Urgências

Utentes do Norte vão ser ensinados a ir ao centro de saúde em vez de ir à urgência

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Utentes, com pulseira verde ou azul, que cheguem às urgências dos hospitais de Santo António do Porto, Barcelos e Matosinhos vão ser "educados" para que passem a ir ao centro de saúde.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, acusou o PSD de "erro de perceção"

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A partir de abril, os utentes que se deslocarem às urgências do Hospital de Santo António, no Porto, da ULS de Matosinhos ou do Hospital de Barcelos, no período das 8h às 20h, e que receberem uma pulseira azul ou verde vão ser atendidos, mas também acompanhados e ensinados para que, de uma próxima vez, optem por ir primeiro ao seu centro de saúde. Os pormenores do projeto-piloto, que será lançado a Norte, começaram a ser mais detalhados pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que esteve, esta sexta-feira, no Parlamento, a pedido do PSD.

“Este trabalho será um trabalho de pedagogia. Sempre que um utente for sem critério de condições ao serviço de urgência hospitalar será arendido, será envolvido no projeto piloto e será acompanhado pelo médico de família, pelo enfermeiro de família e pela Linha Saúde 24, que lhe dirão que de uma próxima vez não se esqueça que tem perto de si um centro de saúde das 8h00 às 20h00 com respostas”, explicou o ministro, esclarecendo que nunca foi intenção do Governo fechar as portas das urgências destes hospitais entre as 8h00 e as 20h00 aos utentes que lá aparecessem sem ser conduzidos pelo INEM, bombeiros ou sem serem referenciados pela Saúde24.

E para que o projeto-piloto tenha pernas para andar, será preciso reforçar as respostas nos centros de saúde das áreas de influência daqueles três hospitais. Assim, avançou o ministro, vão aparecer os “centros de saúde de 4ª geração”, com “imagiologia, análises clínicas, saúde oral, psicologia e equipamentos de apoio para atrair e dar confiança à população”. Avança no Norte pois é lá que quase 100% dos utentes têm médico de família.

A ideia é “a pouco e pouco, com muita calma e muita tranquilidade (…)” perceber se é possível “alterar o modelo de paradigma da utilização dos serviços”, acrescentou o governante, explicando que os portugueses recorrem muito às urgências hospitalares. Em 2016 o número de atendimentos em serviço de urgências subiu 3% face ao ano anterior.

O projeto terá duas fases — uma de abril a julho e outra de julho a outubro — e a avaliação final será conhecida em outubro, a tempo de, caso o projeto esteja a correr bem, o Governo programar “para 2018 um alargamento e expansão para outros pontos do país”.

O PSD chamou o ministro ao Parlamento, com carácter de urgência, para “prestar esclarecimentos a propósito das afirmações por este proferidas, segundo as quais, nas urgências hospitalares do Porto e de Braga, será executado, já a partir do próximo mês de Abril, um projeto-piloto prevendo que, ‘De segunda a sexta-feira, entre as 8h00 e as 20h00, os doentes não poderão ir à Urgência a não ser através dos bombeiros, do INEM ou da Linha Saúde 24′”.

“Erro de perceção”. Foi desta forma que Adalberto Campos Fernandes caracterizou o motivo que levou o Partido Social Democrata a chamá-lo ao Parlamento. “Com todo o respeito e ironia. Acha que alguém deste lado da mesa ponderaria esse tipo de restrição? Nós não podemos cair na política das ratoeiras e dos truques”, atirou o ministro, dirigindo-se ao deputado social-democrata Miguel Santos, que insistiu na pergunta sobre se estava ou não o Governo a ponderar restringir o acesso dos utentes às urgências.

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