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Associação Mutualista

Montepio e os capitais negativos: “É um problema que se resolve”

Tomás Correia convocou conferência de imprensa para se mostrar "chocado" pela notícia do "Público" que alude aos capitais negativos na associação. E diz que o Montepio tem sido alvo de campanha.

MARIO CRUZ/LUSA

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, António Tomás Correia, diz que a associação (e o banco) tem sido alvo de uma “campanha negativa” desde o verão de 2014 e insurgiu-se contra uma notícia desta terça-feira do Público que falou numa falência técnica da associação, no final de 2015, citando um relatório dos auditores.

Tomás Correia garante que a questão dos capitais próprios negativos ao nível consolidado, na associação, não é uma questão com relevância porque se deve a uma imparidade que foi feita ao nível da Caixa Económica Montepio Geral, ou seja, o banco que é detido em 100% pela associação. “É um problema que se resolve”, afirmou Tomás Correia, desvalorizando a conta “consolidada” como mero “exercício contabilístico”. O que importa, salienta o presidente da associação mutualista, é a situação da associação a nível individual.

“A Associação Mutualista Montepio, em base individual, no mesmo ano de 2015, apresentava um resultado operacional positivo de 36,4 milhões de euros e fundos próprios positivos em base individual no valor de 207,7 milhões, evidenciando assim um nível adequado de solidez”, afirmou o Montepio, numa conferência de imprensa marcada em cima da hora para rebater as notícias que associam os capitais próprios consolidados negativos.

“Isso é um problema que se resolve”. Tomás Correia explicou que esses capitais são negativos porque houve o reconhecimento de imparidades, como tem acontecido um pouco por toda a banca nacional, a conselho dos auditores. Mas não há razão para preocupações porque “a Caixa Económica vai entrar num ciclo de desempenho positivo”, pelo que “a imparidade que temos vai desaparecer nos próximos anos”.

Quando se fala em auditoras, aceitámos e não discutimos com os auditores a avaliação que eles, a cada momento, fazem. E é natural que num cenário de crise como o que vivemos há quase 10 anos, é natural que essas participações tenham tido uma depreciação e houve um quadro regulamentar mais exigente.

Além disso, Tomás Correia garante que os ativos da associação estão avaliados de forma conservadora — muitos estão, mesmo, “subavaliados”. Por isso, falar em insolvência da associação é “alarmista”. “As contas consolidadas podem ter importância mas não têm a importância relativa que a notícia lhes dá”, afirmou Tomás Correia.

E, afirmou, a propósito, que não está previsto qualquer aumento de capital na caixa económica. E salientou que o banco detido pela associação mutualista vai emitir dívida subordinada nos próximos tempos, o que permitirá reforçar os capitais próprios.

O ex-presidente da Caixa Económica Montepio Geral, que agora é presidida por José Félix Morgado, rejeita qualquer comparação com o caso BES/GES porque, ao contrário das instituições lideradas por Ricardo Salgado, a caixa económica não tem qualquer exposição à casa-mãe.

A associação mutualista vive com os seus próprios recursos, vive com as suas próprias capacidades, nunca obteve um empréstimo do banco. É caso único de uma casa-mãe que nunca pediu crédito. Não é como o caso que [a jornalista] referiu, em que a casa-mãe pedia créditos ao banco. Aqui nunca houve isso, créditos perante a Caixa Económica. Num quadro de dificuldades, em que a economia funcionou mal, em que as exigências de capital aumentaram, a associação mutualista foi capaz de fazer face a requisitos de capitais cada vez maiores sem qualquer operação de crédito da Caixa Económica.

“Podem estar tranquilos, porque as vossas aplicações aqui estão seguras”, concluiu Tomás Correia, lamentando uma campanha desde o “verão de 2014, sabe-se lá porquê, que a associação tem respondido, até ao momento, com “silêncio”. Sem a “gestão cuidadosa” que tem havido, “não teríamos sobrevivido aos ataques sucessivos”.

“Chegámos a um momento em que não há espaço para mais silêncio”, asseverou Tomás Correia, aproveitando para recusar “ceder a chantagem” de quem, “usando determinados expedientes”, o acusa na Justiça — o que levou à sua constituição como arguido em processos judiciais. “Não faria sentido” sair do cargo, afirmou o executivo.

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