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União Europeia

NATO. Juncker responde a críticas de Trump à Europa

Presidente da Comissão Europeia diz que Trump não pode contar apenas com os milhões usados para pagar às tropas no terreno. Missões humanitárias e apoio ao desenvolvimento também contam.

O presidente da Comissão Europeia pede a Donald Trump que atualize a sua visão sobre a Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO) e ultrapasse a argumentação de que são os EUA quem financia o grosso da atividade da organização. “Não gosto de ouvir os nossos amigos americanos reduzir o conceito de segurança ao campo militar”, disse Jean-Claude Juncker esta quinta-feira, na véspera da cimeira.

O comentário do (então ainda) presidente eleito dos EUA foi feito há mais de um mês. Numa entrevista a um jornal alemão, Donald Trump considerou que a Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO) era “obsoleta” e manifestou-se contra a fatura que considera pesar maioritariamente sobre Washington para sustentar a organização transatlântica.

Esta quinta-feira, a um dia do encontro anual de segurança, em Munique — onde vai estar presente o vice-presidente norte-americano, Mike Pence –, Juncker reagiu às declarações de Trump para contestar a ideia “redutora” de que a missão da NATO se resume à mobilização de militares para combater no terreno. “Essa tem sido a mensagem americana ao longo de muitos, muitos anos [e] eu oponho-me a que nos deixemos encostar a esta ideia”, disse Juncker.

As contas ficam mais equilibradas — entre o que a América investe na NATO e o esforço que a Europa coloca no funcionamento da organização — com a visão alternativa de Juncker. “Se olharmos para o que Europa tem feito em termos de Defesa, mais o apoio ao desenvolvimento, mais a ajuda humanitária, a comparação com os EUA é bastante diferente”, considera o presidente da Comissão Europeia, que considera: “A política moderna não se pode esgotar no aumento dos gastos com a Defesa”.

A mensagem surge na véspera do encontro de Munique e na sequência do aviso do secretário de Defesa norte-americano, Jim Mattis, aos aliados: ou sobem o nível de contribuição com os gastos militares para os 2% acordados ou os EUA terão de rever — entenda-se, moderar — os seus gastos com a NATO.

Vice-presidente apaga fogos

No meio deste clima quente, para o qual tem contribuído o próprio presidente dos EUA, Mike Pence, vice-presidente norte-americano, apanhou um avião e é presença garantida no encontro deste fim-de-semana. Pence tem uma missão: apaziguar os espíritos e reduzir a tensão que tem rodeado o debate em torno do futuro da NATO.

Uma tarefa complicada pelas muitas ligações entre a Administração Trump e o vizinho a Este da União Europeia: Moscovo. O trabalho de Pence ficou particularmente mais difícil depois de terem sido divulgados os contactos entre o ex-conselheiro nacional para as questões de segurança e responsáveis russos. Michael Flynn demitiu-se, mas permaneceu a estranheza pelo facto de Pence ter sido mantido na ignorância sobre esses contactos.

Na sua primeira intervenção fora dos EUA desde que tomou posse, Fence traz consigo uma mensagem apaziguadora: a Administração Trump está comprometida com a organização transatlântica e urge os seus aliados a unirem esforços para fazer frente a uma Rússia ressurgente, como refere uma fonte de Washington à Bloomberg.

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