Operação Marquês

Defesa de Sócrates considera escandaloso novo adiamento de acusação

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"Isto é um escândalo, ultrapassa todas as marcas", diz a defesa de José Sócrates. João Araújo espera que a PGR indefira o pedido de adiamento feito pelo procurador Rosário Teixeira.

José Sócrates foio ouvido de novo esta semana no âmbito da Operação Marquês

NUNO FOX/LUSA

Parece que ainda não é desta. Rosário Teixeira, procurador titular do caso Operação Marquês, pediu mais tempo à Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, para concluir a investigações no âmbito da Operação Marquês, adiantaram esta quarta-feira o jornal i e a SIC Notícias. Rosário Teixeira pede mais 60 dias, segundo informação divulgada pela SIC Notícias mas a Procuradora só deverá responder amanhã.

A defesa de José Sócrates já reagiu ao pedido. “Isto é um escândalo, ultrapassa todas as marcas. É um abuso que está a ser cometido à frente de todos os portugueses”, disse uma fonte da equipa de defesa do antigo primeiro-ministro ao Diário de Notícias.

No programa 21ª hora, transmitido na noite de quarta-feira na Tvi24, João Araújo, advogado de José Sócrates disparou em todas as direções: teceu teorias da conspiração, reforçou a certeza de que não existem provas contra o seu cliente e pediu à Procuradora que não aceite mais um pedido para o alargamento do prazo de inquérito. “Em defesa da honra e da sua autoridade a senhora Procuradora deveria indeferir esse requerimento”, disse o advogado.

“O Ministério Público não tem provas nem factos para acusar o engenheiro José Sócrates e é isto que provoca os adiamentos. Ouvi dizer em algum lado, ou li em algum lado ou ouvi em algum lado que o Ministério Público tinha um Ás de trunfo que era uma lista dos beneficiários dos 96 milhões de luvas da PT de forma a que pedi que me mostrassem a lista. Não há lista”, disse João Araújo.

Desta última vez em que José Sócrates foi chamado ao DCIAP, segundo disse o seu advogado, o Ministério Público “limitou-se a fazer revisão da matéria dada” reforçando que nenhum crime lhe foi ainda imputado. “Um interrogatório a um arguido é uma coisa sagrada, uma coisa séria não é para irmos apresentando os factos como ‘ah temos aqui mais umas coisinhas'”, acrescentou.

Algumas das palavras mais duras de João Araújo foram sobre a detenção e prisão de Sócrates que considerou “um episódio sórdido” e “uma selvajaria”. Tempo ainda para lançar a suspeita de que todo este processo tenha motivações políticas. “O que eu percebi limpidamente durante o interrogatório complementar é que este processo é dirigido contra o governo de José Sócrates”, disse João Araújo que foi ainda mais longe dizendo que “este é um processo que visa desacreditar, pela via judicial, o poder político democrático” e que, “se não é esse o objetivo, é esse o resultado”.

O prazo para a conclusão do processo estava fixado para esta sexta-feira, dia 17 de março. Se este adiamento se confirmar, será a terceira vez que se ultrapassa o prazo para deduzir acusação contra os arguidos.

O jornal i avança também que um dos argumentos da acusação é a necessidade de esperar pelas cartas rogatórias de Singapura e da Suíça, que deverão dar acesso a novas provas. A segunda ronda de inquéritos leva também os procuradores a precisarem de mais tempo para montar o seu caso. Os arguidos na Operação Marquês foram esta semana chamados de novo a depor.

Esta quarta-feira foram interrogados a ex-mulher de José Sócrates, Sofia Fava, e a Diogo Gaspar Ferreira, antigo presidente da empresa gestora do empreendimento Vale do Lobo. Amanhã será ouvido Joaquim Barroca, fundador do Grupo Lena.

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