neuropsicológico, que saber lidar com momentos de deceção. Se, por exemplo, estivermos num momento mais stressante, sabemos que é mais fácil voltar a maus hábitos. Há que, segundo o José Pérez, haver um esforço para que não se ceda a recaídas. É necessário manter o foco nos nossos objetivos e nas recompensas benéficas que estas alterações nos trarão para o futuro.