Logo Observador
Espanha

“A sorte não existe”. A resposta genial de um aluno num exame

6.498

"A sorte não existe", foi a resposta dada por um aluno da Universidade Internacional da Catalunha num exame. O professor admitiu que foi "o melhor exame" que já tinha corrigido.

Este episódio, no mínimo invulgar, acabou por correr a Universidade da Catalunha

AFP/Getty Images

“A sorte não existe”. Esta foi a resposta dada por um aluno num exame de História e Teoria da Publicidade, na Universidade Internacional da Catalunha. Mesmo sem responder às quatro questões propostas, Enrique Ruiz acabou por surpreender e captar a atenção do professor, que chegou a admitir que foi “o melhor exame” que já corrigiu em trinta anos de carreira, dá conta o El Español. “O passado dia 13 de janeiro foi a data em que os alunos foram postos à prova. Cheguei à aula, distribui os exames e escrevi com giz no quadro: boa sorte para o exame”, contou o professor Alfonso Méndiz.

No entanto, só no dia 30 desse mês é que Méndiz reparou que um dos seus melhores alunos não tinha conseguido responder a nenhuma das perguntas do teste. Em vez disso, e para sua surpresa, encontrou um texto intitulado “A sorte não existe. A história do trevo mágico de quatro folhas”, que contava a história de Cati, a rapariga com melhores notas da turma, e Luis (ele próprio).

A fábula era simples. O casal teria tido a sorte de encontrar uma semente de um trevo de quatro folhas, uma flor com poderes mágicos que nasce a cada 500 anos. Mas a atitude de ambos foi muito diferente. “Enquanto Cati cuidava dela durante os 100 dias da sua gestação, Luis passou os primeiros 99 dias de festa em festa. Não dedicou um momento para pensar no trevo. Com o passar dos dias, ele chegou mesmo a esquecer a sorte que tinha tido. Ao amanhecer do dia 100, aconteceu o esperado. Cati colheu um lindo trevo de 4 folhas, que lhe outorgou poderes mágicos. Pelo contrário, Luis colheu o maior fracasso de toda a sua vida. Coitado do Luis. Aprendeu a lição, mas nunca mais teria a oportunidade para colher o trevo de 4 folhas, como no dia em que o deveria ter feito. É que a sorte só existe se você fizer com que exista”.

No final, o texto acabava com um pedido e desculpas ao próprio professor. “Peço desculpa por este fracasso, prof. Alfonso. Não estudei o suficiente, e também não quis responder barbaridades. Espero que pelo menos tenha passado um bom tempo “.

E fez. Alfonso Méndiz fez questão de partilhar o texto no Facebook e, em menos de uma semana, contou com mais de 600 partilhas. No meio disto tudo, houve quem lhe pedisse para não chumbar Enrique no final do semestre. “Quando li o que o Enrique escreveu, pareceu-me tão genial, tão divertido e tão amável que acabei por publicá-lo no Facebook. Houve até quem me pedisse para o aprovar, mas o que é certo é que não o posso premiar pela falta de estudo. Dei-lhe apenas um 1 e, junto à nota, escrevi ‘pelo bom tempo que me fez passar e pela lição aprendida'”, revelou o professor.

Em contrapartida, o aluno admitiu que tudo não passou de um desleixo da sua parte e que, apesar de ter tido problemas no Natal, foi sempre adiando o estudo, acabando por deixar de lado a disciplina do professor Méndiz. “A verdade é que este Natal tive vários problemas familiares. E, claro, adiei o estudo tanto quanto possível. Estava a estudar para outras disciplinas e deixei o exame do professor Alfonso para a última semana, mas acabei por pegar o touro de frente”, admitiu Enrique, dizendo ainda que não tinha nenhuma ideia do que haveria de escrever e que esta foi a única que lhe veio à cabeça.

Quanto questionado sobre a sua fonte de inspiração, Enrique Ruiz revelou que o grande culpado foi um livro que leu quando era criança, mais propriamente o “La buena suerte” – A boa sorte – de Álex Rovira. E, pelos vistos, a boa sorte acabou mesmo por estar do seu lado. No final das contas feitas, Enrique acabou por passar à disciplina, ajudado pelas notas que tinha tido noutros testes.

O episódio, no mínimo invulgar, acabou por correr a Universidade da Catalunha. “Realmente, estas coisas não passam despercebidas. Então, por que não partilhá-las? Ao fim e ao cabo, acabei por aprender a minha lição”, admitiu Enrique.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Drones

Onde estamos e para onde voamos?

Marta Duarte

Para a maioria dos casos, vão continuar a existir drones sem registo, e, mesmo os que têm registo, considerando a altura que podem atingir, será impossível a sua identificação à vista desarmada.

Drones

Onde estamos e para onde voamos?

Marta Duarte

Para a maioria dos casos, vão continuar a existir drones sem registo, e, mesmo os que têm registo, considerando a altura que podem atingir, será impossível a sua identificação à vista desarmada.