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Beleza e Bem Estar

21 marcas que não testam em animais. E outras que, afinal, sim

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Muitas marcas que se dizem "cruelty free" não o são a 100%. Porque a lei tem lacunas e os testes em animais continuam a ser mais baratos. Destacamos 21 em que pode confiar, 5 delas portuguesas.

Se falar de beleza orgânica, natural e cruelty free era, há uns anos, um mercado de nicho e, por isso, com preços também mais elevados (o que fazia com que, eventualmente, muitas pessoas optassem pelos cosméticos mais acessíveis e conhecidos), a verdade é que o mundo está a caminhar para uma versão mais sustentável e amiga do planeta. E isto é bom para todos. Hoje em dia há cada vez mais marcas que abraçaram esta corrente, as próprias leis estão a mudar e os preços a baixar. Se pensa que comprar marcas totalmente amigas do ambiente é apenas possível no mercado biológico — como falámos neste artigo — há muito mais para descobrir.

Em 2016 já havia estudos que diziam que 35% das mulheres planeava gastar mais dinheiro em produtos de beleza amigos do ambiente nos dois anos seguintes. E houve outras descobertas interessantes: 50% perde, de facto, algum tempo a ler os rótulos antes de comprar produtos e as mulheres Millennials (18-34 anos) são quem mais se preocupa com estas questões ambientais. A confirmar esta tendência, a Global Cosmetic Industry diz que este mercado natural vai atingir os 25 mil milhões de dólares (23,5 mil milhões de euros) em 2025. O que significa que, numa categoria que ainda está tão cinzenta e indefinida, as perspetivas são mais do que positivas. Se as atitudes dos consumidores continuarem a apontar neste sentido — fim do consumo de produtos testados em animais –, serão as próprias marcas obrigadas a aderir e as leis a mudar.

Porque é que ainda se testa em animais?

Segundo a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), as empresas continuam a testar em animais para terem dados com que se possam defender caso algum consumidor “ferido” tente processar a marca. E como os resultados destes testes têm pouca fiabilidade (é impossível prever se os resultados em animais vão ser iguais em humanos), isto permite às empresas colocar praticamente qualquer produto no mercado.

Em 2013, a União Europeia baniu os testes cosméticos em animais. E, com isso, podemos respirar de alívio? Não propriamente. O jornal britânico Daily Mail explica que há muitas lacunas na lei, bem como políticas locais fora da União Europeia. Em resultado, muitas marcas que se dizem cruelty free, na verdade, não o são bem a 100%. Tomando como exemplo as marcas que querem vender na China (um dos mercado mais poderosos e valiosos na beleza), vão ter de se submeter às leis locais. Então, podem não fazer testes em animais na Europa mas têm de cumprir a legislação chinesa que exige estes testes. Assim, os testes não são tecnicamente conduzidos pelas marcas — porque são feitos em laboratórios chineses onde, todos os anos, mais de 300 mil animais são usados em testes — mas as companhias autorizam-nos e pagam-nos para poderem vender. É o caso, segundo a Peta, de muitas marcas populares como Caudalie, Cover Girl, MAC, Maybelline, Pantene, Dove, L’Oréal, Estée Lauder, Lancôme, Kiehl’s, Clarins e muitas outras.

É possível que, nos sites das marcas, venha a informação de que são cruelty free mas, normalmente, em baixo vem sempre a ressalva de que têm de cumprir as leis locais quando exigidas. Isto significa basicamente, e traduzindo de forma prática, que fazem testes em animais na China.

Além disso, estes testes ainda são mais fáceis e baratos. Sem eles, as marcas têm de fazer ensaios com células e tecidos humanos, usar técnicas avançadas feitas em computador e estudos com voluntários. Razões para muitas marcas ainda serem culpadas de testar produtos em animais em determinado estágio do seu desenvolvimento.

As marcas com o selo da PETA

A The Body Shop e a Urban Decay são um bom exemplo. As marcas recusam-se a fazer testes em animais e, por isso, não abrem lojas na China. Vendem menos, é certo, mas mantêm a sua filosofia cruelty free. Para poder pesquisar uma marca, basta ir ao site da PETA (aqui) e procurar a companhia ou produto. Mas a lista completa pode ser vista aqui (são mais de 40 páginas). A lista das marcas não aprovadas (e que ainda praticam testes em animais) também pode ser vista aqui.

Se gosta de ler blogues e sites nesta temática, há alguns credíveis e bem sustentados como o Cruelty-Free Kity, o blogue da PETA britânica, o Clear Conscience Beauty ou o Ethical Elephant.

Na fotogaleria reunimos algumas das marcas mais “populares” e conhecidas no mercado e que já são 100% livres de testes em animais. Conheça também algumas brasileiras que se vendem por cá — a lista completa não está no site da PETA mas pode ser consultada no site PEA (Projecto Esperança Animal) aqui. Mostramos também algumas portuguesas que seguem esta filosofia e, por isso, merecem igualmente um lugar de destaque neste artigo.

#aveda #citycreekcenter #landissalon #avedasalon #crueltyfree ❤️

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O que pode mudar no futuro?

Por um lado, uma das coisas mais positivas a retirar é o facto de muitas companhias que testam em animais (como os grupos Estée Lauder, L’Oréal ou Shiseido) estarem a comprar marcas 100% cruetly free (como a Too Faced, a The Body Shop ou a BareMinerals, respetivamente) e que, mesmo após serem compradas, mantêm a sua filosofia anti-testes em animais. Isso significa que, a médio prazo, e com as vendas dessas marcas a subir, as próprias companhias podem começar a alterar os valores de outras marcas do grupo.

Por outro lado, com a pressão que tem sido feita por muitos países que aderiram à legislação cruelty free, com as campanhas contra os testes em animais e com as marcas que se têm recusado a vender na China, a própria legislação chinesa está a mudar. Em 2014 foi permitido que as marcas fabricadas dentro do próprio país pudessem escolher testes alternativos aos animais. E, atualmente, os produtos vendidos pela internet e em aeroportos não têm de testar em animais. Isto é um sinal de que a lei chinesa poderá, em breve, mudar e banir, finalmente, a obrigação dos testes em animais nos produtos vendidos no gigante mercado chinês.

NOTA: Após a publicação deste artigo, fomos contactados pela marca Caudalie. Segundo uma nota da fundadora Mathilde Thomas enviada ao Observador, desde 2012 a marca doa todos os anos 1% dos lucros a várias ONGs ambientais que trabalham na proteção do ambiente, das espécies animais e na reflorestação de áreas. Mathilde e Bertrand Thomas mudaram-se para Hong Kong, onde vivem desde 2015, e estão a trabalhar com outras marcas de cosméticos e com ONGs na tentativa de ensinar ao governo chinês uma alternativa aos testes em animais para que as leis sejam alteradas. A Caudalie apoia ainda financeiramente a associação americana IIVS que pressiona presentemente a China para que sejam praticados métodos alternativos.

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