Música, fotografia, cinema e artes plásticas. A partir desta terça-feira e até sábado, dia 8, o Festival Tremor regressa a Ponta Delgada para a 4ª edição. Vão ser cinco dias para continuar a fazer dos Açores um território singular que já chamou a atenção da imprensa internacional e que fica, garante quem por lá já passou, na memória.

Em 2016 medimos o pulso aos artistas que participaram no festival açoriano e, este ano, quisemos conhecer a opinião de Márcio Laranjeira, o diretor criativo do Tremor e um dos responsáveis da Lovers & Lollypops (L&L), promotora do evento. Segundo ele, há uma palavra que define o festival: Açores. “Para quem não conhece é difícil de explicar, mas quem já cá veio rapidamente percebe. São Miguel é uma ilha pequena, não conheço nenhum lugar assim. Tens a natureza sempre a dar-te uma estalada.” Márcio Laranjeira sublinha que a experiência vai muito além da arte.

“O feeling da ilha é muito diferente daquele que se vive nas cidades do continente, até este clima esquisito, entras num sítio quando está sol, sais de lá e já está a chover, mais tarde aparece o nevoeiro. É uma ilha com muita variedade e o que tentamos é acompanhar essa variedade com as nossas propostas artísticas.”

A oferta é vasta, trata-se de um festival de música em todas as suas vertentes. A agenda do Tremor tem por objetivo levar as pessoas a terem experiências diferentes, através de estilos que vão do metal ao psicadélico, do tradicional à música de dança. O diretor artístico considera que “o público é muito honesto, quando gostam gostam mesmo” e que, por se tratar de um festival com intensidades diferentes ao longo dos dias, tem na forma com as pessoas reagem a isso “um dos aspetos mais interessantes”.

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O Tremor é uma mostra do que se faz um pouco por todo o mundo, mas sobretudo do que se faz nos Açores. Márcio Laranjeira disse-nos que “há cada vez mais artistas locais com talento” e que, por isso, o festival tem como um dos grandes objetivos ser “um potenciador de criação”. E também uma oportunidade.

Numa ilha pequena, onde os artistas locais “estavam sempre a tocar uns com os outros”, este evento acaba por resultar num input criativo capaz de meter “uma banda açoriana a tocar com uma de Los Angeles” e que estende o palco ao número crescente de bandas que têm vindo a surgir no arquipélago. É também uma oportunidade para quem ali vive: ter nomes internacionais ou portugueses “como os Mão Morta, que nunca tocaram em São Miguel, era como uma miragem” num passado muito recente.

Turismo sim, festival para turistas não

A aventura começou há quatro anos e foi o resultado de um namoro bem mais antigo com a Yuzin (agência cultural local), “uma vontade mútua, alimentada pelo desconhecimento da ilha”, contou-nos Márcio Laranjeira. O primeiro Tremor foi montado em apenas quatro meses: “Foi um ano de teste, mas esgotou logo”. O Turismo dos Açores apoiou a iniciativa e “a liberalização dos voos para o arquipélago veio facilitar o contacto”.

Este ano, a organização espera esgotar novamente as 1.500 entradas para o festival, até porque contam que estejam em Ponta Delgada “três vezes mais turistas” em relação ao ano passado. Contudo, não querem ser um “festival para o turista”. O responsável da L&L disse-nos que “as pessoas de fora são bem-vindas mas queremos que as pessoas de cá se sintam relacionadas com o que estamos aqui a fazer.”

O festival tem sido um motivo extra para conhecer os Açores, que é, desde há uns anos, um destino em voga. Os repetentes são também cada vez mais, a reboque da experiência que tiveram nas edições anteriores. A música (e as outras artes) são apenas uma parte.

O Tremor distribui-se por diferentes espaços de São Miguel. Os concertos já aconteceram em locais tão improváveis como as traseiras de uma baliza no campo de futebol. Este ano, música e exposições tomam conta de bares, armazéns, do Posto de Turismo, dos CTT, da biblioteca e galerias e, claro, do Teatro Micaelense. Ao longo destes dias há ainda o Tremor Todo o Terreno, que pede aos festivaleiros roupa e calçado confortável para descobrir a Natureza da ilha. O alinhamento completo pode ser consultado neste link.

A partir desta terça-feira e até sexta as atividades têm início apenas às 15h e são, por assim dizer, leves o quanto baste para proporcionar o conhecimento dos espaços e a vivência cultural de São Miguel. Sábado será o dia grande, com a agenda a ter início às 10h da manhã com o MINI Tremor, dedicado às crianças e famílias, e tem a hora de fecho marcada para as 6 da madrugada de domingo.

Márcio Laranjeira mete à cabeça dos destaques da edição deste ano a presença dos portugueses Mão Morta, que nunca tocaram na ilha, mas também deixa um sublinhado para as atuações do angolano Bonga, para a dupla Drinks – que “dão muitos poucos concertos” – e para duas bandas locais: uma nova, os 3rd Method, e o regresso dos Morbid Death. Contas feitas, amostras da diversidade musical e cultural da ilha e do mundo.

Alinhamento completo:

Beak>, Mão Morta, Bonga, Jacco Gardner (live synth soundtrack), Circuit des Yeux, Drinks (Cate Le Bon + Tim Presley), Yves Tumor, K-X-P, Norberto Lobo, Stone Dead, Morbid Death, Flamingods, Gala Drop, Eartheater, Camera, Conjunto Corona, Coelho Radioactivo, Ghost Hunt, Vive Les Cônes, Filipe Furtado, Escola de Música de Rabo de Peixe, Volúpia das Cinzas, Krake + Gabriel Ferrandini + Ricardo Reis, Fred Cabral, Swift Triigga, Valério, PMDS, We Sea, Manu Louis, Mr. Gallini, The Quiet Bottom, Silicon Seeds, 3rd Method, DJ Fitz, La Flama Blanca, Violet x Photonz, Varela, Favela Riscos, Black, DJ Milhafre.

Exibições, filmes e conversas:

“Take it or Leave it” by Chili Com Carne & MMMNNNRRRG, “AZ-RAP Filhos do Vento” (Red Bull Media House), “Discos na Tela”, Em conversa com The Creative Independent (Eartheater, Circuit des Yeux, Sara Cruz, Vera Marmelo, Violet + Photonz).

O Observador vai estar no final da semana em Ponta Delgada, a convite do Festival Tremor com apoio do Turismo dos Açores e da SATA.