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União Europeia

Turquia cada vez mais longe de entrar na UE, diz ministro alemão

"A Turquia está hoje mais longe do que nunca de ser membro da União Europeia ", disse em entrevista o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Sigmar Gabriel.

PAVEL GOLOVKIN / POOL/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Sigmar Gabriel, reiterou este sábado dúvidas sobre a adesão da Turquia à União Europeia (UE), mas recordou que se trata de um vizinho com quem há que continuar a manter relações.

“A Turquia está hoje mais longe do que nunca de ser membro da União Europeia “, disse numa entrevista que o semanário “Der Spiegel” publica hoje. O ministro lembrou que sempre teve dúvidas sobre essa adesão, mas que era uma opinião em minoria dentro do Partido Social Democrata (SPD).

O responsável disse que chegou a discutir o assunto várias vezes com o então primeiro-ministro e atual Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, a quem disse que a UE estava num estado que “qualquer ampliação seria muito complicada, inclusivamente se a Turquia cumprisse com todos os requisitos”.

Erdogan respondera, segundo Gabriel, que “não queria necessariamente ser admitido, que apenas queria orientar-se segundo os standards europeus para modernizar o seu país”.

O chefe da diplomacia alemã também disse que não concordou com a ideia da chanceler Angela Merkel de uma relação privilegiada com a Turquia, “porque dessa maneira os turcos poderiam sentir-se como europeus de segunda”.

A relação com o Reino Unido no entanto é bem diferente, disse, explicando: “Estamos bem assessorados para conseguir com o Reino Unido, após a sua saída da UE, uma ‘relação especial’. Para a UE será um importante processo de aprendizagem. Talvez a longo prazo alguma coisa disto possa servir de modelo para outros países”.

Ainda em relação à Turquia, Sigmar Gabriel disse que se forem ultrapassados certos limites Berlim tomará medidas para proibir campanha de políticos turcos na Alemanha sobre o referendo, convocado pela Turquia para 16 de abril, que amplia os poderes do Presidente.

Sobre as comparações por parte da Turquia da atual Alemanha com a Alemanha nazi, o ministro disse: “o que se tem ouvido nas últimas semanas é tão irreal e absurdo que até custa continuar a ouvir”. E acrescentou: “Não temos que responder a cada provocação com uma nova provocação”.

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