Irão

Filme censurado há 26 anos sai em segredo do Irão e é exibido em Londres

Obra de Mohsen Makmalbaf foi exibida, já censurada, no festival de cinema de Teerão em 2000. Filme sobre impacto da revolução de 1979 saiu do Irão, à sucapa, para ser mostrado em Londres.

O realizador Mohsen Makmalbaf vive em exílio em Londres e "roubou" o filme que fez no Irão em 1990

Um filme censurado no Irão há 26 anos saiu do país às escondidas e vai ser exibido este sábado em Londres. A obra de Mohsen Makmalbaf, considerado um dos realizadores iranianos mais importantes, conta a história de um antropólogo, professor universitário, e da sua filha no Irão, antes, durante e depois da revolução islâmica que mudou o país em 1979.

Com o título de “The Nights od Zayandeeh-rood”, o filme foi produzido em 199o, tendo provocado grande controvérsia no Irão, o que valeu ao realizador ameaças de morte. Segundo conta o correspondente do The Guardian no Irão, a película foi contrabandeada para fora do país e restaurada pelo realizador que atualmente vive exilado em Londres, cidade onde será exibido este sábado no Curzon Bloomsbury, um espaço dedicado à promoção do cinema do mundo e documentários.

Citado pelo jornal britânico, Makmalbaf confirma que conseguiu “roubar” o filme, mas não adianta para já mais detalhes sobre a forma como aconteceu. A versão que pode ser vista em Londres não é a original, já que a censura iraniana cortou 25 minutos ao filme, antes de permitir a sua exibição no festival anual de Teerão Fajr em 1990. Segundo lembra o realizador, houve quem esperasse a noite inteira na rua para conseguir entrar na sala e ver o filme. A obra original tinha 100 minutos.

De acordo com a apresentação no site do Curzon Bloomsbury, o filme é abertamente crítico do regime islâmico pelo seu anti-intelectualismo, autoritarismo e supressão dos direitos das mulheres. Só o facto de ter sido feito e de ainda existir (pelo menos uma parte) é já um milagre, sublinha a mesma fonte. A obra foi censurada e suprimida por ter sido considerada contra-revolucionária.

Comentando um dos temas do filme, o suicídio como metáfora para uma uma nação a perder a esperança, Makmalbaf explica que procurou questionar a esperança que as pessoas tinham na revolução, mas também as próprias pessoas e a forma como estavam a reproduzir a tirania.

Mohsen Makmalbaf é comparado a realizadores como Kiarostami e Panahi pela linguagem cinematográfica inovadora. O cinema iraniano venceu no passado recente dois óscares para o melhor filme estrangeiro, atribuídos ao realizador Asghar Farhadi que ganhou este ano com o filme “O vendedor”. Mas desta vez, as limitações estiveram do lado americano. O realizador recusou participar na cerimónia em Los Angeles, em protesto contra a interdição imposta pela administração Trump a cidadãos de sete países muçulmanos, incluindo o Irão.

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