Logo Observador
Futebol

Ataques ao FC Porto, desprezo pelo Sporting: o que têm as 31 páginas do guião para comentadores

514

Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, divulgou documentos que seriam passados a comentadores do Benfica. E falou em 31 páginas. O Observador leu a missiva e faz o resumo.

Youtube

É público e notório que existe uma aliança Porto/Sporting anti-Benfica. O Porto e o Sporting tudo irão fazer para evitar que o Benfica conquiste o tetra. Vai valer tudo. As claques oficiais do Sporting e do Porto acordaram conjugar esforços contra o Benfica – vão estar presentes para apoiar os adversários do Benfica no Norte, Moreirense, Rio Ave e Boavista. Os dois departamentos de comunicação falam todos os dias e têm uma estratégia comum para provocar e tentar desestabilizar o Benfica. As direções têm-se aproximado e estão a conjugar esforços contra o Benfica. A euforia do Porto no final do jogo da Luz tem apenas a ver com a promessa do Sporting feita ao Porto de que vai ganhar ao Benfica”.

Diretor de comunicação do FC Porto divulga (hipotético) documento que Benfica envia aos comentadores

Este é apenas um excerto das 31 páginas de documentação que, como referiu Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, no Porto Canal, terá sido entregue a todos os comentadores televisivos do Benfica. O assunto foi muito falado durante o dia de ontem, com a promessa dos dragões em voltarem à carga esta quinta-feira. E voltaram, publicando na sua newsletter diária o tipo de mensagem que estava em causa. O Observador leu o documento em causa e que diz respeito a uma série de pontos importantes de abordar nos programas televisivos. São vários os temas, desde o rescaldo do clássico à relação com o Sporting, passando pelo que se passou com o Canelas.

Além dos pontos que já tinham sido focados pelo responsável azul e branco, como as irregularidades no golo de Maxi Pereira na Luz ou o comportamento de Casillas para com os adeptos, o primeiro documento, com 22 páginas, toca ainda outros assuntos como a superioridade do Benfica no clássico; a análise à arbitragem de Carlos Xistra; a conferência de imprensa de Nuno Espírito Santo, quando referiu que alguns adeptos entraram com 40 minutos de jogo; a alegada proteção da direção do FC Porto à claque Super Dragões, com enumeração de vários casos; os “incidentes” de Pinto da Costa e Luís Gonçalves na zona mista com jornalistas; algumas notícias que saíram antes do jogo a propósito dos adeptos portistas que teriam bilhetes para outra zona do estádio que não a caixa de segurança; a recente polémica com João Pinheiro, que apresentou a sua demissão da Comissão Arbitral três dias depois de ter tomado posse; e a última entrevista de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, já depois do castigo.

“Estamos todos de acordo que 1/3 dos insultos, ofensas, provocações, desrespeitos, infâmias, abusos e ataques à honra, reputação, bom nome e integridade moral de toda a gente no futebol português, ditos e escritos pelo BdC num outro país – Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália etc. – teria como castigo a pena de irradiação”, adianta o documento. “É muito claro que estes marginais/criminosos, só não estão presos porque são protegidos por Pinto da Costa e demais responsáveis do Porto. É demasiado evidente que os Super Dragões funcionam como o braço armado da direção do Porto. Não há como ter duas opiniões sobre esta situação, basta somar 2+2. Toda e qualquer investigação provará a cumplicidade e a promiscuidade entre os Super Dragões e o Porto em ações criminosas”, sublinha.

“O Maxi Pereira ainda não percebeu que o Benfica não lhe podia pagar os cinco milhões de euros por ano que o Porto lhe paga, ou seja dez milhões de euros limpos em dois anos”; “É demasiado evidente que os Super Dragões funcionam como o braço armado da direção do Porto”; e “Vejam bem até onde chega a mentira, a desinformação e a tentativa de intoxicação da opinião pública por parte de Bruno de Carvalho e dos comentadores do Sporting” são algumas das frases que dão o mote para a exploração de cada um dos temas.

No outro documento, este com apenas nove páginas, voltam a repetir-se várias ideias mas com especial ênfase no presidente do Sporting, Bruno de Carvalho (que é referido 62 vezes ao longo dos textos). “Demagogo”, “populista”, “mentiroso” e “louco” são algumas das acusações que se podem ler. “Temos que mostrar desprezo por esse tipo de gente e por esse tipo de polémicas”, pode ver-se antes de um lote de 11 sugestões para começar os comentários sobre o rival, alguns dos quais já ditos por Francisco J. Marques no Porto Canal, para exemplificar a linha do “guião” que vai deixando vários considerandos sobre o líder verde e branco sempre com a ressalva de que o importante é “não responder à letra e reagir com inteligência”. “Não podemos continuar a alimentar esse monstro, nem tão pouco continuar a dar importância a um indivíduo de tão baixo nível. Temos que saber resistir”, defende a missiva que, na primeira parte, tinha também ventilado a recente presença de Bruno de Carvalho a prestar declarações como testemunha no processo Operação Fénix.

“Já não há muita gente a espantar-se com as delinquências de Pinto da Costa e de Bruno de Carvalho. Até parece que tudo isto é um caso menor. Já ninguém se escandaliza com os atropelos e delinquências de PC e BdC. Um facto concreto e provado pelo Ministério Publico é que o presidente do Sporting usou o serviço de seguranças de uma empresa ilegal. Ou seja, cometeu o mesmo tipo de crime cometido pelos arguidos Pinto da Costa e Antero Henrique”, refere. “Como é que um demagogo, populista, mentiroso e vendedor de ilusões nunca concretizadas, que praticamente nada ganhou em quatro anos, apesar de todas as promessas que fez, que vive diariamente semeando ódios e conflitos, consegue ganhar as eleições com aquela votação de 85%? A resposta é simples – uma parte pelo radicalismo anti-Benfica; outra parte pela vitimização constante relativamente ao Benfica”, destaca.

“Não se lembram daquela queixa do Sporting contra oito jogadores do Benfica? No que deu? Arquivada por falta de fundamento”, diz-se a propósito das queixas apresentadas pelos leões visando jogadores e responsáveis encarnados. O lance entre Jonas e Nuno Espírito Santo no clássico é também detalhado de forma mais pormenorizada.

De referir que, como o Observador tinha avançado esta tarde, uma fonte oficial do Benfica recusou qualquer tipo de comentário e demarcou-se por completo das acusações. “São fait-divers que o Benfica passa ao lado”, referiu. Outras pessoas contactadas explicaram que toda esta temática foi também levantada devido a uma “guerra surda” que existe entre os próprios comentadores rivais dos programas televisivos.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: broseiro@observador.pt
Terceira Idade

A peste grisalha

Paulo de Almeida Sande

A velhice na sociedade actual, que nos chama velhos aos 40 e nos condena a um longo ostracismo até que a vida natural em nós se apague, 50 ou 60 anos mais tarde, é um longo, lento e doloroso naufrágio