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França

O vídeo (viral) da campanha de Marine Le Pen

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A líder da Frente Nacional é a candidata às presidenciais que quer colocar "a França na ordem" e lutar contra os ataques do "fundamentalismo islâmico". As imitações humorísticas já começaram a surgir.

A mãe, a advogada, a política. A mulher que agarra o leme de um iate, que monta a cavalo, que se isola, circunspecta, numa praia do norte de França, enquanto se assume como a candidata às presidenciais que quer “por a França em ordem”. Marine Le Pen lançou esta semana o seu vídeo oficial de campanha, dois minutos e meio de imagens cinematográficas com uma música triunfal a acompanhar um discurso que aponta o fundamentalismo islâmico como a base de todos os males franceses e que se tornou viral.

Esta sexta-feira o vídeo tinha sido visto quase meio milhão de vezes. Le Pen, nota a Vanity Fair, não se poupou a referências: as imagens da líder da Frente Nacional no cimo de uma falésia (Game of Thrones, Broadchurch?), uma sequência de imagens a fazer lembrar o genérico da série política norte-americana House of Cards, tudo embrulhado num discurso extremado.

A eleição de 23 de abril é uma verdadeira “escolha de civilizações”: de um lado, os franceses terão “quem mentiu, falhou e traiu, quem enganou o povo e perdeu a França”, do outro estará quem pretende “restaurar a ordem em França”. Não será difícil adivinhar de que lado Le Pen se posiciona.

Ela, a líder política que surge sozinha no combate que se propõe travar — não há referências à sua Frente Nacional. Também não há Europa (uma reedição do “America First” de Donald Trump, mas em que só há França, França, França). Também não há (já o Politico tinha notado) negros, latinos ou qualquer tez para lá de branca.

Há apenas Le Pen, “visceralmente apaixonada” pelo seu país e que sobe ao palco para defender o “legado” que quer deixar aos filhos. Contra a “violência extrema [praticada] contra o país”, que impede que os “franceses vivam livres”, contra as “restrições crescentes das liberdades que se multiplicam através do desenvolvimento do fundamentalismo como um ato de violência”.

O vídeo não tardou a ser parodiado. Por exemplo, aqui:

O discurso de Le Pen foi substituído pela letra romântica (e sofrida) de “Seul Sur le Sable”, um tema interpretado pelo canadiano Roch Voisine.

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