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Câmara Municipal Lisboa

Teresa Leal Coelho falhou 91 reuniões como vereadora em Lisboa

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A provável candidata do PSD a Lisboa, falhou, como vereadora, dois terços das reuniões de câmara: fez-se substituir em 91 de 153 reuniões. Desde setembro, só foi a um quinto.

Natacha Cardoso

Teresa Leal Coelho, a provável candidata do PSD à câmara municipal de Lisboa, falhou 91 em 153 sessões de câmara como vereadora na capital. O Observador consultou as atas do executivo municipal desde o início do mandato, em outubro de 2013, e constatou que a cada três reuniões, a social-democrata faltou a duas. A assiduidade da vice-presidente e deputada do PSD ainda piorou quando a data das reuniões foi alterada (passando de quarta, dia de plenário no Parlamento, para quinta-feira). A Visão já tinha feito as contas às faltas desde setembro: em 27 reuniões, Teresa Leal Coelho só participou em cinco.

Desde a primeira reunião, a 30 de outubro de 2013, até à 153ª, a 9 de março de 2017, Teresa Leal Coelho foi no máximo a 62 reuniões (de um total de 153 reuniões de câmara, o Observador não teve acesso a apenas 11 atas). Em quase metade das reuniões em que esteve presente (em 26 sessões) a vereadora do PSD faltou a votações de propostas. Ou seja: já não estava presente na sala aquando da votação. Teresa Leal Coelho acumulou, ao longo destes anos, as funções de vereadora, vice-presidente do PSD e deputada.

No Parlamento, a social-democrata preside a uma das comissões mais trabalhosas desde outubro de 2015, que ainda se agrava em altura de Orçamento do Estado: a Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA). Mas as suas ausências na autarquia vão para lá desses períodos caóticos. Entre 2 de março e 27 de julho de 2016 (quase cinco meses), Teresa Leal Coelho não participou em sessões de câmara.

“Não faltei. Fiz-me substituir”, diz Teresa Leal Coelho

A deputada e vice-presidente do PSD explica ao Observador: “Não dei faltas. Pedi substituições [que são asseguradas por outros elementos da lista], sobretudo quando assumi a presidência da COFMA, no Parlamento, cujas reuniões eram à mesma hora das reuniões de câmara”. Teresa Leal Coelho conta que foi o próprio presidente da câmara a propor-lhe a mudança das reuniões semanais de câmara de quarta para quinta-feira: “A partir de certa altura, foi mérito do Fernando Medina, numa atitude muito democrática, que me telefonou a propor a alteração do dia da reunião. E durante algum tempo pude cumprir, mas tenho um calendário terrível na COFMA”.

Teresa Leal Coelho não considera que esta falta de participação nas discussões do executivo lisboeta a fragilizem como candidata, por dar uma ideia de que Lisboa não era uma prioridade. “Na minha perspetiva não demonstra nada disso”, diz a social-democrata ao Observador. “Não houve desinteresse, mas a avaliação é a que as pessoas entenderem”. Nem uma fragilização da candidatura? “Acho que não”, responde a vereadora. “Estou desde 2011 na política. Em todos os papéis que tive não deixei de ter uma posição absolutamente determinada. Obviamente que estando em simultâneo no parlamento, como vice-presidente do partido e na câmara, tive de estabelecer prioridades.”

Poucas intervenções e críticas internas

As intervenções de Teresa Leal Coelho nas 127 atas consultadas pelo Observador também são escassas: menos de uma dezena de intervenções em três anos e meio. Uma das intervenções mais marcantes de Teresa Leal Coelho foi na reunião (ata nº89) do dia 25 de novembro de 2015, quando se completavam os 40 anos do 25 de novembro de 1975, e o debate aqueceu entre esquerda e direita. A meio da intervenção, o vereador do PCP, João Bernardino, defendeu que nos últimos anos o PSD se tinha “encostado à extrema-direita” e empobrecido o país.

Teresa Leal Coelho pediu então uma defesa de honra e explicou que, quando chegaram ao poder, PSD e CDS “tinham herdado um país em circunstância de bancarrota, que não tinha dinheiro para pagar salários nem pensões, o que significava que não tinha havido um empobrecimento, mas sim uma recuperação das condições orçamentais e financeiras do país até ao momento atual, em que o equilíbrio orçamental e o rigor financeiro estavam num outro patamar e isso tinha sido condicionado por um memorando de entendimento.”

A vereadora do PSD lembrou ainda que o 25 de novembro de 1974 “tinha permitido o avanço no percurso da democracia portuguesa” e disse que não se podia “esquecer que o Partido Comunista nessa data, estava financiado pelo Partido Comunista da União das Republicas Socialistas Soviéticas onde a liberdade não era uma realidade garantida a nenhum cidadão.” A discussão animou tanto que o presidente, Fernando Medina, comentou no final: “Quem ouvisse este momento, parecia que estavam em pleno PREC.

Noutra circunstância, Teresa Leal Coelho interveio na reunião para defender que a câmara municipal devia de ir “ao encontro do anseio da população” que tinha vindo, nos últimos anos, a “defender a manutenção de determinado comércio em certos bairros de Lisboa”. A vereadora pedia então “um sinal, uma norma que pudesse permitir que a Câmara tivesse em conta a salvaguarda do comércio que tinha interesse e que era um ativo económico, quanto mais não fosse no plano turístico.”

Fonte do PSD/Lisboa que acompanha os assuntos da autarquia considera que a escolha de Teresa Leal Coelho “não faz sentido” e que a falta de assiduidade demonstra que Teresa Leal Coelho “não quis saber do mandato para nada”. A mesma fonte lamenta também a escolha da vice-presidente do PSD porque “não tem qualquer pensamento sobre a cidade” nem conhece os “problemas da cidade”.

A fonte local do PSD afirma que Teresa Leal Coelho só foi escolhida “pela incapacidade de ir buscar alguém melhor”. O mesmo social-democrata acrescenta ainda que, com esta escolha, “poderá ser mais fácil responsabilizar Passos”, que teve como grande erro “acreditar que a solução podia ser Pedro Santana Lopes“. E acrescenta: “Não temos um candidato que estimule as estruturas e o PSD/Lisboa está numa situação muito débil“.

Esta sexta-feira, às 21h00, decorre um plenário de militantes da concelhia do PSD em Lisboa. Durante o fim-de-semana a distrital deve aprovar o nome do candidato. Segue-se a aprovação em reunião da Comissão Política Nacional, a 21 de março, e ratificado em Conselho Nacional, a 23. O nome de Teresa Leal Coelho está longe de ser consensual.

Líder do PSD/Lisboa em “profundo desagrado” com método de escolha de Passos em Lisboa

Em 2013, Teresa Leal Coelho era a número dois da coligação Lisboa com Sentido (PSD/CDS/MPT), que era liderada por Fernando Seara. Em novembro de 2016, Seara suspendeu o mandato na câmara, tornando-se Teresa Leal Coelho a primeira vereadora do PSD e líder da oposição na câmara de Lisboa. Mas nem isso lhe deu mais protagonismo no plano autárquico.

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