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Emissões Poluentes

Subida de 7% de emissões de gases com efeito de estufa em 2015 preocupa Zero

A Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, alertou para a subida de 7% das emissões de gases com efeito de estufa em 2015 e defendeu a mudança de políticas na produção elétrica e transportes.

Desde 2005, Portugal tinha vindo a reduzir as suas emissões a um ritmo médio de 3,4% por ano, com o período entre 2013 e 2014 a registar a descida mais baixa, com menos 0,5%

HENNING KAISER/EPA

A Zero alertou esta segunda-feira para a subida de 7% das emissões de gases com efeito de estufa em 2015, depois de uma descida nos anteriores nove anos, e defendeu a mudança de políticas na produção elétrica e transportes. “Infelizmente em 2015, depois de as emissões terem vindo a decrescer desde 2005, tivemos um aumento de 7%. Havia uma tendência muito clara de decréscimo que, no entanto, entre 2013 e 2014, já tinha sido pouco pronunciada”, resultando numa “clara inversão da tendência” de descida, disse à agência Lusa o presidente da Zero.

O ano de 2015 foi seco, com fraca produção de eletricidade nas barragens, “tivemos de recorrer às centrais térmicas e, por razões de custo, fomos utilizar as mais poluidoras, com maiores emissões de gases com efeito de estufa, que são as centrais a carvão de Sines e do Pego”, explicou Francisco Ferreira.

A Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, analisou os dados de Portugal relativos às emissões de gases com efeito de estufa, divulgados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para 2015 e “ficou preocupada com o aumento significativo de 7% entre 2014 e 2015”. Desde 2005, Portugal tinha vindo a reduzir as suas emissões a um ritmo médio de 3,4% por ano, com o período entre 2013 e 2014 a registar a descida mais baixa, com menos 0,5%.

Além do comportamento na produção de eletricidade, no setor rodoviário, entre 2014 e 2015, segundo Francisco Ferreira, também se registou um aumento, de 1%, nas emissões, “principalmente à custa da perceção de uma melhoria da situação económica e das pessoas começarem a utilizar mais o automóvel”. Quanto às implicações deste desempenho para os compromissos de Portugal relativamente à luta contra as alterações climáticas, no que respeita a 2020, “não estamos muito longe da meta fixada e, portanto, isso não é um problema”, defendeu o presidente da Zero.

Em relação a 2030, o compromisso nacional é de uma descida na ordem dos 30 a 40% em relação a 2005, e “estamos com uma redução de 20% e ainda nos faltam 15 anos, não nos parece que ai estejamos com problema, devíamos até ser mais ambiciosos”, apontou. No âmbito do Acordo de Paris, contra as alterações climáticas, Portugal comprometeu-se a ser neutro em carbono em 2050, para o que é importante o país ser resiliente às variações do clima, como aconteceu em 2015, com a menor precipitação.

Francisco Ferreira recordou que é necessário ter formas de enfrentar as consequências das alterações climáticas, por exemplo, de um decréscimo da quantidade de chuva, de 10% no norte e de 40% no sul, como a aposta nas energias renováveis, no transporte público, principalmente ferroviário, para passageiros e mercadorias, e na descarbonização dos transportes.

Em comunicado hoje divulgado, a Zero salientou ser “fundamental a alteração, desde já, de várias políticas de energia e clima, particularmente nos setores de produção de energia elétrica e dos transportes, reforçando algumas medidas que garantam que Portugal continue na sua trajetória decrescente”. Entre as propostas para esta mudança estão ainda o reforço das metas de produção de energia solar para eletricidade e água quente, o encerramento da central a carvão de Sines o mais rápido possível ou o investimento na reabilitação urbana, com destaque para a eficiência energética.

Os ambientalistas explicaram que os principais fatores que levaram à redução das emissões até 2014 tinham sido a crise económica e os investimentos na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, nos últimos 15 anos.

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