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Condução Autónoma

Ford adia carro autónomo para depois de 2026

Apesar de envolvida na corrida pela condução autónoma, a Ford não acredita que seja possível comprar um automóvel com esta tecnologia antes de 2026, ou até mesmo 2031. Diz o seu director de Pesquisa.

Autor
  • Francisco António

Numa altura em que são conhecidos os esforços – e investimentos – feitos pelos fabricantes automóveis, no sentido de serem os primeiros a disponibilizar para venda um veículo autónomo, o responsável máximo pelo departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Ford Motor Company, Ken Washington, diz não acreditar que, antes do período entre 2026 e 2031, seja possível a um cliente dirigir-se a um concessionário, para comprar um carro equipado com esta tecnologia.

As declarações de Ken Washington, proferidas durante o SAE World Congress Experience e citadas pela Automotive News Europe, acabam por representar um adiamento à data fixada inicialmente pelo próprio CEO da marca da oval, Mark Fields. O qual apontou 2025 como o ano em que seria possível comprar um carro autónomo com o logótipo da Ford.

De referir que o fabricante de Dearborn está actualmente a desenvolver um veículo autónomo de nível 4, ou seja, sem volante ou pedais, para utilização num sistema de partilha, já a partir de 2021. Ken Washington avança, no entanto, que as vendas a particulares deste tipo de veículos dificilmente começarão antes de cinco a 10 anos após a implementação da primeira frota automóvel do género. “É difícil adivinhar ou prever o ritmo da tecnologia”, reconhece, ainda assim, o mesmo responsável, acrescentando que a perspectiva actual da Ford “é que a implementação desta tecnologia virá a ser relativamente gradual”.

Ken Washington, vice-presidente da Ford e responsável máximo pela Pesquisa e Desenvolvimento do construtor norte-americano

Apesar das previsões de implementação lenta, Washington também afirma não ter dúvidas de que os carros autónomos serão uma realidade, no futuro. “Isto não é ficção científica”, sentencia, garantindo que “não se trata sequer de um projecto de investigação”. Isto “é algo que nós vamos tornar realidade, assim como outros”, remata.

Recorde-se que a Ford anunciou recentemente ter chegado a acordo com a startup Argo AI, com vista à colaboração desta no desenvolvimento dos seus futuros veículos autónomos, em troca de um pagamento de mil milhões de dólares (perto de 938 milhões de euros). Sendo que, ao mesmo tempo, a marca norte-americana está também a trabalhar com companhias como a Velodyne, criadora do sistema LiDAR; a fabricante de mapas 3D Civil Maps; a empresa responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de visão robótica Nirenberg Neuroscience; e a SAIPS, companhia que centra o seu trabalho no domínio da visão computacional e sistemas de aprendizagem para máquinas.

“A revolução na computação está a tornar possível coisas que anteriormente eram irrealizáveis”, destaca Washington. Pelo que, acrescenta, “temos de ter a capacidade para imaginar esses futuros”.

Já quanto ao “ataque” de que os fabricantes automóveis estão a ser alvo, neste mesmo domínio, por parte das tecnológicas e startups de Silicon Valley, o responsável máximo pela Pesquisa e Desenvolvimento na Ford garante que a indústria automóvel está preparada para ripostar: “Eu acredito que a indústria automóvel consegue ser tão inovadora quanto as empresas tecnológicas. Aquilo que elas estão a tentar concretizar é tão difícil quanto parece, o que torna o contributo dos fabricantes automóveis verdadeiramente importante na concretização desses objectivos.”

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