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Agências de Rating

Centeno ao FT: Governo “não está a ser tratado com justiça” por Bruxelas e agências de “rating”

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Em entrevista ao diário financeiro Financial Times, o ministro das Finanças diz que Bruxelas e as agências de "rating" não estão a "tratar com justiça" o governo português.

OLIVIER HOSLET/EPA

O Governo português “não está a ser tratado com justiça”, defende Mário Centeno. O ministro das Finanças aproveitou uma entrevista ao Financial Times, publicada nesta segunda-feira, para pressionar a Comissão Europeia a tirar o país do Procedimento por Défice Excessivo e, também, para questionar porque é que as principais agências de rating continuam a ter uma notação de risco desfavorável (lixo) para Portugal.

“Julgo que não estamos a ser tratados com justiça. [Portugal] gasta mais do seu orçamento anual em pagamentos de juros de dívida do que qualquer outro país da União Europeia”, afirmou o ministro das Finanças.

Mário Centeno destacou o facto de o défice ter caído para “muito perto de 2%” do produto interno bruto, no ano passado, o que é o valor mais baixo da democracia portuguesa. “A nossa economia está a crescer há 13 trimestres consecutivos — se isto não chega para um país sair do Procedimento por Défice Excessivo, temos de questionar-nos sobre o que mais é que será necessário”, comentou o responsável.

Quanto às agências de rating, Centeno pede-lhes que “compreendam que Portugal de hoje não é o Portugal de 2012. A redução sustentada da dívida das famílias e das empresas tem sido impressionante”.

O ministro das Finanças espera, com estes argumentos, convencer as agências de rating a melhorarem a notação que atribuem a Portugal, um fator que já se percebeu ser crucial para que as taxas de juro se afastem dos níveis elevados em que têm oscilado — perto de 4% — e para que o país deixe de depender apenas da canadiana DBRS para ter acesso às compras de dívida do Banco Central Europeu (BCE), decisivas para o acesso ao mercado.

Mário Centeno diz que os diferentes “países têm diferentes vulnerabilidades e nós compreendemos as nossas”. É por isso, diz o ministro das Finanças, “é por isso que temos estado a introduzir políticas que promovem o crescimento, a consolidação orçamental e a coesão social”. Segundo o FT, Centeno explicou que as pessoas tinham o direito de compreender que tiveram de fazer sacrifícios e começar a receber os frutos.

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