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Arte

Museu Nacional Soares dos Reis acolhe ciclo de cinema sobre Amadeo de Souza-Cardoso

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O Museu Nacional de Soares dos Reis (MNSR), no Porto, inicia no domingo e estende até 30 de março um ciclo de cinema dedicado ao artista Amadeo de Souza-Cardoso e ao Jardim Passos Manuel, entretanto demolido.

ESTELA SILVA/LUSA

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  • Agência Lusa

O Museu Nacional de Soares dos Reis (MNSR), no Porto, inicia no domingo e estende até 30 de março um ciclo de cinema dedicado ao artista Amadeo de Souza-Cardoso e ao Jardim Passos Manuel, entretanto demolido. O ciclo, organizado pelo MNSR em parceria com a Cinemateca Portuguesa e o Cinema Passos Manuel, pretende “celebrar a convivência do cinema com a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso no Porto, em 1916”, descreveu o museu.

Entre os filmes, destaque para “O Debute de um Patinador”, de 1914, que “emerge recentemente dos arquivos da Cinemateca para dar um retrato bem vivo do salão de festas onde Amadeo expôs as suas polémicas obras há 100 anos e do ambiente global do Jardim Passos Manuel, entretanto demolido”. A diretora do Museu Nacional de Soares dos Reis, Maria João Vasconcelos, explicou à Lusa que as sessões, que acontecem no domingo e a 16, 23 e 30 de março, se configuram como “uma reflexão sobre a época, o próprio cinema e as relações com a cidade”.

No ano passado, a mostra “Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916”, criada como forma de evocar as exposições realizadas por Amadeo há 100 anos e que provocaram escândalo e polémica devido à incompreensão das estéticas de vanguarda, atraiu mais de 40 mil visitantes ao MNSR antes de ser exposta no Museu Nacional de Arte Contemporânea — Museu do Chiado. Partindo da exposição de Souza-Cardoso no Porto, em 1916, o ciclo até podia ter avançado “logo a seguir à exposição em Lisboa”, mas o “desfasamento” tornou-se numa oportunidade de “falar do Amadeo mais algum tempo”.

Todo o entusiasmo gerado mostrou que a figura do Amadeo é carismática e de importância enorme, uma figura marcante”, considerou a diretora, que acrescenta ainda a “relação indissociável” entre o Porto e o cinema para a realização do ciclo.

“O Jardim Passos Manuel acolhia exposições, mas a grande atividade era a projeção de cinema, todos os dias, e em 1916 o cinema era fundamental na cidade”, esclareceu a diretora, que espera “ter o auditório sempre cheio” nas várias sessões. Os filmes serão exibidos em formato digital, ainda que o Soares dos Reis tenha a intenção de “trabalhar os equipamentos utilizados na época numa exposição futura”.

Para Maria João Vasconcelos, um dos destaques da programação é a exibição de “Máscara de aço contra abismo azul”, de Paulo Rocha (1935-2012), longa-metragem realizada em 1988 sobre o artista plástico e criada por ocasião do centenário do nascimento de Amadeo, que será exibida na última sessão do ciclo, pelas 22:00, de 30 de março, no Passos Manuel. A longa-metragem foi digitalizada e restaurada pela Cinemateca Portuguesa, testamentária do cineasta Paulo Rocha, e esteve em exibição no Cinema Ideal, em Lisboa.

No futuro, o MNSR vai ainda “avançar com a renovação da exposição permanente” para integrar “um reforço na área do modernismo e do peso que teve na arte portuguesa”, embora não existam datas para as mudanças, que estão “dependentes dos resultados de candidaturas a fundos europeus”, revelou Maria João Vasconcelos.

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