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Trabalhadores de ‘call center’ da EDP de Seia em greve de 24 horas segunda-feira

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O call center da EDP de Seia vai cumprir um período de greve de 24 horas segunda-feira, reclamando aumentos salariais à empresa de trabalho temporário que os contratou, disse fonte sindical

Os trabalhadores do call center da EDP de Seia, no distrito da Guarda, vão cumprir um período de greve de 24 horas segunda-feira, reclamando aumentos salariais à empresa de trabalho temporário que os contratou, disse fonte sindical.

Em declarações à agência Lusa, António Coelho, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Norte (SITE C-N) disse que os trabalhadores, contratados pela empresa Manpower, prestadora de serviços à elétrica nacional, auferem salários baixos e exigem mais 40 euros em 2017.

Inaugurado em Seia em 2008, o call center da EDP emprega, segundo o sindicalista, cerca de 550 pessoas. António Coelho diz que em causa não estão questões de precariedade laboral, já que “do ponto de vista dos vínculos, não há precariedade”, os trabalhadores possuem contrato a termo certo ou, terminado este, são integrados nos quadros, explicou.

“Não há precariedade laboral mas há precariedade salarial”, frisou o dirigente sindical.

O sindicato argumenta que os salários “são baixos” e decorrem “da estratégia da subcontratação implementada pela EDP há vários anos”.

O SITE C-N alega que o caderno reivindicativo de 2016 começou a ser negociado com a Manpower, depois de esta, em maio do ano passado, ter substituído a Reditus como prestadora do serviço à EDP e que os aumentos salariais exigidos decorrem de os trabalhadores não terem visto os seus salários serem atualizados “exceto os que foram impostos pelo novo valor do salário mínimo nacional”.

António Coelho explicou que, em 2014, “foi feito um acordo com a Reditus” que passava, entre outros pontos, por um aumento salarial “de quase 30 euros” e uma evolução de carreiras com cinco escalões, em que os trabalhadores entravam na função “com 15 euros acima do salário mínimo nacional”.

Com a substituição da Reditus pela Manpower, esta empresa, de acordo com o sindicalista, “fez uma proposta a três anos” a aplicar a partir de 2017 – que o sindicato “rejeitou liminarmente”, com aumentos entre os três a oito euros, consoante os anos de trabalho.

“A Manpower pretende que, durante os primeiros quatro anos de trabalho, todos recebam o salário mínimo nacional (557 euros). Quem estiver no quinto ou sexto ano de serviço apenas auferirá 560 euros, enquanto nos dois anos seguintes passará a receber 565 euros”, alega o SITE C-N.

A estrutura sindical, afeta à CGTP, considera “inaceitável” que um trabalhador ganhe “sem qualquer aumento”, ao longo de quatro anos, o salário mínimo nacional e que este “seja usado pelas empresas para que o seu valor passe a funcionar como a referência salarial geral”.

“Pelo contrário, a atualização da remuneração mínima garantida deve inserir-se num aumento geral dos salários”, defende.

No entanto, e apesar do pré-aviso de greve, a estrutura sindical diz-se disponível “com total abertura e todas as reformulações necessárias”, para negociar os termos de um novo acordo.

António Coelho disse ainda acreditar que a paralisação no call center da EDP em Seia “possa ser a mais forte de sempre”.

Para as 10:30 de segunda-feira está agendada uma concentração de trabalhadores e dirigentes sindicais no exterior das instalações, na Quinta da Quintela, que contará com a presença, entre outros, de Rogério Silva, da comissão executiva da CGTP e coordenador da Fiequimetal (Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas).

A agência Lusa contactou a EDP para obter um comentário sobre eventuais perturbações do serviço aos clientes devido à greve do call center de Seia, mas, até ao momento, não obteve resposta.

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